Faltam 11 dias pra SMAM!

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Primeiro, parabéns pela iniciativa de vocês!

Em todos os tipos de trabalho de promoção da saúde, acho que o que mexe mais profundamente com as mulheres é o da troca de experiências entre iguais, ou pelo menos parecidos, se é que me entende. Eu juro que resisti bastante para mandar esse depoimento. A gente sempre tem uma porção de coisas pra fazer… Mas qdo vcs mandaram esse email só pra mim, aí eu não resisti, e embora eu já tenha apoiado muita gente, e saiba direitinho ou pelo menos imagine o valor desse apoio, só depois dessa experiência pela qual eu passei com o meu filho caçula, o Henrique (e lá se vão 16 anos) é que eu pude ver a grandeza dele, e mais, a partir daí me empoderar para apoiar verdadeiramente outras mulheres nessa caminhada. Gostaria de que tivessem como premissa que todo o meu relato foi a minha experiência e de minha família, não estando eu querendo com isso dizer o que é ou não certo fazer, mas sim contando a nossa experiência para que possa ajudar a outras mulheres a atravessar esta fase da melhor maneira.

O Luís Felipe foi nosso primeiro filho, super desejado, passei uma gravidez maravilhosa, plena, feliz. Participei de grupos de gestantes e desde o primeiro dia do pré-natal falei para a obstetra que queria ter parto normal, e ela concordou dizendo que tudo bem. Ao final da gestação, eu estava na 39ª sem e nada de entrar em trabalho de parto, todos sabem como é a ansiedade desse período, aí foram pedidos os exames: ultrasonografia e doppler. Na 40ª semana, já bastante ansiosos, eu também não entrava em trabalho de parto e aí começaram as conjecturas médicas: a placenta pode estar muito madura, não estar nutrindo tão bem o bebê; pode haver uma circular de cordão, de repente é por isso que vc não entra em trabalho de parto, enfim, nesse país de cesarianas, nós três (pai, mãe e bebê) precisávamos de mais para enfrentarmos toda essa pressão. O final dessa estória é fácil de saber: eu fui submetida a uma cesariana e a idade gestacional do Luís Felipe após o exame feito pelo pediatra foi de 38 semanas. É claro que não estava na hora…

Pra completar, ele teve icterícia neonatal (muito provavelmente por conta de algum tipo de prematuridade, já que o nosso sangue não é incompatível), tivemos de ser reinternados em outro hospital para que ele recebesse tratamento e fototerapia. Nem preciso dizer que daí para frente as coisas foram ficando cada vez mais difíceis. Eu só fazia chorar e tinha um sentimento de frustração e perda enormes. Quando tentava colocar meu filho no peito ele chorava, chorava, e com meu estado ansioso cada vez tinha menos leite. Em sua primeira consulta com quase um mês de vida ele tinha perdido quase 500 gramas.

Depois analisando, em outros momentos também, mas pude perceber que principalmente neste momento eu precisei de apoio de alguém que pudesse clarear as coisas, mas não tive. Meu marido se sentia tão fragilizado como eu, embora solidário. Nem profissionais de saúde, nem amigos, nem parentes, ninguém que pudesse nos apoiar naquele momento, não da forma como precisávamos. E olha que nós recebemos muitas visitas…

Mas como depois de uma noite vem outro dia, meu filho foi crescendo lindo e muito amado, embora eu tivesse isso mal resolvido em mim… Foi quando, 1 ano e 5 meses depois, descobri que estava grávida do Henrique, que não foi planejado, mas também muito desejado tão logo soubemos. Podem imaginar todos os filmes que passaram na minha cabeça naquele início de gravidez. Nessa época eu já estava trabalhando com mulheres e grupo de gestantes e trabalhava com profissionais de saúde muito experientes com gestantes e partos. Minha primeira dificuldade foi escolher quem acompanharia meu parto, até que por indicações cheguei a um obstetra que eu sabia acompanhar a maioria dos partos vaginais. Acabei que só comecei a fazer o acompanhamento pré-natal com 16 semanas tamanha era a minha dificuldade em escolher com medo de me frustrar mais uma vez.

Participei de um maravilhoso grupo de gestantes, com coordenadoras super legais e fiz trabalho corporal durante toda a gravidez. Com 39 semanas, durante o banho, perdi o tampão mucoso, aquela  “gosminha” que fica no colo do útero durante a gravidez. A combinação que fiz com o obstetra é de que ele só interviria (cesariana) caso fosse extremamente necessário, observando-se também que eu tinha uma cesariana anterior e que esse útero poderia ter uma ruptura durante o trabalho de parto. A única coisa que ele me pediu é que gostaria de acompanhar meu TP comigo internada por segurança. Eu topei as condições. Após perder o tampão comecei a sentir contrações fracas, mas fui à consulta. Não tinha dilatação, as contrações passaram e ele explicou que o tampão poderia inclusive se refazer, que não seria para aquele dia, mas pra eu ficar atenta, e tentar fazer as coisas que gostava, relaxar. Naquele dia fui passear com meu marido na praia, tomar água de côco. Dois dias depois as contrações começaram brandas e à tarde foram ficando mais  fortes. A noitinha quando fui examinada, o obstetra me disse que eu tinha 4/5 cm de dilatação e que eu deveria me internar. Eu, que na outra gravidez não tinha sentido absolutamente nada, nem perdido o tampão, estava muito feliz com todas aquelas sensações que estavam acontecendo com o meu corpo me dando a certeza de que o nosso filho estava chegando da melhor forma. Internei às 23h, e cada vez as contrações e conseqüentemente a dilatação aumentava.  Meu marido e as coordenadoras do grupo de gestante estiveram o tempo todo comigo, fazendo massagens, me davam banho, me acariciavam, caminhávamos madrugada afora. Ás 6h fui levada para a sala de parto, aí já estava com 9 cm de dilatação, sentindo algumas contrações incômodas, mas muito feliz. Quando comecei a me posicionar na sala de parto, o obstetra conversou comigo se não gostaria de ficar de cócoras, pois assim participaria mais ativamente do nascimento de meu filho. Realmente não era essa a minha pretensão, mas rapidamente pensei na idéia e resolvi topar o desfio (mais um).

Às 6h15 meu filho nasceu através de parto de cócoras, eu o peguei e coloquei ao seio para mamar na mesma hora. E ele mamou muito. Realmente não posso descrever a emoção que senti e o que aquilo representou para mim e para a nova família que se formava naquele momento. Durante e após o nascimento, embora num hospital, a luz era baixa e a atitude era de imenso respeito e gentileza com que estava acontecendo e com a nova vida que chegava com aquela manhã. O céu que podia ver entre as persianas era vermelho de crepúsculo, foi muito emocionante. O apoio continuava nos primeiros dias; fui com o Henrique ao grupo toda feliz e orgulhosa contar a experiência do parto para as outras grávidas. E embora tivesse uma cirurgia de redução mamária anterior (outra questão muito controversa) eu persisti amamentando exclusivamente, seguindo todas as orientações e sendo muito apoiada de todas as formas.

Na consulta dos 30 dias (e eu tinha medo dela, pois o meu mais velho nessa pesagem havia perdido quase 500 gramas) eu tive a maravilhosa, e inédita surpresa de que o meu filho, apenas com o meu leite, e nós dois, nós três, nós quatro, com muito APOIO engordou 700 gramas neste primeiro mês!!!!!!! Para mim isso foi o nirvana e a coroação de tudo o que eu almejei. É claro que, indiscutivelmente, eu acreditei em mim, mas o apoio foi fundamental neste processo. Principalmente no meu caso, por ser enfermeira, as informações, as técnicas, ficam muito no terreno racional, e precisamos que tudo isso passe  para o plano emocional para que seja vivenciado plenamente e transformado numa experiência positiva. E isso se consegue com apoio, com troca de experiências, com afeto, com carinho, com colo, com peitos! 

Espero que a minha experiência de apoio possa abrilhantar o calendário do grupo Matrice. Parabéns, meninas!!

Fernanda Sá, enfermeira, fotógrafa e mãe de Luis Felipe e Henrique
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