Faltam 13 dias…

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Quando meu segundo filho, Fernando, nasceu, eu me achava a mãe mais experiente do mundo. Tinha um filho de dois anos, o Henrique, que tinha mamado no peito até nove meses de idade e com quem a amamentação tinha corrido muito bem.

Na gravidez do Henrique, eu tinha feito o cursinho de gestantes do hospital, onde ensinavam que “pega boa” é “boquinha de peixe” e sem fazer estalinho. Não que esteja errado, mas eu achava que isso era tudo e que amamentar o Fernando ia ser “bico” – sem trocadilhos.

Não podia estar mais enganada. O Nando berrava já na maternidade. Mamava muito e berrava mais ainda. Em casa, meus mamilos começaram a ficar cheios de fissuras e as dores eram absurdas. Dor do parto é moleza, perto da dor de fissuras mamilares (pelo menos, para mim). Aí começaram os palpites.

“Para quê isso?”. “Desmama esse moleque, para que sofrer tanto?”. “Amamentei o fulaninho só um mês e ele nunca ficava doente!”. Tudo isso no meio da minha dor: podia ser um diabinho me tentando… Podia, mas não foi. Porque eu estava muito firme na minha decisão de amamentar o Fernando, nas minhas convicções de que o leite materno era o melhor alimento para meu filho. A dor era ruim, mas era algo que eu conseguia isolar, não prestar atenção nela e sim no bebê, que mamava com gosto.

Acontece que, desde que meu primeiro filho nasceu, eu fazia parte de algumas comunidades virtuais de mães recentes e gestantes. Descobri o GAMA, a Ana Cris, as doulas, a Ingrid Lotfi (doula no Rio de Janeiro) e muitas outras organizações e pessoas que incentivavam o parto natural e a amamentação. Essas “descobertas” foram muito importantes, mas a Ingrid Lotfi foi fundamental. As coisas que a Ingrid escreveu lá atrás, em 2003, fizeram a diferença em 2005, na minha insistência em manter o Fernando no peito.

Comecei a tomar algumas medidas para tentar curar meus mamilos. Tomava sol nos seios, passava pomada de lanolina, fiz compressa de casca de papaia, passei chá de casca de romã e usei uma pomada cicatrizante. Foi funcionando aos poucos. Daí, ganhei um intermediário de silicone e quase que meu filho larga o peito: aquela coisa deslocava-se para dentro da garganta dele e causava ânsia. Fora que o leite diminuiu. Tomei chá-da-mamãe, tintura de algodoeiro, descansei de montão e o leite foi voltando, o peito sarando e o Fernando sempre mamando. Não foi uma história longa, porque, aos sete meses do Fernando, ele largou o peito. Insisti por uma semana, mas ele ficou irredutível, fazia cara de nojo e tudo mais.

De qualquer modo, esse é meu relato de apoio na amamentação: o incentivo que a querida Ingrid Lotfi me deu, dois anos antes de meu segundo filho nascer, foram a força de que eu precisava para resistir a tanta pressão para desistir. O apoio é importantíssimo e pode assumir várias formas. Para mim, veio na forma de uma mulher do Rio de Janeiro, que conheci em uma lista, arrumando a maior briga na defesa do parto natural, e que acabou virando minha amiga. Uma amiga que nunca vi de verdade, só em fotos e conversando por emails. O amor escolhe as mais diversas formas de se manifestar. Apoio à mulher que amamenta é amor, sim. Obrigada, Ingrid!

Pri, mãe do Henrique e do Fernando

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Uma resposta to “Faltam 13 dias…”

  1. Ingrid Says:

    Querida Priscila, que alegria te ler aqui! Sempre acabo me surpreendendo quando fico sabendo que uma palavra, um gesto, e às vezes, uma mensagem escrita há anos, fizeram diferença mesmo muito tempo depois. Foi assim comigo, quando recebi apoio da Socorro Moreira, de Fortaleza, outra amiga que ainda não tive a oportunidade de conhecer pessolmente, mas que falou coisas que eu precisava ouvir para acreditar em mim. É só isso que precisamos. Alguém que diga que devemos ser persistentes, que somos capazes. E eu, que nem sabia o quanto tinha sido importante para você, fico na certeza de que temos que continuar, na certeza que esse trabalho de formiguinha pode render grandes feitos no futuro. Não é, barriga boa? rs!!!! beijos e parabéns pela coragem e pelo projeto!!!!!!!

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