Posts Tagged ‘amamentação cruzada’

Faltam 27 dias…

julho 5, 2008

Arthur nasceu no dia 16, sexta-feira. Sua pega foi boa de imediato, porém, na segunda-feira, começou o problema da amamentação. Por sorte, M. (parteira) estava aqui numa consulta pós-parto quando o Arthur começou a chorar bastante. O leite não desceu e ela percebeu bem mais rápido que eu o motivo do choro e irritação com o peito: fome. Ela deu uma seringa de água glicosada com sonda no dedo e eu só fazia chorar. O Arthur se acalmou na hora. Comecei a tomar imediatamente motilium de 8 em 8 horas, preparo de semente de algodoeiro e chá da mamãe da Weleda aos montes.

Continuei oferecendo o peito e à tarde a A.P. (pediatra, amiga e mãe de um bebê de 6 meses) nos trouxe leitinho, acho que 80ml. Esse leite foi dado naquela tarde e depois à noite, através de sonda (translactação), assim ele também mamava meu colostro e estimulava para a descida do leite. À noite, compramos uma lata de Nan, pois não sabíamos se o leite que a A.P. deixou seria suficiente. E realmente precisamos oferecer uns 30ml.

Não estabelecemos horários. Oferecia meu peito e só entrava com o complemento quando percebia que meu bebê estava com fome, sempre com a sonda.

Na terça-feira a A.P. trouxe mais 140ml de leite e ainda precisamos complementar com Nan. Verificamos que a quantidade de colostro aumentara um pouco e parecia começar a mudar de cor. O Arthur não me deixava dormir, ficava no peito o tempo todo, ou no colostro somente ou na translactação. Eu estava muito cansada. A M. sugeriu que meu marido ficasse com ele por algumas horas para eu dormir e oferecesse complemento no copinho ou colherinha. Eu confesso que resisti à idéia, pois pelo menos o complemento estava sendo dado nas mamadas. Estava muito triste, cansada, chorando bastante e sabia que isso não ajudava a descida do leite, mas não me conformava em não conseguir alimentar meu filho.

Na quarta-feira por volta das 6h da manhã, com o Arthur chorando de fome enquanto eu oferecia o peito, depois de mais uma noite toda praticamente sem dormir, me rendi. O papai foi cuidar dele e eu fiquei dormindo. Meu marido ofereceu Nan de colherinha, mas conseguiu dar apenas uns 15ml, pois disse que ficou morrendo de dó de alimentá-lo daquele jeito. Quando voltou a querer mamar, me trouxe e eu ofereci o peito, como de costume, pois o complemento era oferecido apenas quando chorava de fome durante as mamadas. Ficou nesses 15ml de Nan e no meu peito até à tarde, quando a A.P. chegou dizendo que derrubou os potinhos com o leite que me traria. Mas então o colostro já estava mesmo era com cara de leite, sem pojadura, bem discreto, meu leite apareceu.

A partir de então não precisei dar mais complemento, meu leite aumentou e está sendo suficiente, apesar de não ser abundante. Entre quarta e sexta-feira ele engordou 60gr.

(…)

Não é fácil ver seu filho chorando de fome, precisar complementar, mas bastou uma boa orientação, apoio e perseverança que consegui. Ouvi de muita gente que isso é normal, que se não desse certo, eu devia dar mamadeira e pronto. E inúmeros exemplos de mulheres que não tiveram leite. Esses comentários me entristeciam, pois eu me sentia frágil e não precisava ouvir aquilo, mas sentia mesmo muita pena de saber quantas mulheres e bebês sequer tiveram a chance de tentar.

Por sorte faço parte dessa lista, cujos exemplos eu me lembrava para me encorajar, conheci pessoas maravilhosas como A.P., que sempre agradecerei pela dedicação e doação para eu conseguir amamentar. E não posso deixar de agradecer M. e P., sempre atenciosas e disponíveis, à minha mãe, que ficou ao meu lado e rezou muito por nós e principalmente ao Emiliano, que dividiu comigo cada mamada, cada choro, cada sorriso.

Dani Garbellini, mãe do Arthur

Comentários da Matrice

Essa é uma história de amamentação com início difícil, tão comum hoje em dia. Este relato foi escrito apenas dez dias após o nascimento do bebê. Para vocês verem como tudo é muito rápido na amamentação e ajudar a mãe a ganhar confiança na sua capacidade de amamentar é essencial para o sucesso da amamentação, mesmo quando nada dá errado!

Lembrem-se que:

– O colostro é uma mistura valiosíssima de anticorpos e nutrientes, que é produzida pela mãe em pequenas quantidades, mas suficiente para a criança em seus primeiros dias.

– a chegada do leite pode ser um processo menos definido do que as palavras levam a crer. Existe leite no colostro e o colostro continua existindo no leite por pelo menos mais alguns dias. A tão esperada “descida” do leite pode variar de mãe para mãe. Para algumas mães em dois dias o leite já desceu, para outras pode levar quase uma semana. Não existe um prazo exato para a descida deste leite, portanto relaxe e ponha seu bebê para mamar!!!

– a necessidade da mãe de ver sinais de sucesso: pojadura, bebê saciado e ganhando peso está diretamente relacionada à sua capacidade de relaxar, já que a tensão é muito prejudicial. Àqueles que se dedicam a ajudar uma mãe a amamentar, mais um lembrete: é essencial ela acreditar em seu provável sucesso!

O que vocês acham foi determinante no sucesso desta mãe?

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Faltam 29 dias…

julho 3, 2008

Max nasceu à noite, depois de um dia quente e seco, anunciando a chegada da primavera. Assim que nasceu, veio para meus braços e o aninhei junto ao seio para que pudesse mamar. Mas ele não quis. Chorou a plenos pulmões, forte, com toda sua energia. Pegou no seio só depois de ser medido e pesado, quando voltou “embrulhado”. Dormiu muito rapidamente, nem senti direito o que era um bebê mamando. Chorou várias vezes naquela noite e parecia que não mamava muito bem. Na manhã seguinte, o pediatra o examinou e recomendou que eu lhe desse leite materno, tirado na hora, em copinho. Confesso que fiquei preocupada e me senti incompetente naquele momento.

Naquela tarde, eu ainda exausta em função do parto longo, adormeci profundamente. Max ficou com o pai, e novamente, chorou muito. Eu já tinha oferecido o seio várias vezes, mas algo não ia bem. Parecia que não conseguia mamar. Devia estar com fome. Ao acordar, liguei para a Taís, que tinha feito yoga comigo quando éramos gestantes e que estava com sua filha com dois meses. Éramos colegas, não exatamente amigas, mas ela morava perto e foi a primeira pessoa de quem lembrei. Ela veio para minha casa prontamente, com sua Aninha a tiracolo e presentes: chá para estimular a produção de leite, conchas de amamentação, pomada para rachadura nos seios. Tirou leite na hora e o demos ao Max com um copinho de pinga. À noite, Max abocanhou meu seio com força. Eu, mãe de primeira viagem, senti aquela “pegada” pela primeira vez… A sensação foi indescritível…

E assim se passaram dois ou três dias, Max mamando colostro. Meu leite não descia e ele teve uma crise de hipoglicemia, nos passando um susto com uma febre de 39o. O “remédio” – milagroso – era mais leite da
Taís! Recebemos alguns frascos com seu leite congelado.

No sexto dia de colostro, o pediatra recomendou que eu tomasse um medicamento para ajudar na produção de leite – que nem cheguei a tomar – e me ensinou a fazer a relactação. Na primeira vez que fui utilizar
o relactador, o leite desceu, abundante. Tirei uma foto usando o relactador, sem perceber que o leite que saía do outro peito molhava minha camisa.

Passado algum tempo daqueles primeiros dias, Taís me contou que depois teve a idéia de que podíamos ter “trocado” os bebês: Aninha mamando em mim, para estimular a produção de leite, Max mamando nela, direto “da fonte”. Fiquei muito comovida com o carinho…

E foi assim que entrei no magnífico mundo da amamentação. Max mamou exclusivamente até quase sete meses, sem grandes percalços. Sempre achei muito impressionante o poder do leite materno, transformado em dobrinhas nas coxas, furinhos nas mãos e em proteção imunológica ao meu filho. Em uma viagem, todos pegamos uma virose gastrointestinal e Max foi o que melhor e mais rápido se recuperou.

Hoje ele está com nove meses, já come, mas ainda mama muito, em livre demanda, como sempre foi… Mamar representa mais que alimento, é também aconchego. Meu corpo já se adaptou à diminuição da necessidade de leite, os peitos não enchem mais a ponto de ficar doloridos quando vou trabalhar, o que me traz uma nostalgia dos tempos em que precisava de concha, por que vazava leite entre as mamadas. Lembro com muita ternura dos primeiros dias. Daquele pequeno recém-nascido restou a lembrança eternizada em fotos e a amizade que surgiu com a Taís

Irene, mãe do Max

Comentário Matrice:

Por mais que a amamentação cruzada (por alguém que não seja a mãe) apresente riscos para o bb, naquele frasco de leite da Taís, Irene e Max receberam mais do que alimento. Taís passou para Irene a compreensão de quanto a amamentação é importante!