Posts Tagged ‘colostro’

Faltam 15 dias…

julho 17, 2008

Eloise, amamentado sua filha Alice, enconstada no pai, todos no Forte de Copacabana (dez/2007)

Alice nasceu em outubro de 2007, no tempo certo, e eu me preparei bastante pra chegada dela. Queria muito amamentar, fazer tudo como deveria ser feito. Fui orientada a dar apenas o leite materno até os 6 meses de vida, e então rejeitei todos os conselhos de amigos e avós que queriam dar chazinhos, chuquinhas de água, leitinhos para complementar.

Mas na primeira semana de vida a situação foi um pouco caótica. Ela perdeu peso enquanto meu leite não chegava com força, e seguia mamando só o colostro. No quarto dia de vida uma enfermeira foi na minha casa pra furar a orelha dela e eu falei que ela chorava muito. Ela me aconselhou a comprar uma lata de NAN porque certamente a menina estava “morrendo de fome” e “desidratada” e eu era uma péssima mãe que deixava um recém-nascido sofrer por falta de leite.

Meu marido e minha mãe me disseram pra comprar o NAN. Eu corri pro banheiro, chorei, respirei fundo, e resolvi que não ia fazer isso. Eu tinha sido avisada de que na primeira semana era mesmo um pouco difícil, mas quando a gente vê aquela coisinha miúda chorando sem parar, começa a querer ouvir tudo que estão dizendo, pra buscar solução de qualquer maneira.

Lembrei da minha amiga da MATRICE, e liguei pra ela.

– Fabíola, minha filha está passando fome, ela só tem colostro pra se alimentar!!!

Ela me acalmou, me disse que uma colher de chá de colostro sustenta o bebê por horas, e que ela ia chorar mesmo, mas não era por estar desnutrida. Me orientou também a ver se ela fazia xixi, porque seria um indício de hidratação adequada.

Eu continuei um pouco atrapalhada, mas aceitei a informação, é claro. No dia seguinte resolvi ligar pra Stephanie, uma francesa que ministra cursos para gestantes aqui no Rio. Eu tinha feito cursinho sobre amamentação com ela, antes da Alice nascer. 

Ela me falou a mesma coisa, “calma, você já sabia que a primeira semana seria difícil, tente se acalmar e espere mais um pouco, se você der leite de vaca pra ela agora pode prejudicar as funções intestinais, pode ficar mais difícil depois”. Marquei um horário para visitá-la, no dia seguinte, levando a Alice para conversarmos e para que ela visse como estava a neném. 

Mas já era o sexto dia. De madrugada senti meus seios endurecendo, enchendo, e de manhã quando tirei a concha para amamentar eu vi o liquido amarelado, um amarelo bem clarinho, era o meu precioso leitinho que estava chegando!!!

Agradeço muito a Fabíola e a Stephanie, as duas me tranquilizaram muito e a partir daquele dia não faltou mais o leite.

Depois daquilo ainda tive uns problemas com vômitos. Alice vomitava muito, me dava cada banho de leite!!! Se antes o leite era pouco, passou a ser muito.. Mas isso foi resolvido também, depois de 3 pediatras me dizendo que ela tinha que ser medicada, resolvi ligar novamente pra Stephanie e marquei com outro médico, que até hoje cuida da minha filha. Ele me explicou calmamente que o refluxo dela faz parte do desenvolvimento e que ela não precisava de remédio nenhum para resolver o problema.

Com dois meses de vida o problema sumiu, e até hoje ela mama muito bem, sem vomitar, sem passar fome, e já completa 9 meses no próximo dia 08 de julho!!

No meio do caminho tive umas ocorrências normais, e ainda liguei mais algumas vezes para a Fabíola, que sempre teve muita paciência pra me acalmar e explicar o que estava acontecendo, sem que eu sentisse necessidade de procurar algum médico pra isso. 

 

Eloise Barreto, mãe da Alice
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Faltam 27 dias…

julho 5, 2008

Arthur nasceu no dia 16, sexta-feira. Sua pega foi boa de imediato, porém, na segunda-feira, começou o problema da amamentação. Por sorte, M. (parteira) estava aqui numa consulta pós-parto quando o Arthur começou a chorar bastante. O leite não desceu e ela percebeu bem mais rápido que eu o motivo do choro e irritação com o peito: fome. Ela deu uma seringa de água glicosada com sonda no dedo e eu só fazia chorar. O Arthur se acalmou na hora. Comecei a tomar imediatamente motilium de 8 em 8 horas, preparo de semente de algodoeiro e chá da mamãe da Weleda aos montes.

Continuei oferecendo o peito e à tarde a A.P. (pediatra, amiga e mãe de um bebê de 6 meses) nos trouxe leitinho, acho que 80ml. Esse leite foi dado naquela tarde e depois à noite, através de sonda (translactação), assim ele também mamava meu colostro e estimulava para a descida do leite. À noite, compramos uma lata de Nan, pois não sabíamos se o leite que a A.P. deixou seria suficiente. E realmente precisamos oferecer uns 30ml.

Não estabelecemos horários. Oferecia meu peito e só entrava com o complemento quando percebia que meu bebê estava com fome, sempre com a sonda.

Na terça-feira a A.P. trouxe mais 140ml de leite e ainda precisamos complementar com Nan. Verificamos que a quantidade de colostro aumentara um pouco e parecia começar a mudar de cor. O Arthur não me deixava dormir, ficava no peito o tempo todo, ou no colostro somente ou na translactação. Eu estava muito cansada. A M. sugeriu que meu marido ficasse com ele por algumas horas para eu dormir e oferecesse complemento no copinho ou colherinha. Eu confesso que resisti à idéia, pois pelo menos o complemento estava sendo dado nas mamadas. Estava muito triste, cansada, chorando bastante e sabia que isso não ajudava a descida do leite, mas não me conformava em não conseguir alimentar meu filho.

Na quarta-feira por volta das 6h da manhã, com o Arthur chorando de fome enquanto eu oferecia o peito, depois de mais uma noite toda praticamente sem dormir, me rendi. O papai foi cuidar dele e eu fiquei dormindo. Meu marido ofereceu Nan de colherinha, mas conseguiu dar apenas uns 15ml, pois disse que ficou morrendo de dó de alimentá-lo daquele jeito. Quando voltou a querer mamar, me trouxe e eu ofereci o peito, como de costume, pois o complemento era oferecido apenas quando chorava de fome durante as mamadas. Ficou nesses 15ml de Nan e no meu peito até à tarde, quando a A.P. chegou dizendo que derrubou os potinhos com o leite que me traria. Mas então o colostro já estava mesmo era com cara de leite, sem pojadura, bem discreto, meu leite apareceu.

A partir de então não precisei dar mais complemento, meu leite aumentou e está sendo suficiente, apesar de não ser abundante. Entre quarta e sexta-feira ele engordou 60gr.

(…)

Não é fácil ver seu filho chorando de fome, precisar complementar, mas bastou uma boa orientação, apoio e perseverança que consegui. Ouvi de muita gente que isso é normal, que se não desse certo, eu devia dar mamadeira e pronto. E inúmeros exemplos de mulheres que não tiveram leite. Esses comentários me entristeciam, pois eu me sentia frágil e não precisava ouvir aquilo, mas sentia mesmo muita pena de saber quantas mulheres e bebês sequer tiveram a chance de tentar.

Por sorte faço parte dessa lista, cujos exemplos eu me lembrava para me encorajar, conheci pessoas maravilhosas como A.P., que sempre agradecerei pela dedicação e doação para eu conseguir amamentar. E não posso deixar de agradecer M. e P., sempre atenciosas e disponíveis, à minha mãe, que ficou ao meu lado e rezou muito por nós e principalmente ao Emiliano, que dividiu comigo cada mamada, cada choro, cada sorriso.

Dani Garbellini, mãe do Arthur

Comentários da Matrice

Essa é uma história de amamentação com início difícil, tão comum hoje em dia. Este relato foi escrito apenas dez dias após o nascimento do bebê. Para vocês verem como tudo é muito rápido na amamentação e ajudar a mãe a ganhar confiança na sua capacidade de amamentar é essencial para o sucesso da amamentação, mesmo quando nada dá errado!

Lembrem-se que:

– O colostro é uma mistura valiosíssima de anticorpos e nutrientes, que é produzida pela mãe em pequenas quantidades, mas suficiente para a criança em seus primeiros dias.

– a chegada do leite pode ser um processo menos definido do que as palavras levam a crer. Existe leite no colostro e o colostro continua existindo no leite por pelo menos mais alguns dias. A tão esperada “descida” do leite pode variar de mãe para mãe. Para algumas mães em dois dias o leite já desceu, para outras pode levar quase uma semana. Não existe um prazo exato para a descida deste leite, portanto relaxe e ponha seu bebê para mamar!!!

– a necessidade da mãe de ver sinais de sucesso: pojadura, bebê saciado e ganhando peso está diretamente relacionada à sua capacidade de relaxar, já que a tensão é muito prejudicial. Àqueles que se dedicam a ajudar uma mãe a amamentar, mais um lembrete: é essencial ela acreditar em seu provável sucesso!

O que vocês acham foi determinante no sucesso desta mãe?

Faltam 29 dias…

julho 3, 2008

Max nasceu à noite, depois de um dia quente e seco, anunciando a chegada da primavera. Assim que nasceu, veio para meus braços e o aninhei junto ao seio para que pudesse mamar. Mas ele não quis. Chorou a plenos pulmões, forte, com toda sua energia. Pegou no seio só depois de ser medido e pesado, quando voltou “embrulhado”. Dormiu muito rapidamente, nem senti direito o que era um bebê mamando. Chorou várias vezes naquela noite e parecia que não mamava muito bem. Na manhã seguinte, o pediatra o examinou e recomendou que eu lhe desse leite materno, tirado na hora, em copinho. Confesso que fiquei preocupada e me senti incompetente naquele momento.

Naquela tarde, eu ainda exausta em função do parto longo, adormeci profundamente. Max ficou com o pai, e novamente, chorou muito. Eu já tinha oferecido o seio várias vezes, mas algo não ia bem. Parecia que não conseguia mamar. Devia estar com fome. Ao acordar, liguei para a Taís, que tinha feito yoga comigo quando éramos gestantes e que estava com sua filha com dois meses. Éramos colegas, não exatamente amigas, mas ela morava perto e foi a primeira pessoa de quem lembrei. Ela veio para minha casa prontamente, com sua Aninha a tiracolo e presentes: chá para estimular a produção de leite, conchas de amamentação, pomada para rachadura nos seios. Tirou leite na hora e o demos ao Max com um copinho de pinga. À noite, Max abocanhou meu seio com força. Eu, mãe de primeira viagem, senti aquela “pegada” pela primeira vez… A sensação foi indescritível…

E assim se passaram dois ou três dias, Max mamando colostro. Meu leite não descia e ele teve uma crise de hipoglicemia, nos passando um susto com uma febre de 39o. O “remédio” – milagroso – era mais leite da
Taís! Recebemos alguns frascos com seu leite congelado.

No sexto dia de colostro, o pediatra recomendou que eu tomasse um medicamento para ajudar na produção de leite – que nem cheguei a tomar – e me ensinou a fazer a relactação. Na primeira vez que fui utilizar
o relactador, o leite desceu, abundante. Tirei uma foto usando o relactador, sem perceber que o leite que saía do outro peito molhava minha camisa.

Passado algum tempo daqueles primeiros dias, Taís me contou que depois teve a idéia de que podíamos ter “trocado” os bebês: Aninha mamando em mim, para estimular a produção de leite, Max mamando nela, direto “da fonte”. Fiquei muito comovida com o carinho…

E foi assim que entrei no magnífico mundo da amamentação. Max mamou exclusivamente até quase sete meses, sem grandes percalços. Sempre achei muito impressionante o poder do leite materno, transformado em dobrinhas nas coxas, furinhos nas mãos e em proteção imunológica ao meu filho. Em uma viagem, todos pegamos uma virose gastrointestinal e Max foi o que melhor e mais rápido se recuperou.

Hoje ele está com nove meses, já come, mas ainda mama muito, em livre demanda, como sempre foi… Mamar representa mais que alimento, é também aconchego. Meu corpo já se adaptou à diminuição da necessidade de leite, os peitos não enchem mais a ponto de ficar doloridos quando vou trabalhar, o que me traz uma nostalgia dos tempos em que precisava de concha, por que vazava leite entre as mamadas. Lembro com muita ternura dos primeiros dias. Daquele pequeno recém-nascido restou a lembrança eternizada em fotos e a amizade que surgiu com a Taís

Irene, mãe do Max

Comentário Matrice:

Por mais que a amamentação cruzada (por alguém que não seja a mãe) apresente riscos para o bb, naquele frasco de leite da Taís, Irene e Max receberam mais do que alimento. Taís passou para Irene a compreensão de quanto a amamentação é importante!