Posts Tagged ‘amamentação prolongada’

4º dia de SMAM

agosto 4, 2008


Minha História de Amamentação

 Quando a Anna Elisa nasceu, eu queria chegar nos seis meses de amamentação. Era o meu objetivo, qualquer coisa além disso seria lucro. E apesar de ainda saber que aqueles seis meses exclusivos eram super importantes, hoje sei que nossa relação de amamentação vai muito além. Com minha primeira filha, Emily, nasceu, eu queria amamentar, mas não tive nenhum apoio para isso. Depois de passar por uma cesárea, voltei a trabalhar após 18 dias. Ela ia comigo, mas todos tinham palpites, e o ritmo da minha vida, sozinha, fez com que eu desistisse muito facilmente. Introduzi leite artificial em algumas mamadas, nem passava pela minha cabeça que poderia tirar leite e deixar para ela. E quando a médica mandou tomar um remédio para uma infecção, mas que teria que parar de amamentar, parei. Simples assim, quando ela tinha 3 meses. Me arrependi muito e senti falta depois, mas era tarde demais. Depois, adotamos os gêmeos, mas com 9 meses imaginei que não mamariam mais, então nem tentei. E aí veio a Anna Elisa. E eu queria que tudo fosse diferente. Um parto normal, amamentar até os seis meses, consegui estas coisas. Mas só porque tive muito apoio.

Desde o nascimento, a Elisa ganhava peso muito lentamente. Chegamos a voltar uma vez na pediatra que havia acompanhado os outros filhos, e ela já falava em pesagens semanais e introdução de complemento de leite artificial. Não pensei duas vezes, e não voltamos mais. Ficamos com o pediatra que acompanhou o parto. E ele sempre levou com muita calma esta questão dela ganhar pouco, ser sempre magrinha, mesmo ao prolongarmos a amamentação exclusiva até os nove meses. Pois apesar disso, estava ativa e esperta. Mas outra coisa fundamental, e que mudou minha visão de amamentar para sempre, foram as reuniões da Matrice a cada sexta-feira. Nem me lembro extamente quando comecei a ir, apenas que era quando a Elisa era bem pequena ainda. E através das outras mães, dos relatos, do apoio para desencanar quanto ao peso, meu objetivo mudou. Passou a ser um objetivo de que ela mamasse exclusivamente até os seis meses pelo menos, mas que continuasse mamando por MUITO tempo ainda. Hoje ela tem 1 ano e 2 meses, e espero que ainda nem tenhamos chegado à metade do caminho. Antes, falar de criança de 3 anos mamando era algo que eu achava muito estranho, hoje vejo como algo totalmente natural bem além disso.

Mas as reuniões tiveram também outro efeito muito bom: mal me lembro de problemas. Sei que tive coisinhas… tive algumas vezes umas inflamações que eu fiquei sem dar um peito por um dia e tinha que mudar de posição até achar um jeitinho certinho pra não doer. A Elisa me deu umas mordidas que machucaram na época (isso é outra coisa: sempre tive medo de amamentar uma vez que a Elisa tivesse dentes, mas não é uma coisa tão difícil, dá pra conversar e resolver). Mas tudo isso era pouco em comparação ao prazer de amamentar. Minha família, tipicamente americana, acha que a amamentação é estranha, e que a Elisa já passou da idade, etc. Agora não ligo tanto, mas antigamente eu ficava meio sem saber o que falar, como agir. Apesar de não concordarem, respeitam na maior parte do tempo, e respeitaram a amamentação exclusiva.

Fora as dificuldades de peso, há ainda mais uma historinha nossa: um dos meus gêmeos, o Lucas, que tinha 1 ano e 7 meses quando a Elisa nasceu, depois de um tempo, começou a pedir pra mamar. Ás vezes dois, três dias seguidos, às vezes mais de uma vez no dia, às vezes com intervalos de duas semanas ou mais. Mas ele, no ritmo dele, ainda mama.

Heather mãe da Emily, Lucas, Logan e da Elisa

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Faltam 14 dias…

julho 18, 2008

Apoio à amamentação

 

Cada vez mais acredito que o melhor apoio que podemos ter é o apoio intrínseco, fortalecendo nossas convicções e opções por amamentar. Desta forma, apesar do incômodo, a falta de apoio alheio não modifica suas ações. Amamentei meu primeiro filho por nove meses baseado nas informações limitadas que eu tinha na época. Eu estava vulnerável ao que os outros acreditavam e me ensinaram.

Hoje, grávida de 8 meses, continuo amamentando minha segunda filha que completou dois anos em maio. E amamento, com ou sem apoio, pois ampliei minhas informações e sensibilizei minhas percepções sobre amamentação. 

Mas não nego que o apoio trás um conforto e uma sensação de ter aliados para seguir a luta.

Recentemente em uma viagem profissional a uma cidade pequena da Itália, senti isso na pele. Cada vez que amamentava minha filha em público, me sentia alvo de olhares de reprovação, nem por isso pensei em não amamentá-la mais, porém pensei em evitar aqueles olhares. Mas, antes de me esconder para amamentar, uma mulher se aproximou de mim após o término da amamentação e me disse cheia de alegria “Você está de parabéns, essa é coisa certa!!!!”

Esse apoio simples e inesperado foi o empurrãozinho que me fez seguir amamentando em público, não me sentindo mais incomodada com os olhares alheios!

Ana, na foto com Franciska

Faltam 16 dias…

julho 16, 2008

 

Ele nasceu no reveillon, com 2.900 kg. Eu não o tinha visto nascer, apesar de ter lutado com ele pelo seu nascimento. Foi extraído, aspirado, separado de mim e observado por 3 horas. Quando chegou pra eu conhecê-lo, era um pacote quentinho e miúdo, um serzinho com quem eu teria que formar vínculo, aprender a amar, e não tinha outro modo senão cuidando e amamentado muito!

Chegamos em casa depois de 2 dias e eu já sentia a pega errada dele, os mamilos sensíveis durante a mamada. Fiz tudo o que as pessoas da família me diziam para tentar aliviar a dor; a intenção era boa mas não tinha resultado.

Somado à dor estava a freqüência das mamadas, a perda de peso no primeiro mês, o cansaço e a insegurança da mãe recente, fui pedir apoio ao pediatra. Ao invés de incentivo, saí do consultório com uma receita de fórmula infantil e um pedido de exame de urina…

Comprei a fórmula por insistência do marido e fiz o exame: Breno estava mesmo com infecção urinária, pesava então 2,6 kg. Comecei a complementar as mamadas com o leite de vaca através de uma sonda ligada ao mamilo, ele tomou antibiótico, meu peito estava quase sarando.

Quando acabou a primeira lata de leite eu decidi que não iria comprar outra e que não iria pedir a opinião do pediatra; busquei informação nos sites de apoio à amamentação exclusiva e escrevi para as amigas Pati Merlin e Socorro Moreira.

Pata tinha um bebê 23 dias mais velho que meu Breno, e na mesma hora que escrevi ela me pediu meu telefone. Me ligou dizendo logo assim “você acredita no seu leite? Acredita que ele é forte e capaz de nutrir seu filho?” Era tudo o que eu precisava ouvir!

Com as dicas dela e da Socorro passei a complementar as mamadas com meu próprio leite ordenhado, passava também nos mamilos após cada mamada. Parei de me preocupar com o intervalo das mamadas e passei a amamentar em livre demanda, de dia e de noite, deixando Breno dormir comigo na cama. Em um mês ele engordou 1.2 kg, ganhou dobrinhas, estava se desenvolvendo muito bem! Hoje sei que o biotipo dele é mais “mignon”, por isso o ganho de peso dele nem sempre era o esperado, mas andou cedo, falou cedo, é muito inteligente e come de tudo!

Esse foi o início de um período de amamentação que durou mais de 3 anos, se não fosse o apoio das amigas e sites certamente não teria sido tão bem sucedido.

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Alice nasceu num parto na água que fechou muitas feridas de uma cesárea anterior. Na ocasião eu ainda amamentava o mais velho, Breno, que mamou boa parte da gestação também.

Eu acreditava que não teria problemas na amamentação por já estar amamentando há mais de 2 anos, já estar com os mamilos “calejados” e ter experiência, mas me enganei. Em poucos dias os mamilos e auréolas onde ela pegava feriram, chegaram a sangrar. Eu na época já sabia que não devia fazer o que fiz quando Breno começou a mamar, então nada de bico de silicone, casca de frutas, limpeza dos seios antes de amamentar.

Eu queria e sabia que podia amamentar exclusivamente ao seio, porém a dor era grande, eu já tinha minhas tarefas, tinha que cuidar de dois, não tive forças e recorri ao leite de vaca. Minha idéia era dar a fórmula uma ou outra mamada até os seios sararem, mas num certo dia ela chegou a ficar sem leite de mãe por 24 horas inteiras… Nesse dia pedi ao Breno e ele esvaziou os dois seios que estavam lotados, escrevi pras listas, sem vergonha de pedir ajuda, e pra Pata e Socorro de novo!

Dessa vez quem me ligou foi Socorro, que estava com seu filhote mamando exclusivamente, e recebi as dicas certas pra cicatrização e correção da pega. Mensagens de apoio vieram de vários cantos, e novamente usei uma lata de fórmula e pronto, estabelecemos a amamentação exclusiva que foi até quase 8 meses! Ela era uma bolinha, risonha e esperta, e tive muito orgulho de responder sempre que comentavam sobre as dobrinhas dela “é puro leite de mãe!”.

Ela está com 2 anos e 3 meses, ainda mama pra dormir (eu combinei isso com ela há 4 meses) e também se alimenta muito bem, nunca teve uma gripe forte, assim como o irmão.

Minhas experiências de amamentação apesar de tudo foram muito positivas, sou muito grata pelo apoio que recebi, e isso foi a inspiração para eu e Pata fazermos um blog de apoio para outras mães que desejam amamentar!

Rebeca, mãe de Breno e Alice