Faltam 25 dias… Uma semana de relatos!

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Quando a bebê chegou no quarto, foi colocada no meu colo e tchau. Começou uma avalanche de dúvidas básicas dentro da minha cabeça, lá no quarto particular, com enfermeira pra ensinar e com apoio da família: será que é para amamentar agora? devo pedir licença pras visitas que vieram de tão longe? e agora, como eu faço pra abrir esse soutien segurando a bebê? tenho que segurar o pescoço dela… com a mão ou sobre o cotovelo? (e as pessoas: cuidado, ela está dobrada! cuidado, não-sei-o-quê!). Coloquei no bico e ela pegou, mas continuava chorando; chamei a enfermeira, que disse: “você tem que colocar a aréola inteira dentro da boca do bebê” (todos os manuais e pessoas sábias dizem isso; eu nunca consegui) por que eu não consigo? meu peito é muito grande e a boca dela muito pequena? (olhaí, deve haver quem não amamente por causa da relação “buco-peitoral” desfavorável!) aí engrenou mais ou menos, mas ela não parava de chorar; continuei insistindo. Bom, no geral, a instrução que eu tinha era: 15min de cada lado a cada mamada e 3 a 4 horas entre cada mamada. Começou a neura do relógio: agora são tantas horas, tenho que deixar mamar até tantas deste lado. Tensa, torta, preocupada com a saúde mental da bebê que havia nascido com Apgar 1 e olhos grudados no relógio.

No 2º dia começou a doer. Doer muito. Horrores. Vontade de chorar. Aí, a enfermeira do meu quarto particular chegou com um abajur para fazer banho de luz no seio; ótimo, por sinal, desde que a gente saiba o que está acontecendo! Desde que alguém explique! Daí, a maravilhosa enfermeira chegou ao maravilhoso quarto com uma mamadeira. Se eu soubesse tudo que sei hoje, mandaria pro espaço.

Mas eu não sabia, e deixei que ela desse pra que eu pudesse tomar banho de luz. Claro que não cicatrizou de uma mamada pra outra, e na tentativa seguinte esfolou tudo de novo. Eu: tensa, torta, preocupada com a saúde mental da bebê que havia nascido com Apgar 1 e que agora estava com icterícia. Com o peito completamente detonado, em carne-viva, eu olhava a desenvoltura de uma mãe americana que estava amamentando seu bebê na sala da luz para icterícia. Aí a enfermeira-que-ensina me deu um bico de silicone ao qual não me adaptei. Doía pra colocar e doía a mesma coisa quando ela tentava mamar. Me deram uma concha alemã muito maluca, que consistia de 2 peças, uma era um disco furado no meio o qual eu deveria atravessar com o meu bico; eu encaixava uma concha no perímetro externo desse disco de forma que o meu bico ficava lá dentro protegido do contato com a roupa, evitando atrito. Mas meu bico estava enorme e o disco ficava atritando do mesmo jeito…

Eu perguntava e ninguém me dizia, não sei porque, que era assim mesmo. Que doía mesmo! e ainda tinha a dor na epísio… Saí do hospital com os presentes: bico de silicone, concha alemã, mamadeira e um massageador para o rosto com o qual me ensinaram a massagear o seio e fazer vibrar os folículos das glândulas (muito legal mesmo). Em casa, meu peito ficou superinchado, imenso, imenso, o soutien 50 não servia mais. Tive febre. Fiz as massagens que me ensinaram com o massageador para rosto. Deixei água quente, pelando, caindo no peito. E NADA. O peito duro, dolorido, pesado. E a Beatrizinha chorando. Será que isto é a descida do leite? O que me disseram: “Seu leite empedrou”. Aí é que a Beatrizinha não conseguia mesmo mamar, porque o peito parecia uma bola de basquete, ela não conseguia encaixar a boquinha e eu me perguntava: será que ela acostumou com a mamadeira e não vai mamar nunca mais?

Eu chorava dia e noite, atormentada pelos mitos e frases feitas: empedrou, prefere a mamadeira, etc., até que um dia o pediatra se cansou de dizer a mesma coisa e disse: “se você não quer amamentar, dê leite em pó”. Fiquei ofendidíssima, mas foi nesse momento que eu percebi que não estava cumprindo a orientação dele: mal a menina encostava no bico eu já tirava, tão ansiosa que estava, achando que se não pegou e puxou e mamou em 2 segundos já não tinha dado certo. Foi quando deixei a criaturinha tentar com TODA a paciência, procurando a posição mais confortável e me concentrando nisso. Do nascimento ao estabilizar da amamentação, foi uma eternidade que durou 10 dias.

Na segunda e na terceira filhas, eu simplesmente pus o bebê pra sugar. Quando e quanto quiseram. Esfolou, doeu, chorei de dor durante algumas mamadas. Mas eu SABIA que ia passar, eu SABIA que só ia durar umas duas semanas.

Acredite, pra amamentar só precisa de bebê, peito e paciência. Saber que dói no começo ajuda muito, porque quando acontecer com você não vai ser uma surpresa. É como se alguém que já andou por aquele caminho tivesse te dado algumas dicas, e então você diz: “aqui tem muito espinho, mas logo adiante é um gramado lindo”.

Roselene, mãe de três meninas lindas!

 

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