Posts Tagged ‘bicos artificiais’

2º dia da SMAM

agosto 2, 2008

 

Sou mãe de duas lindas menininhas, gêmeas nascidas de um parto normal cheio de poréns, bem diferente do nascimento imaginado e idealizado para elas durante a gravidez.

 

Ainda assim, o momento em que minhas pimentas vieram para o meu colo e, com suas boquinhas pequeninas e famintas, abocanharam meus seios, uma de cada lado, todo o resto parecia ter desaparecido. Nós estávamos ali, nós nos bastávamos, e ainda que o resto do mundo desaparecesse, nós daríamos conta, porque tínhamos uma à outra, e isso era tudo o que precisávamos. Essa sensação é poderosa, e até hoje sua lembrança me toca e emociona.

 

Mas não, não foi tudo um mar de rosas. Logo vieram as dificuldades. A Estrela, minha pimenta-caçula, tinha dificuldades com a pega, irritava-se ao perder o bico, e quanto mais irritada ficava, mais dificuldade tinha. Fazê-la mamar por míseros cinco minutos era uma verdadeira luta. Mas eu insistia, muitas vezes chorando de dor pelos mamilos fissurados, ou de cansaço pelas noites mal (ou nem isso) dormidas.

 

Com uma semana de vida das meninas, a sentença impiedosa do pediatra: “você nunca vai ter leite suficiente para as duas, elas não vão ganhar peso, pode desistir!!”. Eu, que esperava um ombro amigo para chorar as dificuldades, palavras de incentivo e orientação para superar os problemas, saí do consultório com uma receita de leite em pó debaixo do braço.

 

Mas se tem uma coisa que é verdadeiramente imbatível, é a minha teimosia. Consegue ser maior que a desinformação do pediatra, que a falta de apoio e de orientação adequada, que a ignorância generalizada sobre a amamentação, seu significado e importância. Eu me recusava a acreditar que a natureza fosse incoerente a ponto de dar a uma mulher o dom de parir dois bebês ao mesmo tempo sem dar-lhe também a capacidade da alimentá-los sem a ajuda de um complemento artificial. Afinal, não se paria gêmeos antes da invenção do leite em pó??

 

Em casa, a rotina era exaustiva: Ana Luz acordava, eu dava de mamar, tirava leite para armazenar, Estrela acordava, eu ficava o tempo que fosse necessário – e não era pouco – para acalmar, conversar, orientar, aconchegar, tentar fazer com que se sentisse tranqüila e segura para mamar sem irritação e ansiedade, depois da mamada no peito às vezes dava uma mamadeira de LM, ela dormia e eu ia ordenhar mais para a mamadeira seguinte, Ana Luz acordava e eu começava tudo de novo.

 

Apesar da ansiedade geral, compreensível e esperada, as pessoas queridas à minha volta tiveram sensibilidade suficiente para perceber o quanto a amamentação era importante para mim, e se esforçaram ao máximo para colaborar e ajudar no que pudessem. Não foram raras as vezes em que, amamentando uma em um seio, meu marido, minha mãe ou a enfermeira que nos ajudou nas noites do primeiro mês vinham com uma xicrinha de café recolher o leite que pingava do peito não mamado. Eu também tinha sempre um ombro para chorar nos momentos em que achava que não ia conseguir e estava a ponto de desistir, e isso fazia toda a diferença.

 

Apesar disso, eu costumo dizer que se consegui manter a amamentação, e se quando as meninas completaram um mês pudemos aposentar definitivamente as mamadeiras e abandonar o hábito de ordenhar LM após cada mamada, foi porque entre milhares de outras coisas, eu sou uma pessoa extremamente cabeça-dura. Quando coloco alguma coisa na cabeça, ninguém tira. Isso, pro bem e pro mal. Nesse caso, foi pro bem.

 

Digo isso, porque quando olho para trás me dou conta que a força maior para persistir na amamentação não veio de fora, mas de dentro. Era meu instinto materno que falava mais alto, um sentimento que não se explica, uma vozinha que brotava no mais fundo do peito e me repetia que meu corpo era perfeito, e que minhas filhas não precisavam de nada mais além da minha força para acreditar, seguir em frente e não desistir.

 

Hoje, minhas pimentas têm 3 anos. Mamaram exclusivamente até o sexto mês, e mamam até hoje. Ao longo do tempo, foram espaçando naturalmente as mamadas, num movimento sutil, natural e absolutamente tranqüilo. Acredito que caminham para um desmame natural e sem traumas, o que me deixa muito feliz, porque a amamentação foi desde sempre um laço muito forte e especial entre nós, e nunca me agradou a idéia de cortar esse laço de forma brusca ou traumática para qualquer um dos lados.

 

Quando olho para nossa estória de amamentação, penso que minhas pequenas me ensinaram muito. A não desistir do que é importante, a confiar em mim, a acreditar que para superar as dificuldades não preciso de mais nada a não ser minha própria força de vontade. Elas me ensinaram que doar-se nem sempre é fácil, mas vale a pena. Com elas aprendi que as coisas mais importantes da vida exigem esforço, dedicação, mas acima de tudo, uma dose extra de delicadeza e amor. E que quando se faz o que se acredita de coração aberto, de um jeito de outro, as coisas se ajeitam.

 

A amamentação foi importante para as minhas filhas, sem dúvida. Mas foi mais importante ainda para mim. Porque me fez crescer, amadurecer, melhorar. Amamentar, para mim, foi muito mais do que dar o peito, dar o leite. Foi dar o melhor de mim, sem restrições. Um melhor que eu nem mesmo sabia que tinha. Mas que foi sendo descoberto, poeticamente, a cada mamada, a cada mãozinha me segurando o seio, a cada olharzinho repleto de ternura e pureza entre uma sugada e outra, a cada sorrisinho maroto escorrendo leite pelo canto dos lábios.

 

Eu lhes dei o leite. Elas me deram a vida!!!

 

Renata Penna, mãe de Ana Luz e Estrela
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Falta um dia apenas!!!!!

julho 31, 2008

Gabriel nasceu prematuro, de 33 semanas. Nasceu muito bem de saúde, quem teve problemas fui eu. Começou tomando Nan em sonda e depois no copinho durante sua internação na semi-intensiva, pois eu estava na UTI e não podia amamentá-lo. Logo que tive alta, foi prescrita a ele a amamentação não nutritiva para aprender a sugar e quando ele mesmo teve alta, 15 dias depois, estava no aleitamento materno exclusivo! Nossa primeira vitória!

Mas foi em casa que as coisas começaram a não sair como programado!

Do primeiro para o segundo mês meus mamilos estavam doendo muito. Mas todos falavam “é assim mesmo, logo pára de doer…

Só que Gabriel não tinha uma boa pega (hoje eu sei disso) e continuei com a amamentação exclusiva que para mim, não era um prazer como tantas falavam! Do segundo para o terceiro mês passei umas das fases mais difíceis da minha vida. Sentia muita dor pra amamentar o Gabriel e toda vez que ele chorava de fome, eu chorava porque já sabia a dor que eu ia sentir!

Ele mamava de 2h em 2h e gostava de dormir no peito, e muitas vezes ficava meia-hora, 40, até 50 minutos sem largar o peito e eu achava que tinha que deixar, que ele estava mamando…

Leite Nan, mamadeira ou chupeta não tinham feito parte do enxoval dele e nunca na minha vida pensei que teria que usá-los! Mas cheguei ao meu limite…

Meu sonho era entrar em trabalho de parto… ter um parto o mais natural possível… e amamentar exclusivamente até o sexto mês…

Mas depois de, no sétimo mês de gestação, ter que fazer uma cesárea de emergência e  “perder” os momentos mais desejados da minha vida, a vontade de amamentar o Gabriel ficou infinitamente maior! Para mim, era o resgate do vínculo que tinha perdido no momento do nascimento dele, já que quando foi tirado de dentro de mim não veio parar de chorar pertinho do meu rosto… não veio para o meu colo receber meu calor… não veio mamar no meio seio… não veio comigo para casa…

Meu emocional estava muito abalado! Eu chorava da dor física e da dor de ver meu bb desejar tanto ficar no meu seio e eu não agüentar e não poder deixar! Pra acalmá-lo comprei uma chupeta. E chorando dei pra ele…

Procurei ajuda nos bancos de leite, com enfermeiras, pediatras e uma fonoaudióloga. Mas não sei porque não consegui que me ajudassem! Até que não suportando mais as dores de rachaduras profundas, fissuras, bolhas e os mamilos sem a pele, comprei uma mamadeira e uma lata de Nan…foram 3 dias só de mamadeira, sem o peito pra que começasse o processo de cicatrização. Tive que fazer isso, senão teria desmamado Gabriel.

Foram 40 dias de mamadeira junto com o peito e o Nan, quando não conseguia ordenhar o suficiente pra uma mamada.

Mesmo dando mamadeira, conseguia pôr ele no peito quando não doía tanto…e as feridas foram sarando! Nunca deixei de pensar no meu objetivo: voltar a amamentação exclusiva!

Quando Gabriel estava com 3 meses e 17 dias voltamos à amamentação exclusiva! Nem acreditei! Meu mamilos só doíam um pouco durante a mamada, mas já não ficavam mais machucados! Eu tentava arrumar a pega do Biel o mais que podia, mas o danadinho não queria saber de abrir a boca!

Um mês e meio depois ainda continuava só no peito, mamando muito, graças a deus! A pediatra ainda prescreveu a introdução da alimentação aos 4 meseso quê? Depois de tanto sacrifício terminar assim a amamentação exclusiva? De jeito nenhum! Comecei com as frutas quando ele completou exatamente 5 meses, 1 semana antes de eu voltar a trabalhar!  Não tinha condições de estocar leite pra continuar o aleitamento exclusivo até o sexto mês, mas depois de tudo que passamos, me sinto realizada do jeito que tudo aconteceu!

Hoje Gabriel com 1 ano e 5 meses ainda mama no peito e só tenho a agradecer meu marido, minha família, que muito me incentivou, me apoiou nos momentos mais difíceis de decisões, de dores, de amor…

E as meninas da lista bestbaby, que participaram ativamente de todo o processo, e que apesar de estarem longe fisicamente, foram muito mais presentes, estiveram muito mais ao meu lado, desejaram com todas as forças que eu não desistisse de amamentar muito mais do que qualquer profissional que tive contato aqui em Campinas!

Vanessa Lopes, 34 anos, enfermeira, mãe feliz do Gabriel

Faltam 22 dias…

julho 10, 2008

Relato de amamentação continuada e desmame natural – Como foi o desmame natural do Lucas

Lucas mamou por 3 anos e 9 meses. UAU, algumas pessoas diriam, né? Ao contrário dessa impressão de que pareceu tanto tempo, para nós nem parece tanto tempo, foi tudo tão natural, prazeiroso e importante em nossa família enquanto durou.

Nosso início foi difícil, angustiante, mas recebemos muito apoio e orientações ótimas que possibilitaram que eu pudesse amamentar. Resumidamente, como passei por uma mamoplastia anos atrás, não sabia se poderia amamentar ou não e, desde a gravidez, essa angústia me acompanhava. No nascimento de Lucas, consultoras de amamentação da La Leche League me orientaram a usar a técnica de relactação com uso de sonda para oferecer um pouco de leite artificial para Lucas, sem perder o estímulo poderoso do bebê sugando no peito e sem usar mamadeira. Ao mesmo tempo também comecei a extrair LM com auxílio de bomba elétrica 2-3 vezes ao dia, todos os dias.

Depois de alguns dias usando esse sistema de relactação fui capaz de continuar amamentando normalmente, quase 7 meses exclusivamente de LM (tirando esses dias iniciais), e gradualmente papinhas foram oferecidas. Mas continuou mamando em livre demanda.

Com 10 meses começou a ir para escolinha, 2 dias por semana, e eu mandava LM extraído e ele tomava lá no copinho. Sempre tiveram muito cuidado, boa vontade e disposição das professoras com esse LM. E continuavamos em livre demanda em casa. Ainda me lembro que nessa época fiquei bem doente, uma infecção estomacal que me fez perder peso de repente. E meu leite praticamente secou de um dia outro! Mas Lucas continuou interessado e mamava mesmo no peito “seco”. Isso mostra que obviamente amamentação é muito mais que nutrição, é afeto, carinho. Fiquei muito triste achando que esse seria o final de nossa amamentação, mas quando me recuperei o leite voltou a jorrar!!!

Com 14 meses voltei a trabalhar período integral e então ele começou a frequentar a escolinha todos os dias. Eu ainda ia todos os dias na hora de almoço amamentá-lo lá (as portas sempre foram abertas para pais e mães em qualquer horário do dia e amamentar os bebês também sempre foi prática muito bem-vinda lá!). No início desse período de escolinha tempo integral ele me recebia bem e mamava com vontade, mas depois de algum tempo as brincadeiras, amiguinhos e novidades na escola foram parecendo mais interessantes à ele do que mamar… e assim foi perdendo o interesse e recusando essa mamada. Ainda insisti alguns dias visitando a escola nesse horário para ter certeza que ele não queria mesmo mais mamar nessa hora do almoço, e um belo dia tive certeza que ele definitivamente não estava mais interessado. E assim voltei ao trabalho, com sentimentos confusos, de alegria (porque meu menino estava crescendo e mostrando outros interesses!) ao mesmo um pouco de tristeza pelo desinteresse.

Mas essa tristeza não durou muito não, porque ainda tínhamos várias chances de amamentar, pela manhã, antes de dormir, e nos finais de semana. Mesmo amamentando em livre demanda nos finais de semana, sentia os peitos um pouco mais cheios nas segundas-feiras, mas nada que causasse incômodo grande.

E assim fomos seguindo nossa vidinha e outros interesses foram tomando conta da nossa relação, outras formas de demonstração de carinho e amor, e gradualmente, sem forçar nada, ele foi deixando de mamar: as mamadas ao acordar foram as primeiras a desaparecerem, já que ele estava muito “ocupado” e queria brincar! Ainda ficaram algumas mamadas em horas de angústia, dor, e principalmente quando estava doentinho, o que com certeza foi ótimo, sempre digo que uma das maiores vantagens da amamentação prolongada é garantir a nutrição e hidratação da criança durante doenças.

Por último sumiram as mamadas antes de dormir, creio eu que eram parte do ritual de sono e por isso demoraram mais para que esse interesse fosse perdido. Papai foi sempre participativo na vida dele e sempre nos apoiava muito nessa decisão do desmame gradual e natural! Ele e Lucas são muito apegados!

Bem, chegamos à uma fase onde ele estava pedindo para mamar uma vez a cada 2-3 dias somente. Sabia que o desmame total estava perto!

Um belo dia fiz um teste de gravidez e, que alegria, positivo!! Na hora falei para Lucas que tinha um irmãozinho/a na barriga, ele não deu muito bola não (agora dá mais haha) e seguimos a vida. Ainda pediu para mamar algumas vezes depois desse dia, até que certo dia eu, me sentindo um pouco triste, ofereci à ele. Ele veio para perto de mim, deu beijo no meu peito por cima da roupa e disse: não quero mais não, mamãe, obrigado!!

E então seguimos nossa vida, felizes, sinto-me muito realizada por ele ter guiado todo esse processo.

Sua irmãzinha, Isabella, nasceu dia 10 de outubro de 2007, num lindo parto domiciliar na água. Veio para o peito momentos após seu nascimento. Mamou exclusivamente por 6 meses e continua a adorar mamar em livre demanda e a comer também comidinhas. Hoje está com quase 9 meses e seguiremos o mesmo caminho de amamentação que foi com seu irmão.

Beijos a todos

Andréia, Ole, Lucas e Isabella

Faltam 25 dias… Uma semana de relatos!

julho 7, 2008

 

Quando a bebê chegou no quarto, foi colocada no meu colo e tchau. Começou uma avalanche de dúvidas básicas dentro da minha cabeça, lá no quarto particular, com enfermeira pra ensinar e com apoio da família: será que é para amamentar agora? devo pedir licença pras visitas que vieram de tão longe? e agora, como eu faço pra abrir esse soutien segurando a bebê? tenho que segurar o pescoço dela… com a mão ou sobre o cotovelo? (e as pessoas: cuidado, ela está dobrada! cuidado, não-sei-o-quê!). Coloquei no bico e ela pegou, mas continuava chorando; chamei a enfermeira, que disse: “você tem que colocar a aréola inteira dentro da boca do bebê” (todos os manuais e pessoas sábias dizem isso; eu nunca consegui) por que eu não consigo? meu peito é muito grande e a boca dela muito pequena? (olhaí, deve haver quem não amamente por causa da relação “buco-peitoral” desfavorável!) aí engrenou mais ou menos, mas ela não parava de chorar; continuei insistindo. Bom, no geral, a instrução que eu tinha era: 15min de cada lado a cada mamada e 3 a 4 horas entre cada mamada. Começou a neura do relógio: agora são tantas horas, tenho que deixar mamar até tantas deste lado. Tensa, torta, preocupada com a saúde mental da bebê que havia nascido com Apgar 1 e olhos grudados no relógio.

No 2º dia começou a doer. Doer muito. Horrores. Vontade de chorar. Aí, a enfermeira do meu quarto particular chegou com um abajur para fazer banho de luz no seio; ótimo, por sinal, desde que a gente saiba o que está acontecendo! Desde que alguém explique! Daí, a maravilhosa enfermeira chegou ao maravilhoso quarto com uma mamadeira. Se eu soubesse tudo que sei hoje, mandaria pro espaço.

Mas eu não sabia, e deixei que ela desse pra que eu pudesse tomar banho de luz. Claro que não cicatrizou de uma mamada pra outra, e na tentativa seguinte esfolou tudo de novo. Eu: tensa, torta, preocupada com a saúde mental da bebê que havia nascido com Apgar 1 e que agora estava com icterícia. Com o peito completamente detonado, em carne-viva, eu olhava a desenvoltura de uma mãe americana que estava amamentando seu bebê na sala da luz para icterícia. Aí a enfermeira-que-ensina me deu um bico de silicone ao qual não me adaptei. Doía pra colocar e doía a mesma coisa quando ela tentava mamar. Me deram uma concha alemã muito maluca, que consistia de 2 peças, uma era um disco furado no meio o qual eu deveria atravessar com o meu bico; eu encaixava uma concha no perímetro externo desse disco de forma que o meu bico ficava lá dentro protegido do contato com a roupa, evitando atrito. Mas meu bico estava enorme e o disco ficava atritando do mesmo jeito…

Eu perguntava e ninguém me dizia, não sei porque, que era assim mesmo. Que doía mesmo! e ainda tinha a dor na epísio… Saí do hospital com os presentes: bico de silicone, concha alemã, mamadeira e um massageador para o rosto com o qual me ensinaram a massagear o seio e fazer vibrar os folículos das glândulas (muito legal mesmo). Em casa, meu peito ficou superinchado, imenso, imenso, o soutien 50 não servia mais. Tive febre. Fiz as massagens que me ensinaram com o massageador para rosto. Deixei água quente, pelando, caindo no peito. E NADA. O peito duro, dolorido, pesado. E a Beatrizinha chorando. Será que isto é a descida do leite? O que me disseram: “Seu leite empedrou”. Aí é que a Beatrizinha não conseguia mesmo mamar, porque o peito parecia uma bola de basquete, ela não conseguia encaixar a boquinha e eu me perguntava: será que ela acostumou com a mamadeira e não vai mamar nunca mais?

Eu chorava dia e noite, atormentada pelos mitos e frases feitas: empedrou, prefere a mamadeira, etc., até que um dia o pediatra se cansou de dizer a mesma coisa e disse: “se você não quer amamentar, dê leite em pó”. Fiquei ofendidíssima, mas foi nesse momento que eu percebi que não estava cumprindo a orientação dele: mal a menina encostava no bico eu já tirava, tão ansiosa que estava, achando que se não pegou e puxou e mamou em 2 segundos já não tinha dado certo. Foi quando deixei a criaturinha tentar com TODA a paciência, procurando a posição mais confortável e me concentrando nisso. Do nascimento ao estabilizar da amamentação, foi uma eternidade que durou 10 dias.

Na segunda e na terceira filhas, eu simplesmente pus o bebê pra sugar. Quando e quanto quiseram. Esfolou, doeu, chorei de dor durante algumas mamadas. Mas eu SABIA que ia passar, eu SABIA que só ia durar umas duas semanas.

Acredite, pra amamentar só precisa de bebê, peito e paciência. Saber que dói no começo ajuda muito, porque quando acontecer com você não vai ser uma surpresa. É como se alguém que já andou por aquele caminho tivesse te dado algumas dicas, e então você diz: “aqui tem muito espinho, mas logo adiante é um gramado lindo”.

Roselene, mãe de três meninas lindas!

 

26 dias…

julho 6, 2008

Meu pequeno nasceu no dia 5/10/05. No mesmo dia que nasceu eu o amamentei. Pra mim, amamentar foi um momento de glória, uma vitória.

No primeiro dia foi tudo lindo. Mas depois meu bico foi rachando. Eu não entendia porquê. Ele mamava direitinho, encaixado certinho, por que rachar? Mas rachou… milhares de pessoas recomendavam diversas pomadas. Passei todas que me falaram. Nada adiantou.

Quando meu bebê acordava eu começava a chorar pois sabia que começaria aquela dor de novo. Mas eu amamentava. Sentia dor? Sentia… Mas sentia também um orgulho de mim por estar proporcionando ao meu filho o alimento mais puro, mais saudável que ele poderia tomar naquele momento. Eu colocava um pano na boca e ia… firme e forte.

Depois de poucos dias o peito parou de sangrar mas ainda doía muito. Meu marido quis comprar mamadeira mas eu não deixei. Eu sabia que se ele comprasse, eu, em algum momento poderia dar pra trás. Continuei no peito. A dor era só na hora que ele pegava. Depois aliviava e o momento ficava mágico pra nós dois. Comecei a usar umas conchinhas e foi aí que meu peito melhorou de vez. Mas nisso já tinham passado quase 3 meses. O contato do bico com o leite cicatrizou de vez e eu pude amamentar com o prazer de só sentir a sintonia entre meu pequeno e eu. Nada de dorzinha na hora de pegar o bico.

A dor grande dos primeiros dias, a dor depois e a dorzinha do fim não me fizeram, em momento algum, pensar em desistir de alimentar meu filho com algo que era dele por direito.

Eu amava amamentar. Me sentia realizada, sentia que meu filho se realizava também. Até os 5 meses e 20 dias fomos cúmplices exclusivos desse momento tão lindo.

(…)

Nesses 11 meses de amamentação posso dizer que fui completa, me senti a mãe mais poderosa do mundo vendo meu filho crescendo com algo que saía de dentro de mim. Estou grávida de 14 semanas e com certeza meu bebê será amamentado com o mesmo amor e carinho como o Miguel foi. Eu sempre escutei aquela frase – “amamentar é um ato de amor” – mas só tive certeza disso depois que vivenciei esse momento.

Lívia Guimarães, mãe do Miguel