Posts Tagged ‘1º filho’

Faltam 8 dias…

julho 23, 2008

 


 

 

Nunca pensei em ser mãe e nunca imaginei que esta experiência transformaria tão profundamente minha maneira de ver a vida. Miguel nasceu em um lindo parto domiciliar, rápido, intenso e poético. Ainda com o cordão conectado, mamou com volúpia. A amamentação, para mim, foi uma extensão da humanização do meu parto. Como nossa relação de mãe e filho foi respeitada, a amamentação transcorreu sem maiores complicações.

Os primeiros meses são intensos de dedicação para a mãe. Mas como estava em licença-maternidade, não senti o peso desta dedicação. A intensidade dos cuidados era proporcional à resposta do crescimento do Miguel.

Chegou a fase do nascimento dos dentes, das mordidas no seio, mas tudo me parecia muito normal e contornado com todo carinho, conversa e atenção. Depois dos 8 meses, continuamos com nossa lua de leite que continua intensa até hoje, aos 16 meses do Miguel. Espero que continue pelo tempo que nos for confortável.  Adoro o ver chegar, puxar a minha blusa e pedir “tetê”, me olhando com os olhos mais cheios de amor que vi em toda a minha vida. Não me incomodo de acordar de madrugada para amamentar, que cada dia tem sido mais raro.

Muita gente diz que o Miguel não gosta de comer porque mama muito. Eu acho isso ótimo. Ele quase nunca fica doente, é uma criança esperta, doce, sociável. A vida me fez uma mãe dedicada e trabalhando em casa posso continuar com a livre-demanda. Acredito que estes anos da vida da criança são fundamentais para sua formação imunológica e psicológica. Perto disso, o nosso esforço é tão pequeno e recompensador. Uma sensação que tenho é de que meu corpo está fazendo a melhor coisa que poderia fazer: servir para alimentar o corpo e a alma de alguém.

Kalu Gonçalves, jornalista, 28 anos, mãe do Miguel Narayan.

 

 

Faltam 15 dias…

julho 17, 2008

Eloise, amamentado sua filha Alice, enconstada no pai, todos no Forte de Copacabana (dez/2007)

Alice nasceu em outubro de 2007, no tempo certo, e eu me preparei bastante pra chegada dela. Queria muito amamentar, fazer tudo como deveria ser feito. Fui orientada a dar apenas o leite materno até os 6 meses de vida, e então rejeitei todos os conselhos de amigos e avós que queriam dar chazinhos, chuquinhas de água, leitinhos para complementar.

Mas na primeira semana de vida a situação foi um pouco caótica. Ela perdeu peso enquanto meu leite não chegava com força, e seguia mamando só o colostro. No quarto dia de vida uma enfermeira foi na minha casa pra furar a orelha dela e eu falei que ela chorava muito. Ela me aconselhou a comprar uma lata de NAN porque certamente a menina estava “morrendo de fome” e “desidratada” e eu era uma péssima mãe que deixava um recém-nascido sofrer por falta de leite.

Meu marido e minha mãe me disseram pra comprar o NAN. Eu corri pro banheiro, chorei, respirei fundo, e resolvi que não ia fazer isso. Eu tinha sido avisada de que na primeira semana era mesmo um pouco difícil, mas quando a gente vê aquela coisinha miúda chorando sem parar, começa a querer ouvir tudo que estão dizendo, pra buscar solução de qualquer maneira.

Lembrei da minha amiga da MATRICE, e liguei pra ela.

– Fabíola, minha filha está passando fome, ela só tem colostro pra se alimentar!!!

Ela me acalmou, me disse que uma colher de chá de colostro sustenta o bebê por horas, e que ela ia chorar mesmo, mas não era por estar desnutrida. Me orientou também a ver se ela fazia xixi, porque seria um indício de hidratação adequada.

Eu continuei um pouco atrapalhada, mas aceitei a informação, é claro. No dia seguinte resolvi ligar pra Stephanie, uma francesa que ministra cursos para gestantes aqui no Rio. Eu tinha feito cursinho sobre amamentação com ela, antes da Alice nascer. 

Ela me falou a mesma coisa, “calma, você já sabia que a primeira semana seria difícil, tente se acalmar e espere mais um pouco, se você der leite de vaca pra ela agora pode prejudicar as funções intestinais, pode ficar mais difícil depois”. Marquei um horário para visitá-la, no dia seguinte, levando a Alice para conversarmos e para que ela visse como estava a neném. 

Mas já era o sexto dia. De madrugada senti meus seios endurecendo, enchendo, e de manhã quando tirei a concha para amamentar eu vi o liquido amarelado, um amarelo bem clarinho, era o meu precioso leitinho que estava chegando!!!

Agradeço muito a Fabíola e a Stephanie, as duas me tranquilizaram muito e a partir daquele dia não faltou mais o leite.

Depois daquilo ainda tive uns problemas com vômitos. Alice vomitava muito, me dava cada banho de leite!!! Se antes o leite era pouco, passou a ser muito.. Mas isso foi resolvido também, depois de 3 pediatras me dizendo que ela tinha que ser medicada, resolvi ligar novamente pra Stephanie e marquei com outro médico, que até hoje cuida da minha filha. Ele me explicou calmamente que o refluxo dela faz parte do desenvolvimento e que ela não precisava de remédio nenhum para resolver o problema.

Com dois meses de vida o problema sumiu, e até hoje ela mama muito bem, sem vomitar, sem passar fome, e já completa 9 meses no próximo dia 08 de julho!!

No meio do caminho tive umas ocorrências normais, e ainda liguei mais algumas vezes para a Fabíola, que sempre teve muita paciência pra me acalmar e explicar o que estava acontecendo, sem que eu sentisse necessidade de procurar algum médico pra isso. 

 

Eloise Barreto, mãe da Alice

Faltam 17 dias… mais uma semana se passou!!

julho 15, 2008

Amamentar era o sonho da minha vida! Tanto quanto ter o meu filho de parto natural. O encanto se quebrou quando meu filho teve quer ser internado na UTI por desconforto respiratório. Foram dias de tortura e a única coisa que eu pensava era: não vou conseguir amamentá-lo. Mesmo na UTI recebendo o leite que eu ordenhava com muito amor e carinho, os dias iam se passando, meu gatinho melhorando rapidamente e minha paúra de levá-lo para casa e descobrir que ele não ia querer mamar mais, pois somente no momento que nasceu, sentiu o calor do meu seio na ânsia de alimentá-lo, e depois ele foi levado de mim. Uma frase ecoava na minha cabeça como um mantra: “Se até mãe adotiva amamenta, por que você não conseguiria? Amamentar não é só saciar a fome. É uma comunhão de amor entre você e ele”, dizia o pediatra do Enzo para mim, sempre aflita.

Cada dia que se passou em casa foi uma vitória, uma conquista! No começo da amamentação ele teve problemas de pega, eu problemas com monilíase, mas a dor sentida face ao seu sorriso de prazer acalentado nos meus braços não tinha intensidade alguma.

Minha mãe sempre foi uma graça, todos os dias ao meu lado repetindo a mesma frase, com aquele amor incondicional de mãe que todos conhecemos: tudo isso vai passar filha. Amamentar é muito gostoso e você vai ver como é. Vai melhorar… vai melhorar… e o pranto dela rolava junto com o meu.

Os dias passaram e comecei a sentir o maior prazer da minha vida: amamentar o meu filho com paz e tranquilidade. Sem medos, nem dores. Hoje o Enzo tem quase 2 anos, e meu maior presente é ainda poder oferecer para ele o leitinho que eu preparo ao longo do dia enquanto trabalho, com o maior amor do mundo: o leite materno.

Gisele, mãe do Enzo

Faltam 18 dias…

julho 15, 2008

Curioso escrever esse relato justo hoje*, quando há pouco dei uma bronca no meu filhotinho porque ele insistia em morder meus mamilos, apesar de eu dizer “não morda, senão mamãe não lhe dá o peito”. Depois de muitos choramingos, e pedidos de desculpas na forma de 1000 beijos, retirei o castigo e sucumbi aos pedidos de “peito, peito, peito”. Ele mamou e dormiu.

Estamos no comecinho de julho de 2008, e no dia 6 completaremos, Gabriel e eu, 18 meses de amamentação. Um processo de crescimento mútuo e de transformações na vida de nossa pequena família, incluídos aí meu marido e meus pais, grandes incentivadores e primeiros de muitas pessoas que me ofereceram seu apoio na amamentação de meu filho.

Depois deles, recebi também o apoio de uma médica, aqui do Recife, que trabalha no Banco de Leite do IMIP, Dra. Bernadete Dantas. Ela tem um trabalho lindo com amamentação, tanto no Banco de Leite como em consultório, e quando estava grávida de 8 meses, marquei uma consulta. Boas notícias: segundo ela eu já tinha colostro e mamilos excelentes! Agora era dar banhos de sol nos mamilos e esperar a chegada de Gabriel.

Nossa jornada de amamentação começou, de fato, após um lindo parto hospitalar na água, em Recife, no dia de Reis de 2007. Apoiada por pessoas fantásticas, que tive a grande sorte de estarem a meu lado naquele momento, pude trazer Gabriel ao mundo da melhor maneira possível: um parto tranqüilo, natural, sem intervenções, plenamente consciente e feliz!!! Leila Katz, a médica que acompanhou a gestação e parto, foi a responsável por pegar Gabriel e colocá-lo no meu peito, imediatamente após o nascimento. Ato contínuo, ainda unidos pelo cordão umbilical, Leila, aquela que sempre apoiou minhas decisões, foi quem ajudou Gabriel a começar a mamar, dando a ele o primeiro apoio para ser amamentado.

Tive muita sorte, meus mamilos não racharam, o leite desceu rapidamente, ele mamava sem problemas. Que coisa fantástica, como a Natureza funciona!!! De meus peitos saía todo o alimento que meu filho precisava e, sintonizados com ele, sabiam quando ele ia despertar, começando a jorrar o leite segundos antes dele acordar. Nunca esquecerei essa sensação, e realmente lamento por aquelas que não sabem o que é isso.

Primeiras consultas com a pediatra, tudo ótimo. Até que, com quase 1 mês de nascido, teríamos que viajar a Espanha, a pediatra achou que Gabriel não ganhava tanto peso quanto deveria e indicou dar complemento. Atordoada, dei, e qual minha surpresa ao ver meu filhinho com febre, todo vermelho!!! Reação alérgica àquele leite estranho… Por telefone, minha amiga Thayssa lembra de Dra. Bernadete, volto a procurá-la, que novamente me dá o apoio necessário: não era caso de complementar com leite em pó. Examinou minhas mamas, leite sobrava. A pega estava ótima. Até que ela observou como ele mamava e verificou que ele gostava mesmo era de mamar o primeiro leite, mais aquoso e fácil de sair, e tinha preguiça de mamar o leite final, mais gorduroso. Recomendação: retirar o primeiro leite, reservar para dar depois da mamada e oferecer a mama com o leite posterior. Simples assim.

E a partir daí, tudo fluiu. Foram 6 meses de amamentação exclusiva, com direito a “copiarmos” a iniciativa da Matrice aqui em Recife e fazermos o primeiro “Mamando no Parque”, no dia das mães de 2007.

Retornei ao trabalho no 5o mês e recebi mais um grande apoio, dessa vez do pessoal do trabalho, que disponibilizou uma sala para que eu retirasse o leite com bomba tranqüilamente, bem como permitiram que eu alterasse o horário de trabalho para adaptá-lo melhor às necessidades do meu filho.

Aos 6 meses de vida, Gabriel começou a ter curiosidade por outros alimentos e iniciou uma nova fase, conhecendo os alimentos. Nem por isso a amamentação ficou de lado. Seguia mamando feliz da vida, e eu também. Aos 7 meses decidimos colocá-lo no berçário e qual a surpresa das pessoas ao verem que ele “ainda” mamava.

Foi a primeira de muitas reações, positivas e negativas. Há pessoas que ficam muito felizes em ver que você amamenta e que seu filho adora, mas infelizmente também temos que lidar com comentários desagradáveis. Decidimos, então, meu marido e eu, incluir os seguintes mantras em nossas falas: “a OMS recomenda o aleitamento, NO MÍNIMO, por 2 anos”... e para os que insistem, temos o “Gabriel é alérgico à lactose, e a pediatra recomendou amamentá-lo o máximo possível.”

Não só recebi muito apoio para amamentar, como também tento apoiar a quem me procura. Infelizmente não tanto quanto gostaria, mas faço o que é possível, na esperança de um dia dispor de mais tempo para me dedicar a essa tarefa, até porque observo que as mães e futuras mães pouco (ou nada) sabem sobre amamentação, que geralmente não é um processo fácil, principalmente na sociedade cesarista e imediatista em que vivemos, que insiste em retirar prematuramente os bebês do útero de suas mães e privá-los de serem amamentados.

Deixo aqui meu relato, com muitos beijos,

* Depoimento escrito no dia 3 de julho/2008, por Nelia, mãe do tagarela Gabriel, que nasceu no Recife, em janeiro de 2007, de PN hospitalar na água, com uma circular de cordão, sem intervenções nem lacerações, naquela maravilhosa banheira inflável azul que veio “d´além mar”, sob os cuidados de Leila e Melania

Faltam 19 dias…

julho 13, 2008

Relato de amamentação 100%
Gabriel nasceu de parto natural hospitalar no dia 17/5/2007 com 2985kg e 57cm… um menino lindo e saudável, na sua primeira hora de vida já foi para o peito, não mamou muito, mais esse primeiro contato foi muito importante para mim e para ele, foi o momento que olhamos nos olhos e nós descobrimos como mãe e filho.

Não tive nenhuma dificuldade em amamentar meu filho; de início ele teve uma pega certa, sempre foi um “bezerro”, não teve problemas de cólica, dor de ouvido, ou ainda de  trocar o dia pela noite, foi um bebê tranqüilo. Sempre mamou muito, e eu sempre estava/estou disponível para amamentá-lo.

Com 6 meses de vida, seguindo orientação do pediatra e outras pessoas, tentei introduzir a alimentação; as frutas, as verduras, os sucos, a aguá, etc…, mas nada do Gabriel comer. Fiz de tudo, segui todas as dicas e nada… resumindo, o Gabriel fez 1 ano e só mamava no peito, não tomava nem água.

Hoje com 1 ano e 1 mês ele começou a comer a comida do meu prato, 1,2, 3 colheres, não mais que isso… e sabe de uma coisa? ELE ESTÁ ÓTIMO!!!! São 9,700 kg e 76 cm de muita alegria, disposição e saúde, não perde em nada para bebês da mesma idade que comem de tudo… até hoje meu peito fica cheio e vaza constantemente, o Gabriel mama a cada 3 horas… acorda 2 vezes a noite para mamar… Foram muitos obstáculos para o meu bebê mamar exclusivamente no peito até 1 ano… e mostrei a muitos que é possível, se tiver peito para isso.

Faltam 20 dias…

julho 12, 2008

Apoio e amamentação

A Melissa nasceu e foi tudo bem. Ela mamou bem, sem problemas. A enfermeira do hospital veio ensinar a pega, viu o jeito como a Mel abocanhou o peito e falou:

– Ah, já sabe. Vou embora.

E foi.

E, realmente, foi tudo bem.Até que, duas semanas depois, meu peito começou a doer. Sangrar, não sangrou. Mas doeu. Doía, doía… daí, eu pensei:

– Não agüento mais. Vou dar mamadeira.

Até que minha mãe veio e falou:

– Eu agüentei. Suas avós agüentaram. Suas bisavós agüentaram. Sua irmã agüentou. Suas tias agüentaram. Você é mulher, vai agüentar. E isso passa. Logo.

Que eu ia fazer? Agüentar! Agüentei. E, realmente, não durou mais de uma semana, essa dor. E pelos 4 anos seguintes, a Mel mamou muito bem, obrigada, e foi só alegria.

Thais Saito, mãe da Melissa, 4,5 anos, do João, 3 anos, e do Zezé, 11 meses

Faltam 21 dias…

julho 11, 2008

Eu me considero sortuda porque nunca tive problemas para amamentar. Para mim a amamentação sempre foi um ato carinhoso, amoroso e recheado de sensações deliciosas, uma ligação fortíssima que selei com meu filhote desde seus primeiros momentos de vida.

Porém, quando tive que voltar a trabalhar, começou a rolar uma certa pressão para o desmame. Há uma creche no meu trabalho e apesar da facilidade e rapidez que eu tinha de chegar até o Samuel, sentia nas berçaristas uma certa impaciência, já que ele era um dos poucos bebês que ainda mamavam exclusivamente no peito. As outras mães amamentavam, sim, mas aos poucos foram substituindo algumas das mamadas por complemento e logo iniciaram a introdução de alimentos.

Eu segui firme e forte no aleitamento exclusivo, apesar de alguns olhares enviezados e de alguns comentários sutis, mas que mexiam comigo, como “esse leite não sustenta mais, hein!?” ou “agora a tendência é o leite secar, né?“… Procurava não ligar, mas dependendo do meu nível de cansaço, da quantidade de trabalho acumulado, e das noites mal dormidas, isso às vezes me incomodava.

Apesar de tudo, alcancei os 6 meses de amamentação exclusiva e continuei a amamentar meu bebê toda tarde até 1 ano de idade, isso além das mamadas de manhã, antes de dormir e durante a madrugada, que continuam até hoje. Quando estamos juntos, a livre demanda ainda é a regra aqui em casa. O Sam, que hoje tem dois anos e um mês, é uma criança feliz, amada, segura, independente e vai continuar a mamar no peito enquanto quiser ou enquanto estiver bom para nós dois. Acho que vai longe, viu? Ainda bem!

Aurea Gil, 29 anos, mãe do Samuel, 2 anos e 1 mês, nascido de parto normal hospitalar em São Paulo, SP

Faltam 24 dias…

julho 8, 2008

Até a balada, quem sabe…

Posso começar dizendo que amamentar pra mim sempre foi considerado item acima de qualquer discussão, ou seja, eu queria amamentar até uns 2 anos, pelo menos. Isso sempre esteve em mim, assim como o parto normal, o que era natural até então.

O parto natural eu consegui, mas desde que estava grávida, devido a relatos que eu lia de grupos que eu participava, eu tinha medo mesmo era da amamentação. Alguma coisa me assombrava, eu tinha muito medo desse momento.

E nos primeiros dias, com muito leite, meus seios ficaram irreconhecíveis. Botava a Isa pra mamar a toda hora e ela sempre teve muita força. No começo achei normal, mas aí vieram os machucados, sapinho, na boca dela e no meu seio, e começaram os dramas.

Foi cruel, eu liguei pra minha doula, pro neonato que me atendeu em casa, escrevia pras listas que eu participava, localizei sites de amamentação que davam dicas, pq eu não aguentava mais ficar com o seio pra fora, colocando compressa de camomila, pomada lansinoh, e nada resolvia… quando a parteira que me atendeu, também especialista em amamentação, foi em casa e viu que minha bebê me mordia ao invés de sugar, fizemos um exercício simples e a partir daí as coisas começaram a melhorar.

Confesso que muitas vezes eu chorei no pé da cama, fui consolada todas as vezes pelo meu marido, que sempre me incentivou. Pensei em desistir e dar leite artificial um milhão de vezes, mas não tinha coragem, achava que estaria sendo desonesta com minha filha, pois eu tinha muito leite… era questão da gente se acertar. E eu tinha convicção que iria vencer essa batalha, iria dar pra minha filha todo leite que ela quisesse.

Depois desse dia da parteira em casa, as coisas começaram a fluir. O seio foi melhorando, meu relacionamento com a minha filha melhorou (na hora da amamentação, era tudo muito tenso, muito nervoso) e esse momento, antes doloroso, passou a ser prazeiroso.

Amamentar não é fácil no começo. É preciso ter convicção no que vc quer, se não você se rende a primeira prescrição de leite artificial do pediatra. Eu tive a maldita prescrição, pois a Isa perdeu bastante peso no começo, mas joguei ela no lixo, e troquei de pediatra. E também é preciso ter apoio. Eu tive apoio incondicional do meu marido, que jamais sugeriu dar outro leite que não o meu, apoio de uma rede virtual de amigas que eu nem conheço pessoalmente, mas que ajudam muito e também da minha parteira querida, que foi até em casa pra ver o que estava acontecendo.

Hoje estamos felizes e muito bem resolvidas. Minha bebê tem 1 ano e 1 mês, mama 2x ao dia (na hora que acorda e antes de dormir), aos finais de semana mama a hora que quer ( ela já pede, então fica bem mais fácil) e iremos continuar assim até que ela queira…

Já ouvi todo tipo de argumento contra a amamentação, mas me faço de surda. Me perguntaram uma vez até quando eu iria amamentar. Eu respondi: Até o dia que minha filha virar pra mim e responder: – mãe, dá um tempo, tô atrasada pra uma balada…   😉

Amamentar hoje pra mim é uma delícia. Mas eu não teria conseguido sozinha. Metade foi minha convicção, a outra metade foi a ajuda externa que recebi.

Drica, mamãe da Isabela

Faltam 25 dias… Uma semana de relatos!

julho 7, 2008

 

Quando a bebê chegou no quarto, foi colocada no meu colo e tchau. Começou uma avalanche de dúvidas básicas dentro da minha cabeça, lá no quarto particular, com enfermeira pra ensinar e com apoio da família: será que é para amamentar agora? devo pedir licença pras visitas que vieram de tão longe? e agora, como eu faço pra abrir esse soutien segurando a bebê? tenho que segurar o pescoço dela… com a mão ou sobre o cotovelo? (e as pessoas: cuidado, ela está dobrada! cuidado, não-sei-o-quê!). Coloquei no bico e ela pegou, mas continuava chorando; chamei a enfermeira, que disse: “você tem que colocar a aréola inteira dentro da boca do bebê” (todos os manuais e pessoas sábias dizem isso; eu nunca consegui) por que eu não consigo? meu peito é muito grande e a boca dela muito pequena? (olhaí, deve haver quem não amamente por causa da relação “buco-peitoral” desfavorável!) aí engrenou mais ou menos, mas ela não parava de chorar; continuei insistindo. Bom, no geral, a instrução que eu tinha era: 15min de cada lado a cada mamada e 3 a 4 horas entre cada mamada. Começou a neura do relógio: agora são tantas horas, tenho que deixar mamar até tantas deste lado. Tensa, torta, preocupada com a saúde mental da bebê que havia nascido com Apgar 1 e olhos grudados no relógio.

No 2º dia começou a doer. Doer muito. Horrores. Vontade de chorar. Aí, a enfermeira do meu quarto particular chegou com um abajur para fazer banho de luz no seio; ótimo, por sinal, desde que a gente saiba o que está acontecendo! Desde que alguém explique! Daí, a maravilhosa enfermeira chegou ao maravilhoso quarto com uma mamadeira. Se eu soubesse tudo que sei hoje, mandaria pro espaço.

Mas eu não sabia, e deixei que ela desse pra que eu pudesse tomar banho de luz. Claro que não cicatrizou de uma mamada pra outra, e na tentativa seguinte esfolou tudo de novo. Eu: tensa, torta, preocupada com a saúde mental da bebê que havia nascido com Apgar 1 e que agora estava com icterícia. Com o peito completamente detonado, em carne-viva, eu olhava a desenvoltura de uma mãe americana que estava amamentando seu bebê na sala da luz para icterícia. Aí a enfermeira-que-ensina me deu um bico de silicone ao qual não me adaptei. Doía pra colocar e doía a mesma coisa quando ela tentava mamar. Me deram uma concha alemã muito maluca, que consistia de 2 peças, uma era um disco furado no meio o qual eu deveria atravessar com o meu bico; eu encaixava uma concha no perímetro externo desse disco de forma que o meu bico ficava lá dentro protegido do contato com a roupa, evitando atrito. Mas meu bico estava enorme e o disco ficava atritando do mesmo jeito…

Eu perguntava e ninguém me dizia, não sei porque, que era assim mesmo. Que doía mesmo! e ainda tinha a dor na epísio… Saí do hospital com os presentes: bico de silicone, concha alemã, mamadeira e um massageador para o rosto com o qual me ensinaram a massagear o seio e fazer vibrar os folículos das glândulas (muito legal mesmo). Em casa, meu peito ficou superinchado, imenso, imenso, o soutien 50 não servia mais. Tive febre. Fiz as massagens que me ensinaram com o massageador para rosto. Deixei água quente, pelando, caindo no peito. E NADA. O peito duro, dolorido, pesado. E a Beatrizinha chorando. Será que isto é a descida do leite? O que me disseram: “Seu leite empedrou”. Aí é que a Beatrizinha não conseguia mesmo mamar, porque o peito parecia uma bola de basquete, ela não conseguia encaixar a boquinha e eu me perguntava: será que ela acostumou com a mamadeira e não vai mamar nunca mais?

Eu chorava dia e noite, atormentada pelos mitos e frases feitas: empedrou, prefere a mamadeira, etc., até que um dia o pediatra se cansou de dizer a mesma coisa e disse: “se você não quer amamentar, dê leite em pó”. Fiquei ofendidíssima, mas foi nesse momento que eu percebi que não estava cumprindo a orientação dele: mal a menina encostava no bico eu já tirava, tão ansiosa que estava, achando que se não pegou e puxou e mamou em 2 segundos já não tinha dado certo. Foi quando deixei a criaturinha tentar com TODA a paciência, procurando a posição mais confortável e me concentrando nisso. Do nascimento ao estabilizar da amamentação, foi uma eternidade que durou 10 dias.

Na segunda e na terceira filhas, eu simplesmente pus o bebê pra sugar. Quando e quanto quiseram. Esfolou, doeu, chorei de dor durante algumas mamadas. Mas eu SABIA que ia passar, eu SABIA que só ia durar umas duas semanas.

Acredite, pra amamentar só precisa de bebê, peito e paciência. Saber que dói no começo ajuda muito, porque quando acontecer com você não vai ser uma surpresa. É como se alguém que já andou por aquele caminho tivesse te dado algumas dicas, e então você diz: “aqui tem muito espinho, mas logo adiante é um gramado lindo”.

Roselene, mãe de três meninas lindas!

 

26 dias…

julho 6, 2008

Meu pequeno nasceu no dia 5/10/05. No mesmo dia que nasceu eu o amamentei. Pra mim, amamentar foi um momento de glória, uma vitória.

No primeiro dia foi tudo lindo. Mas depois meu bico foi rachando. Eu não entendia porquê. Ele mamava direitinho, encaixado certinho, por que rachar? Mas rachou… milhares de pessoas recomendavam diversas pomadas. Passei todas que me falaram. Nada adiantou.

Quando meu bebê acordava eu começava a chorar pois sabia que começaria aquela dor de novo. Mas eu amamentava. Sentia dor? Sentia… Mas sentia também um orgulho de mim por estar proporcionando ao meu filho o alimento mais puro, mais saudável que ele poderia tomar naquele momento. Eu colocava um pano na boca e ia… firme e forte.

Depois de poucos dias o peito parou de sangrar mas ainda doía muito. Meu marido quis comprar mamadeira mas eu não deixei. Eu sabia que se ele comprasse, eu, em algum momento poderia dar pra trás. Continuei no peito. A dor era só na hora que ele pegava. Depois aliviava e o momento ficava mágico pra nós dois. Comecei a usar umas conchinhas e foi aí que meu peito melhorou de vez. Mas nisso já tinham passado quase 3 meses. O contato do bico com o leite cicatrizou de vez e eu pude amamentar com o prazer de só sentir a sintonia entre meu pequeno e eu. Nada de dorzinha na hora de pegar o bico.

A dor grande dos primeiros dias, a dor depois e a dorzinha do fim não me fizeram, em momento algum, pensar em desistir de alimentar meu filho com algo que era dele por direito.

Eu amava amamentar. Me sentia realizada, sentia que meu filho se realizava também. Até os 5 meses e 20 dias fomos cúmplices exclusivos desse momento tão lindo.

(…)

Nesses 11 meses de amamentação posso dizer que fui completa, me senti a mãe mais poderosa do mundo vendo meu filho crescendo com algo que saía de dentro de mim. Estou grávida de 14 semanas e com certeza meu bebê será amamentado com o mesmo amor e carinho como o Miguel foi. Eu sempre escutei aquela frase – “amamentar é um ato de amor” – mas só tive certeza disso depois que vivenciei esse momento.

Lívia Guimarães, mãe do Miguel