Faltam 18 dias…

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Curioso escrever esse relato justo hoje*, quando há pouco dei uma bronca no meu filhotinho porque ele insistia em morder meus mamilos, apesar de eu dizer “não morda, senão mamãe não lhe dá o peito”. Depois de muitos choramingos, e pedidos de desculpas na forma de 1000 beijos, retirei o castigo e sucumbi aos pedidos de “peito, peito, peito”. Ele mamou e dormiu.

Estamos no comecinho de julho de 2008, e no dia 6 completaremos, Gabriel e eu, 18 meses de amamentação. Um processo de crescimento mútuo e de transformações na vida de nossa pequena família, incluídos aí meu marido e meus pais, grandes incentivadores e primeiros de muitas pessoas que me ofereceram seu apoio na amamentação de meu filho.

Depois deles, recebi também o apoio de uma médica, aqui do Recife, que trabalha no Banco de Leite do IMIP, Dra. Bernadete Dantas. Ela tem um trabalho lindo com amamentação, tanto no Banco de Leite como em consultório, e quando estava grávida de 8 meses, marquei uma consulta. Boas notícias: segundo ela eu já tinha colostro e mamilos excelentes! Agora era dar banhos de sol nos mamilos e esperar a chegada de Gabriel.

Nossa jornada de amamentação começou, de fato, após um lindo parto hospitalar na água, em Recife, no dia de Reis de 2007. Apoiada por pessoas fantásticas, que tive a grande sorte de estarem a meu lado naquele momento, pude trazer Gabriel ao mundo da melhor maneira possível: um parto tranqüilo, natural, sem intervenções, plenamente consciente e feliz!!! Leila Katz, a médica que acompanhou a gestação e parto, foi a responsável por pegar Gabriel e colocá-lo no meu peito, imediatamente após o nascimento. Ato contínuo, ainda unidos pelo cordão umbilical, Leila, aquela que sempre apoiou minhas decisões, foi quem ajudou Gabriel a começar a mamar, dando a ele o primeiro apoio para ser amamentado.

Tive muita sorte, meus mamilos não racharam, o leite desceu rapidamente, ele mamava sem problemas. Que coisa fantástica, como a Natureza funciona!!! De meus peitos saía todo o alimento que meu filho precisava e, sintonizados com ele, sabiam quando ele ia despertar, começando a jorrar o leite segundos antes dele acordar. Nunca esquecerei essa sensação, e realmente lamento por aquelas que não sabem o que é isso.

Primeiras consultas com a pediatra, tudo ótimo. Até que, com quase 1 mês de nascido, teríamos que viajar a Espanha, a pediatra achou que Gabriel não ganhava tanto peso quanto deveria e indicou dar complemento. Atordoada, dei, e qual minha surpresa ao ver meu filhinho com febre, todo vermelho!!! Reação alérgica àquele leite estranho… Por telefone, minha amiga Thayssa lembra de Dra. Bernadete, volto a procurá-la, que novamente me dá o apoio necessário: não era caso de complementar com leite em pó. Examinou minhas mamas, leite sobrava. A pega estava ótima. Até que ela observou como ele mamava e verificou que ele gostava mesmo era de mamar o primeiro leite, mais aquoso e fácil de sair, e tinha preguiça de mamar o leite final, mais gorduroso. Recomendação: retirar o primeiro leite, reservar para dar depois da mamada e oferecer a mama com o leite posterior. Simples assim.

E a partir daí, tudo fluiu. Foram 6 meses de amamentação exclusiva, com direito a “copiarmos” a iniciativa da Matrice aqui em Recife e fazermos o primeiro “Mamando no Parque”, no dia das mães de 2007.

Retornei ao trabalho no 5o mês e recebi mais um grande apoio, dessa vez do pessoal do trabalho, que disponibilizou uma sala para que eu retirasse o leite com bomba tranqüilamente, bem como permitiram que eu alterasse o horário de trabalho para adaptá-lo melhor às necessidades do meu filho.

Aos 6 meses de vida, Gabriel começou a ter curiosidade por outros alimentos e iniciou uma nova fase, conhecendo os alimentos. Nem por isso a amamentação ficou de lado. Seguia mamando feliz da vida, e eu também. Aos 7 meses decidimos colocá-lo no berçário e qual a surpresa das pessoas ao verem que ele “ainda” mamava.

Foi a primeira de muitas reações, positivas e negativas. Há pessoas que ficam muito felizes em ver que você amamenta e que seu filho adora, mas infelizmente também temos que lidar com comentários desagradáveis. Decidimos, então, meu marido e eu, incluir os seguintes mantras em nossas falas: “a OMS recomenda o aleitamento, NO MÍNIMO, por 2 anos”... e para os que insistem, temos o “Gabriel é alérgico à lactose, e a pediatra recomendou amamentá-lo o máximo possível.”

Não só recebi muito apoio para amamentar, como também tento apoiar a quem me procura. Infelizmente não tanto quanto gostaria, mas faço o que é possível, na esperança de um dia dispor de mais tempo para me dedicar a essa tarefa, até porque observo que as mães e futuras mães pouco (ou nada) sabem sobre amamentação, que geralmente não é um processo fácil, principalmente na sociedade cesarista e imediatista em que vivemos, que insiste em retirar prematuramente os bebês do útero de suas mães e privá-los de serem amamentados.

Deixo aqui meu relato, com muitos beijos,

* Depoimento escrito no dia 3 de julho/2008, por Nelia, mãe do tagarela Gabriel, que nasceu no Recife, em janeiro de 2007, de PN hospitalar na água, com uma circular de cordão, sem intervenções nem lacerações, naquela maravilhosa banheira inflável azul que veio “d´além mar”, sob os cuidados de Leila e Melania

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3 Respostas to “Faltam 18 dias…”

  1. Ana Lucia Says:

    Nélia, parabéns pelo relato!! É muito bom ter a certeza de que pessoas como você fazem a diferença nesse mundo tão egoista, cheio de estéticas, palpites mal dados e o pior deles, falta de amor!
    Beijos!!

  2. Sylvana Says:

    Gabriel… esse bezerrinho quase “gêmeo” do meu bezerrinho!
    Seja feliz!

  3. Thay Says:

    Minha amiga mamífera! que saudades!
    Beijos para vc e blue eyes…

Comentários encerrados.


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