E faltam 23 dias…

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Amamentar era algo que faltava em mim para que eu me completasse como mãe, demorou nove anos para que essa dádiva acontecesse.

Quando meu primeiro filho nasceu eu era completamente ignorante de informações, sabia que era bom amamentar e desejava fazê-lo, mas não foi assim que aconteceu. Ele nasceu prematuro, ficou na UTI e na maternidade enquanto eu aguardava sua saída com os seios fartos de leite e febris, simplesmente me deram uma bomba manual, uns potinhos e falaram “vai ali, tira o leite”… Que mãe consegue essa proeza estando em contato com seu filho através de uma janela de vidro? Tristes lembranças. Quando levei meu filho pra casa, saí com a receita de 60 ml de Nan a cada três horas, aquilo parecia a receita da salvação do meu filho… minha pobre ignorância com a ignorância “sábia” e absurda de alguns médicos. Meu filho ganhou peso logo, e de um bebê magérrimo ficou um bebê obeso em poucos meses, contudo pequeno em estatura. Hoje as coisas já estão normais com ele.

Hoje posso afirmar que renasci na maternidade também para ele: amamento minhas duas filhas, gêmeas da mesma placenta nascidas em dias diferentes, sete horas de paciência da santa equipe que me acompanhou.

A Fernanda faz hoje 10 meses e amanhã a Gabriela, tenho orgulho em dizer que elas não conhecem outro leite senão o meu, tenho orgulho em olhar para essas meninas saudáveis, fortes, grandes e saber que são frutos das minhas entranhas, foram alimentadas por mim em meu ventre e continuam sendo alimentadas por mim e assim serão enquanto houver prazer nesse ato.

Isso eu consigo porque busquei informações, encontrei pessoas que são realmente humanas nas suas maiores consequências e busquei eliminar um pouco as minhas ignorâncias, hoje sou responsável por isso. Conto também com um marido que em nenhum momento questionou minhas intenções, pelo contrário apóia e partilha os mesmos pensamentos e desejos.

Encontrei dificuldades, ouvi gente falando do tal complemento, do leite “fraco”, da pouca quantidade… isso tudo eu literalmente ignorei. O que foi mais difícil foram os primeiros dias quando os seios se encheram demais e ficaram febris, e eu chorei de dor ao amamentar e amamentar dois bebês. Eu pedi ajuda e recebi a visita da Priscila que em duas horas de paciência e doação me ensinou a ordenhar, fazer compressas frias e corrigir a pega… pronto, em dois dias tudo normal, ainda alguma dor e logo nada mais, somente o prazer.

Minhas meninas mamam juntas, separadas, quando querem. Mamaram assim que nasceram e esse é o laço que nos estreita cada dia mais. Por isso hoje sou mais mãe, sei o que é ser mãe, mãe que se faz em alimento para os filhos e quanto mais amo ser mãe, mais leite jorra de meu seio. Eu acreditei em mim e consegui. Não sei de onde vem tanto leite, mas ele é real e vital.

Patrícia, mãe das gêmeas-fofas Fernanda e Gabriela
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2 Respostas to “E faltam 23 dias…”

  1. Bianca Says:

    Essa mãe merecia ser condecorada!
    A quantidade de mães de gêmeos que amamentam exclusivamente no seio é mínima. E “peitar” os médicos então… é algo muito raro.
    Uma das histórias de amor mais lindas que já vi.
    Tenho certeza que suas filhas se sentem muito amadas e vão se sentir assim sempre.

  2. Ana Lucia Says:

    Sua história é muito parecida com a minha!! Também sofri de ignorância na primeira gestação, há 2a2m atrás, com minha primeira filha, caí na cesárea, não amamentei exclusivo (embora ela tenha mamado até 2a e 20d), e estou na 24a sem da segunda gravidez, gemelar!! Também encontrei uma equipe humanizada e estou me preparando pro meu VBAC! Parabéns pelo seu relato, pela sua família e pela sua coragem em mudar uma historia que poderia se repetir se você não fosse atrás dos seus instintos de fêmea e mãe!!
    Beijos

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