E 28 dias…

by

Foi cesárea, mas com cheiro de leite

A gestação da minha pequena Sofia foi bem tranqüila graças a Deus. E por eu estar entrando em um mundo totalmente novo para mim, sempre busquei estar bem informada, então no trabalho pegava algumas informações básicas na internet e nas minhas consultas me informava mais com a médica e assim fui levando os meus nove meses com a consciência tranqüila achando que estava me informando o necessário e obtendo informações de qualidade.

Quando estava com 9 meses decidi mudar de médica, pois a minha médica também estava grávida e provavelmente não poderia fazer meu parto, por comodidade escolhi uma médica do prédio do meu trabalho. Ela não foi clara, mas deu para perceber que ela tinha grandes tendências a cesárea, perguntou minha opinião eu disse que se estivesse tudo bem eu não via porque não fazer o parto normal. Mas ela percebeu que eu não fazia tanta questão assim e percebeu também que eu ainda não tinha uma opinião formada sobre o melhor tipo de parto e então com muita sutiliza foi me convencendo que fazer uma cesárea seria mais seguro e mais tranqüilo. Confesso que achei horrível escolher o dia do nascimento da minha filha, foi tão frio, tão calculista, mas acabei cedendo.

Mas como Deus existe e além de existir Ele é bom e misericordioso, ao mesmo tempo em que eu nesse ultimo mês estava a caminho da minha cesárea, Deus também me colocou em um caminho maravilhoso e também sem volta, me colocou no caminho da informação de qualidade, no caminho do apoio verdadeiro e sem limites… Pois no meu último mês, mesmo com a situação financeira bem apertada eu resolvi fazer o Acalanto com a Isadora e posso dizer com toda certeza que foi a experiência mais admirável e mais intensa que tive na minha gestação, hoje, principalmente depois de ver o resultado, digo que pagaria bem mais para fazer tudo novamente, enfim , fiz apenas três sessões do acalanto e na minha última sessão tivemos que mudar a data e acabou caindo em uma sexta feira à tarde, sendo que meu parto estava marcado para segunda….

Chegando lá encontramos Fabiola, a doce Fabiola, estava ali esperando mães que acabaram não chegando para a reunião e me arrisco a dizer que o destino a mantinha ali para me dizer tudo aquilo que eu precisava ouvir nos meus noves meses e que não encontrei em site algum e que ninguém tinha me falado….

Ela começou a me perguntar sobre onde seria meu parto, com quem, etc e depois me disse assim: Olha não vou te falar de parto agora, mas coloca sua filha para mamar na 1º hora, é seu DIREITO colocar ela para mamar assim que nascer…

Nossa, aquilo ficou na minha cabeça e percebi que nunca tinha pensado nisso, nunca tinha pensado em amamentação além da preocupação de cuidados com os seios (aliás, praticamente tudo inútil)… então fiquei com isso fixo na mente e decidi reivindicar isso até o fim caso me negassem, acho que me apeguei tanto aquilo para compensar a minha falta de força em lutar contra a cesárea e também percebi que essa atitude faria uma diferença enorme não só para o meu parto como para a minha vida e para a vida da minha filha…

E assim foi…. segunda-feira 24/9/2007 lá fui eu para minha cesárea marcada no São Luiz e na sala do parto chamei minha médica e falei que queria que colocassem a Sofia no meu peito para mamar e então depois que a Sofia nasceu, ela foi para o meu peito… olhou para mim e seu olhar pareceu me dizer que todo aquele susto que ela acabara de levar só estava valendo a pena pois ela estava ali nos meus braços, ouvindo a minha voz cantando as canções que ela já conhecia e mamando no meu peito… E foi assim, o tempo todo em que me costuravam ela ficou ali, sem que ninguém precisasse ensinar, ao contrário, ela ficou ali ensinando como se sobrevive nesse mundo, como que com o nosso instinto a gente chega no que há de melhor e mais seguro no mundo… Que benção…

Bom, eu ainda não tinha leite, só o colostro, e pensei que só aquele líquido nunca sustentaria minha filha. Mas resolvi fazer duas coisas que tiveram muito mais valor e fundamento do que dar o complemento: 1) Resolvi rezar 2) Resolvi observar minha filha. Rezei para que Deus desse o leite para ela assim que fosse necessário, com a quantia necessária e que nunca esse alimento precioso faltasse para ela, também agradeci a Deus por Ele fazer brotar de mim essa mágica. E observei minha filha e vi que ela não estava sofrendo, mesmo somente com o colostro ela estava se deliciando e se saciando, consegui deixar todas as opiniões de lado, inclusive as minhas, e segui meu instinto de mãe que com certeza não falharia e me avisaria se ela estivesse sofrendo e no sexto dia após o parto, eu já estava em casa… meu leite desceu, na verdade jorrou…

Claro que depois que minha princesa nasceu, minha grande vontade foi voltar ao Gama e participar das reuniões, pois tinha certeza que era ali que eu deveria buscar o apoio tão necessário e quando a Sofia estava com 15 dias eu fui à minha primeira reunião de amamentação e freqüentei quase todas as sextas-feiras durante minha licença a maternidade. É impossível descrever e resumir neste relato tudo de maravilhoso que aprendi, que troquei e quem sabe que até ensinei durante essas incríveis sextas-feiras. Lá encontrei as informações de que tanto ansiava, lá encontrei uma ajuda sem medidas, lá encontrei as melhores mães do mundo e encontrei verdadeiros anjinhos abençoados.

As duas melhores provas de o quanto foi primordial eu optar por fazer parte desse grupo incrível de mulheres, é notar os benefícios que eu e minha filha tivemos com tudo isso e a saudade que sinto de estar lá com todas elas…

Bom, hoje já com 7 meses a Sofia está a coisa mais linda do mundo, super-saudável e adora mamar, está na fase de mamar e ficar segurando no meu cabelo, antes era a fase de mamar e segurar na minha mão… nossa, como é maravilhosa essa experiência, parece que quanto mais ela cresce mais tenho vontade de dar o peito.

Quando ela estava com 6 meses e 15 dias eu tive que voltar ao trabalho, passo praticamente 12 horas fora de casa e estava super preocupada com a questão da amamentação. A Sofia já estava comendo super-bem as papinhas, frutinhas e quando voltei a trabalhar ela passou a comer em uma quantidade muito maior e eu deixei leite para ela ir tomando durante minha ausência, mas a danada não quis nem saber. Todos os líquidos ela já tomava super-bem no copinho, mas meu leite nem pensar, nem copinho, nem colher e até mamadeira tentaram, mas ela não toma, percebe que é meu leite e não toma de jeito nenhum. Mas isso não me desesperou, tirei algumas dúvidas com as meninas da Matrice e novamente voltei a observar o comportamento da minha filha e esperei ela me dar a resposta do que fazer. Então vi que estava tudo bem, vi que ela tem passado o dia muito bem com os alimentos e quando chego a noite ela se delicia com seu tetê.

E hoje posso dizer que amamentar é fundamental para a nutrição infantil e para fortalecer ainda mais o vínculo mãe e filho e ainda vou além… acredito que amamentar é uma das grandes coisas que podemos fazer para melhorar o mundo em que vivemos…

Termino então esse relato com agradecimentos:

Agradeço à Deus pela minha vida e por ter me abençoado com a vida da Sofia. Agradeço por Ele não nos deixar faltar nada e ainda nos presentear diariamente.

Agradeço ao meu marido por estar ao meu lado na hora do parto, cantando a música de boas-vindas para nossa princesa e por estar lutando tanto para estar comigo e com a nossa filha. Eu amo você.

Agradeço a minha família por respeitar todas as decisões que tomei em relação a educação e alimentação da Sofia e por estarem cuidando tão bem dela na minha ausência. Vocês são a melhor família do mundo.

Agradeço a Fabiola, Ana B, Analy e a todas as mulheres maravilhosas que conheci, por todo o carinho, todo o respeito e todos os ensinamentos. Que Deus as abençoe e abençoe seus filhos e filhas.

Amém!

Relato de Tatiana B. Alonso – mãe de Sofia (abril de 2008)
Anúncios

Tags: ,


%d blogueiros gostam disto: