Faltam 29 dias…

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Max nasceu à noite, depois de um dia quente e seco, anunciando a chegada da primavera. Assim que nasceu, veio para meus braços e o aninhei junto ao seio para que pudesse mamar. Mas ele não quis. Chorou a plenos pulmões, forte, com toda sua energia. Pegou no seio só depois de ser medido e pesado, quando voltou “embrulhado”. Dormiu muito rapidamente, nem senti direito o que era um bebê mamando. Chorou várias vezes naquela noite e parecia que não mamava muito bem. Na manhã seguinte, o pediatra o examinou e recomendou que eu lhe desse leite materno, tirado na hora, em copinho. Confesso que fiquei preocupada e me senti incompetente naquele momento.

Naquela tarde, eu ainda exausta em função do parto longo, adormeci profundamente. Max ficou com o pai, e novamente, chorou muito. Eu já tinha oferecido o seio várias vezes, mas algo não ia bem. Parecia que não conseguia mamar. Devia estar com fome. Ao acordar, liguei para a Taís, que tinha feito yoga comigo quando éramos gestantes e que estava com sua filha com dois meses. Éramos colegas, não exatamente amigas, mas ela morava perto e foi a primeira pessoa de quem lembrei. Ela veio para minha casa prontamente, com sua Aninha a tiracolo e presentes: chá para estimular a produção de leite, conchas de amamentação, pomada para rachadura nos seios. Tirou leite na hora e o demos ao Max com um copinho de pinga. À noite, Max abocanhou meu seio com força. Eu, mãe de primeira viagem, senti aquela “pegada” pela primeira vez… A sensação foi indescritível…

E assim se passaram dois ou três dias, Max mamando colostro. Meu leite não descia e ele teve uma crise de hipoglicemia, nos passando um susto com uma febre de 39o. O “remédio” – milagroso – era mais leite da
Taís! Recebemos alguns frascos com seu leite congelado.

No sexto dia de colostro, o pediatra recomendou que eu tomasse um medicamento para ajudar na produção de leite – que nem cheguei a tomar – e me ensinou a fazer a relactação. Na primeira vez que fui utilizar
o relactador, o leite desceu, abundante. Tirei uma foto usando o relactador, sem perceber que o leite que saía do outro peito molhava minha camisa.

Passado algum tempo daqueles primeiros dias, Taís me contou que depois teve a idéia de que podíamos ter “trocado” os bebês: Aninha mamando em mim, para estimular a produção de leite, Max mamando nela, direto “da fonte”. Fiquei muito comovida com o carinho…

E foi assim que entrei no magnífico mundo da amamentação. Max mamou exclusivamente até quase sete meses, sem grandes percalços. Sempre achei muito impressionante o poder do leite materno, transformado em dobrinhas nas coxas, furinhos nas mãos e em proteção imunológica ao meu filho. Em uma viagem, todos pegamos uma virose gastrointestinal e Max foi o que melhor e mais rápido se recuperou.

Hoje ele está com nove meses, já come, mas ainda mama muito, em livre demanda, como sempre foi… Mamar representa mais que alimento, é também aconchego. Meu corpo já se adaptou à diminuição da necessidade de leite, os peitos não enchem mais a ponto de ficar doloridos quando vou trabalhar, o que me traz uma nostalgia dos tempos em que precisava de concha, por que vazava leite entre as mamadas. Lembro com muita ternura dos primeiros dias. Daquele pequeno recém-nascido restou a lembrança eternizada em fotos e a amizade que surgiu com a Taís

Irene, mãe do Max

Comentário Matrice:

Por mais que a amamentação cruzada (por alguém que não seja a mãe) apresente riscos para o bb, naquele frasco de leite da Taís, Irene e Max receberam mais do que alimento. Taís passou para Irene a compreensão de quanto a amamentação é importante!

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