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Último dia da Semana…

agosto 10, 2008

Mesmo antes de engravidar, para mim duas coisas pareciam bastante óbvias e naturais: o parto normal era o melhor para mãe e bebê e a amamentação exclusiva era o melhor também para ambos. Só ao longo da gravidez é que eu fui entendendo que nenhuma das duas coisas eram tão óbvias assim hoje em dia.

A minha irmã tinha tido problemas no início da amamentação da minha sobrinha: seios rachados, pega incorreta. Lembro-me dela amamentar chorando de dor. Ela teve apoio, do projeto Casulo, lá em São José dos Campos, e amamentou a Juju até mais de um ano.

Como eu tinha medo das rachaduras, eu me preocupei com o que eu achava que era necessário para a preparação do seio: bucha vegetal, sol de vez em quando etc.

Por sorte, eu tive um parto normal e o Rodrigo veio mamar em seguida. Ele não pareceu se interessar muito, só ficava dando umas lambidinhas curiosas e me olhando com aqueles olhões que ele tem…

Optamos por alojamento conjunto, mas mesmo assim o Rodrigo – que nasceu às 10h da noite – só voltou pro quarto no outro dia, por volta das 6h da manhã. Todas as vezes que ele chorava, eu o pegava no colo e oferecia o peito. Mas como o meu seio é super plano, ele não encontrava o bico e ficava reclamando. Ou então, se uma enfermeira me ajudava a fazer uma “prega” para facilitar a pega, ele mamava um bocadinho e logo dormia de novo…

Na sexta-feira teve uma coisa engraçada, porque eu estava meio grogue de sono, cansaço e provavelmente da anestesia e entrou um pediatra novinho para me avisar que estava tudo bem com o Rodrigo e que ele tinha deixado uma receita de Nan caso fosse necessário. Eu não lembro direito do que respondi, mas acho que fui muito irônica porque ele ficou bem sem jeito, disse que era só por precaução e saiu rapidinho…

O Rô nasceu na quinta e o meu leite desceu com tudo mesmo no sábado à noite. Aliás, um show de horror esse sábado. A gente inventou de dar as primeiras vacinas ainda na maternidade e o Rê ficou febril da reação (que eles garantiram que não ia acontecer). Aí, os meus seios duros de leite, doendo muito, e o Rô não conseguia mamar…No meio de tudo isso, entra uma enfermeira me dizendo que o Rodrigo está febril porque eu fechei as janelas e o quarto estava abafado, e que ela vai levá-lo pro berçário para dar Nan senão ele vai desidratar! Nem é difícil imaginar o que aconteceu, né? Chorei um tempão, super preocupada e super chateada, vendo ele tomando Nan no copinho enquanto eu fazia compressas geladas para melhorar a dor no seio. Que raiva!

No outro dia, antes de eu sair do hospital, as enfermeiras me recomendaram comprar um intermediário de silicone, para facilitar a pega. Com medo de ver a amamentação ir por água abaixo, foi o que fiz. O Rodrigo parecia pegar melhor mesmo e eu via a boquinha dele cheia de leite.

Aí, primeira visita à pediatra e o menino tinha ganhado pouco peso. Mas a pediatra disse que tudo bem, que era normal, que eu não deveria me preocupar. Ela viu o Rô mamando, achou que a pega estava boa e tudo bem.

Só que o Rodrigo chorava muuuito, de dia e de noite. E quando mamava, ficava 40 minutos em cada peito.

Segunda visita à pediatra e ele continuava engordando pouco. Ainda bem que ela era tranquila, e me disse para não desistir, ficar tranquila, beber água e me livrar do intermediário. E aí entra um apoio fundamental: minha mãe, que tinha vindo passar uma semana comigo e com toda a paciência do mundo com minhas inseguranças e hormônios-descontrol me ajudou a acertar a pega. Resultado? Rodrigo passou a mamar em no máximo vinte minutos, dormia muito e começou a engordar num ritmo absurdo…

Esse foi o primeiro desafio. Depois vieram outros, como as crises com os períodos em que aumentava muito a demanda dele – porque ele estava em crise de crescimento, porque a rotina tinha mudado, porque ele me queria por perto… Algumas vezes eu quase desisti. E aí entra outro apoio fundamental, que foi a lista Materna. Na lista, encontrei principalmente “escuta” e respostas que me ajudavam a compreender melhor o que estava acontecendo, a pôr em perspectiva o momento de crise em relação a todo o processo de amamentação, enfim, a reencontrar tranquilidade para segurar a onda e decidir com mais informações.

Não tenho dúvidas de que esses apoios foram essenciais, tanto no início quanto depois, para possibilitar uma experiência tranquila de amamamentação. Hoje o Rodrigo está com 2 anos e 9 meses, e ainda mama de vez em quando.

5 º dia de SMAM

agosto 5, 2008


 

Sophia e eu nos encontramos ao ar livre pela primeira vez às 10 horas de uma manhã fria e chuvosa de agosto, em 2003. Os fatos que antecederam aquele momento não foram nada parecidos com os desejos acalentados durante toda a doce espera, já que passei por toda uma seqüência de intervenções impostas que resultaram numa cesárea malvinda. Minha bebê Sophia me foi mostrada por uns dois segundos, que foram suficientes para que ela calasse seu choro sentido e trocasse comigo um profundo olhar… seu cheiro ficou impregnado em minhas narinas dali para sempre. Nós só nos encontraríamos de novo doze horas depois, graças a uma intensa batalha para driblar os protocolos da instituição, que me negou qualquer contato com minha filha enquanto não me transferia para um leito vago!

Enfim, o momento esperado havia chegado. Ficaríamos dali para frente em alojamento conjunto, embora fôssemos quatro mulheres internadas naquela enfermaria e o espaço fosse muito pequeno para os berços. E, frustação sobre frustração, minha filha parecia absolutamente desinteressada em meu peito, chorava desconsolada. A auxiliar de enfermagem que a trouxe saiu da enfermaria com um olhar de reprovação, dizendo que voltaria depois para ver como estávamos nos entendendo. Algum tempo depois voltou e afirmou que eu não estava tentando o bastante! Ai, eu estava aberta ao meio, de corpo e alma, e ainda levava bronca… Estava também preocupada de atrapalhar o sono das companheiras de quarto, já era bem tarde. Acho que a auxiliar percebeu meu desconforto, e finalmente se compadeceu: “olha, descansa um pouco, vou levar o nenê para uma voltinha, daqui a pouco trago de volta”. Como ela demorava, resolvi ir atrás e… encontrei-a dando NAN para Sophia! Com muito jeito – eu tinha receio de me tratarem mal – disse a ela que isso não ia ajudar em nada o bebê, e levei-a de volta para o berço. Não é preciso dizer que a menina adormeceu profundamente, só acordando no início da manhã.

Aí, o “milagre” aconteceu. Entrou no quarto uma auxiliar com uma carinha de tia da gente, da família. Me perguntou como estava o aleitamento e eu chorei, contando tudo o que havia acontecido. Ela me confortou, e disse que isso não era nada, que minhas mamas eram lindas, estavam cheias de leite e tudo ia dar certo. Falava e olhava nos meus olhos como se me conhecesse de muito tempo. E aí disse uma coisa maravilhosa: “sua filha só precisa saber que VOCÊ é o conforto de todos os males dela, e eu vou te ajudar… põe um pezinho para fora do macacão, que eu vou bancar a bruxa feia”. Para minha surpresa, ela encostou uma gaze úmida na sola do pezinho, enquanto eu posicionava o bebê. Confesso que tive dó, mas o choro cessou imediatamente quando ela percebeu o peito próximo, abocanhou com tudo e certinho, mamando gostosa e longamente, de olhinhos virados. A moça me disse: “não se preocupe, nunca mais precisamos fazer uma maldade dessas com ela de novo, tadinha, agora ela sabe que pode contar com você, e que você é tudo de que ela precisa”.

Saímos do hospital no dia seguinte. Tive apenas uma leve escoriação num dos bicos, que rapidamente cicatrizou e descamou. Descobri muito rápido que sabia tudo de amamentar, bastava me deixar levar pelas necessidades que tínhamos de estar juntas, eu e minha filha. Amamentar com gosto e muito prazer foi o melhor dos remédios para a tristeza que tinha sentido pela cesárea indesejada, foi a melhor das curas. Ali percebi minha autonomia, minha capacidade de gerar vida, e retomei o protagonismo que havia perdido no momento do parto.

Quando levei minha filha ao pediatra, 40 dias depois (sim, demorei, não queria nenhuma interferência e estava completamente auto-confiante!), fiquei super-orgulhosa ao ver que ela havia ganho 2 quilos! Não pude manter no exclusivo por causa da volta ao trabalho, mas escolhi não introduzir nenhum outro leite, apenas outros alimentos. Levantava às 4 da manhã e ordenhava meu leite para congelar. Na creche, ensinei as cuidadoras a descongelar e oferecer, e conseguimos manter essa rotina até que ela completasse 10 meses.

Foi uma doce interpendência que se desenvolveu ao longo de 1 ano e meio, até que um dia a danadinha me disse que não queria mais meu peito. Fiquei bem órfã, mas também percebi que minha mocinha estava agora exercendo sua autonomia e suas escolhas.

Ela vai completar 5 anos durante a SMAN, e conheço poucas crianças tão expressivas em seus próprios sentimentos e tão confiante em si mesma. Outro dia, tomando banho juntas, ela acariciou minha cicatriz e disse: “tadinha da mamãe, não vou deixar nenhum médico cortar sua barriga mais, tá?”

Débora mãe da Sophia

2º dia da SMAM

agosto 2, 2008

 

Sou mãe de duas lindas menininhas, gêmeas nascidas de um parto normal cheio de poréns, bem diferente do nascimento imaginado e idealizado para elas durante a gravidez.

 

Ainda assim, o momento em que minhas pimentas vieram para o meu colo e, com suas boquinhas pequeninas e famintas, abocanharam meus seios, uma de cada lado, todo o resto parecia ter desaparecido. Nós estávamos ali, nós nos bastávamos, e ainda que o resto do mundo desaparecesse, nós daríamos conta, porque tínhamos uma à outra, e isso era tudo o que precisávamos. Essa sensação é poderosa, e até hoje sua lembrança me toca e emociona.

 

Mas não, não foi tudo um mar de rosas. Logo vieram as dificuldades. A Estrela, minha pimenta-caçula, tinha dificuldades com a pega, irritava-se ao perder o bico, e quanto mais irritada ficava, mais dificuldade tinha. Fazê-la mamar por míseros cinco minutos era uma verdadeira luta. Mas eu insistia, muitas vezes chorando de dor pelos mamilos fissurados, ou de cansaço pelas noites mal (ou nem isso) dormidas.

 

Com uma semana de vida das meninas, a sentença impiedosa do pediatra: “você nunca vai ter leite suficiente para as duas, elas não vão ganhar peso, pode desistir!!”. Eu, que esperava um ombro amigo para chorar as dificuldades, palavras de incentivo e orientação para superar os problemas, saí do consultório com uma receita de leite em pó debaixo do braço.

 

Mas se tem uma coisa que é verdadeiramente imbatível, é a minha teimosia. Consegue ser maior que a desinformação do pediatra, que a falta de apoio e de orientação adequada, que a ignorância generalizada sobre a amamentação, seu significado e importância. Eu me recusava a acreditar que a natureza fosse incoerente a ponto de dar a uma mulher o dom de parir dois bebês ao mesmo tempo sem dar-lhe também a capacidade da alimentá-los sem a ajuda de um complemento artificial. Afinal, não se paria gêmeos antes da invenção do leite em pó??

 

Em casa, a rotina era exaustiva: Ana Luz acordava, eu dava de mamar, tirava leite para armazenar, Estrela acordava, eu ficava o tempo que fosse necessário – e não era pouco – para acalmar, conversar, orientar, aconchegar, tentar fazer com que se sentisse tranqüila e segura para mamar sem irritação e ansiedade, depois da mamada no peito às vezes dava uma mamadeira de LM, ela dormia e eu ia ordenhar mais para a mamadeira seguinte, Ana Luz acordava e eu começava tudo de novo.

 

Apesar da ansiedade geral, compreensível e esperada, as pessoas queridas à minha volta tiveram sensibilidade suficiente para perceber o quanto a amamentação era importante para mim, e se esforçaram ao máximo para colaborar e ajudar no que pudessem. Não foram raras as vezes em que, amamentando uma em um seio, meu marido, minha mãe ou a enfermeira que nos ajudou nas noites do primeiro mês vinham com uma xicrinha de café recolher o leite que pingava do peito não mamado. Eu também tinha sempre um ombro para chorar nos momentos em que achava que não ia conseguir e estava a ponto de desistir, e isso fazia toda a diferença.

 

Apesar disso, eu costumo dizer que se consegui manter a amamentação, e se quando as meninas completaram um mês pudemos aposentar definitivamente as mamadeiras e abandonar o hábito de ordenhar LM após cada mamada, foi porque entre milhares de outras coisas, eu sou uma pessoa extremamente cabeça-dura. Quando coloco alguma coisa na cabeça, ninguém tira. Isso, pro bem e pro mal. Nesse caso, foi pro bem.

 

Digo isso, porque quando olho para trás me dou conta que a força maior para persistir na amamentação não veio de fora, mas de dentro. Era meu instinto materno que falava mais alto, um sentimento que não se explica, uma vozinha que brotava no mais fundo do peito e me repetia que meu corpo era perfeito, e que minhas filhas não precisavam de nada mais além da minha força para acreditar, seguir em frente e não desistir.

 

Hoje, minhas pimentas têm 3 anos. Mamaram exclusivamente até o sexto mês, e mamam até hoje. Ao longo do tempo, foram espaçando naturalmente as mamadas, num movimento sutil, natural e absolutamente tranqüilo. Acredito que caminham para um desmame natural e sem traumas, o que me deixa muito feliz, porque a amamentação foi desde sempre um laço muito forte e especial entre nós, e nunca me agradou a idéia de cortar esse laço de forma brusca ou traumática para qualquer um dos lados.

 

Quando olho para nossa estória de amamentação, penso que minhas pequenas me ensinaram muito. A não desistir do que é importante, a confiar em mim, a acreditar que para superar as dificuldades não preciso de mais nada a não ser minha própria força de vontade. Elas me ensinaram que doar-se nem sempre é fácil, mas vale a pena. Com elas aprendi que as coisas mais importantes da vida exigem esforço, dedicação, mas acima de tudo, uma dose extra de delicadeza e amor. E que quando se faz o que se acredita de coração aberto, de um jeito de outro, as coisas se ajeitam.

 

A amamentação foi importante para as minhas filhas, sem dúvida. Mas foi mais importante ainda para mim. Porque me fez crescer, amadurecer, melhorar. Amamentar, para mim, foi muito mais do que dar o peito, dar o leite. Foi dar o melhor de mim, sem restrições. Um melhor que eu nem mesmo sabia que tinha. Mas que foi sendo descoberto, poeticamente, a cada mamada, a cada mãozinha me segurando o seio, a cada olharzinho repleto de ternura e pureza entre uma sugada e outra, a cada sorrisinho maroto escorrendo leite pelo canto dos lábios.

 

Eu lhes dei o leite. Elas me deram a vida!!!

 

Renata Penna, mãe de Ana Luz e Estrela

É HOJE!!!

agosto 1, 2008


Caetano chegou junto com a primavera de 2007, 5h15 do dia 22 de setembro. O parto fora exaustivo e o sonho da amamentação nos primeiros momentos não se concretizou. Eu e meu gigantinho estávamos exaustos, com poucas forças e precisamos nos recompor para iniciar nossa relação de amor através do leite.

Mas não tardou tanto assim. Por volta de uma hora depois nos reencontramos, Caetano instintivamente abocanhou meu seio e ficamos ali, maravilhados com aquele contato. Tanto que nem notei que em certo momento ele largou o bico e passou a mamar na auréola esquerda, deslize imediatamente corrigido pelas parteiras da Casa de Parto que acompanhavam este momento com o intuito de auxiliar e incentivar o ato de amamentar.

Durante aquele sábado, amamentar foi uma delícia. Domingo percebi que ele era mais guloso que os outros bebês que nasciam naqueles momentos na Casa. Pedia muito o peito, tinha uma necessidade imensa de sugar e dormia muito pouco.

Por conta do peso de nascimento de Caetano, 4270k, ficamos por 3 dias na Casa de Parto quando o normal seria 24h. E foi na última noite que passamos lá, de segunda para terça-feira que a amamentação começou a ficar difícil.

Após o nascimento de uma menina, por volta da 1h da manhã, Caetano se agitou. Amamentava, mas não o acalmava. Uma das enfermeiras foi um pouco grossa ao entrar nervosa e dizer – mesmo depois de eu ter passado 2hs amamentando – que não ia falar mais uma vez o que eu tinha que fazer. Assustada, deitei com Caetano e amamentei em posições horríveis por 4 horas sem parar.

Ao amanhecer percebi que um dos meus bicos, o esquerdo, estava praticamente pendurado e o direito ‘apenas’ fissurado. Amamentar perdeu um pouco o brilho e ganhou muita dor e dificuldade.

Na tarde do mesmo dia já estava em casa (ufa!) e achei melhor tentar o famoso bico de silicone. Fomos eu e minha mãe numa farmácia e compramos. Não funcionou. A dor continuava com a presença do bico e Caetano ficava muito nervoso com aquele corpo estranho entre nós. Sem contar que os restos dos ferimentos grudavam no silicone e mesmo fervendo eu encontrava vestígios de sujeira, simplesmente nojento. Tentei por 2 dias e desisti.

Na quinta-feira decidi ordenhar e oferecer meu leite na colherinha para Caetano que aceitou. Assim, o bico descansou e eu combinei este descanso com a aplicação da casca de banana por 15 minutos e luz direta. No domingo o prazer da amamentação já estava conosco novamente.

Neste meio tempo o maluco do pediatra que se dizia a favor da amamentação preparou uma receita ridícula de NAN, alegando que Caetano deveria estar ganhando 30 grs por dia e que isto não estava acontecendo pois, apesar de eu ter um boa oferta de leite ele não conseguia ingerir o necessário. Dei um ponto final na nossa história com este médico louco, marquei com um homeopata e, no tempo em que esperava a consulta com este novo médico contei com o apoio das meninas da Matrice e tudo correu bem. Caetano nunca conheceu o tal NAN.

O prazer em amamentar aumentava gradualmente. Lembro que no ínicio amamentava de frente para um relógio, contando quanto tempo durava cada mamada. Não que em determinado momento eu tirasse Caetano do peito por decidir que já estava bom, aliás nem sei dizer porque, mas achava essencial olhar o relógio enquanto amamentava.

No segundo mês tive uma mastite (a primeira). Tive tanto medo de ter que parar de amamentar. Escrevi na lista da Materna e a Flávia Gontijo disse que eu poderia ligar para ela. Era madrugada, liguei e foi fundamental. Passei o resto da noite/madrugada aliviada, oferecendo muito o peito afetado para o Caetano. Acordei bem melhor e segui as outras dicas da Flá (água quente, dança africana, ordenha) e da Analy, que também me escreveu indicando os possíveis motivos da mastite. Foi após este episódio que aposentei o relógio e comecei a olhar mais para o Caetano durante as mamadas. Tentava olhar para cada poro do meu bebê, amamentava e contemplava!

Voltei ao trabalho quando Caetano tinha praticamente 6 meses com uma hora para amamentá-lo. Detalhe: sou educadora e Caetano está frequentando o berçário da Creche em que trabalho. Daí que não sofremos nenhum grande trauma neste período. Cheguei a estocar leite, mas não foi necessário pois amamentei no meio do expediente até que ele completou nove meses.

Tive uma outra mastite – esta bem mais traumática – durante o mês de junho. Dor, calafrios, febre local. Não parei de amamentar ainda assim e foi amamentando que a inflamação drenou. Alívio. Mais uma vez a parceria Elly&Caetano mostrava sua força.
Comecei a introdução de alimentos aos seis meses, mas ele não é grande fã de alimentos sólidos, come quando dá na telha. Agora começou a comer na Creche. Chora, mas come, dizem as professoras. Tem 9 meses, quase 10. Mama bastante durante a noite e isso não me incomoda. Percebo que muita gente tem necessidade de desmamar os bebês das mamadas noturnas e é algo que nem me passa pela cabeça.

Não serei hipócrita de dizer que amamentar é só flores, mas preciso dizer que é bom demais!

Elly, mãe do Caetano

Falta um dia apenas!!!!!

julho 31, 2008

Gabriel nasceu prematuro, de 33 semanas. Nasceu muito bem de saúde, quem teve problemas fui eu. Começou tomando Nan em sonda e depois no copinho durante sua internação na semi-intensiva, pois eu estava na UTI e não podia amamentá-lo. Logo que tive alta, foi prescrita a ele a amamentação não nutritiva para aprender a sugar e quando ele mesmo teve alta, 15 dias depois, estava no aleitamento materno exclusivo! Nossa primeira vitória!

Mas foi em casa que as coisas começaram a não sair como programado!

Do primeiro para o segundo mês meus mamilos estavam doendo muito. Mas todos falavam “é assim mesmo, logo pára de doer…

Só que Gabriel não tinha uma boa pega (hoje eu sei disso) e continuei com a amamentação exclusiva que para mim, não era um prazer como tantas falavam! Do segundo para o terceiro mês passei umas das fases mais difíceis da minha vida. Sentia muita dor pra amamentar o Gabriel e toda vez que ele chorava de fome, eu chorava porque já sabia a dor que eu ia sentir!

Ele mamava de 2h em 2h e gostava de dormir no peito, e muitas vezes ficava meia-hora, 40, até 50 minutos sem largar o peito e eu achava que tinha que deixar, que ele estava mamando…

Leite Nan, mamadeira ou chupeta não tinham feito parte do enxoval dele e nunca na minha vida pensei que teria que usá-los! Mas cheguei ao meu limite…

Meu sonho era entrar em trabalho de parto… ter um parto o mais natural possível… e amamentar exclusivamente até o sexto mês…

Mas depois de, no sétimo mês de gestação, ter que fazer uma cesárea de emergência e  “perder” os momentos mais desejados da minha vida, a vontade de amamentar o Gabriel ficou infinitamente maior! Para mim, era o resgate do vínculo que tinha perdido no momento do nascimento dele, já que quando foi tirado de dentro de mim não veio parar de chorar pertinho do meu rosto… não veio para o meu colo receber meu calor… não veio mamar no meio seio… não veio comigo para casa…

Meu emocional estava muito abalado! Eu chorava da dor física e da dor de ver meu bb desejar tanto ficar no meu seio e eu não agüentar e não poder deixar! Pra acalmá-lo comprei uma chupeta. E chorando dei pra ele…

Procurei ajuda nos bancos de leite, com enfermeiras, pediatras e uma fonoaudióloga. Mas não sei porque não consegui que me ajudassem! Até que não suportando mais as dores de rachaduras profundas, fissuras, bolhas e os mamilos sem a pele, comprei uma mamadeira e uma lata de Nan…foram 3 dias só de mamadeira, sem o peito pra que começasse o processo de cicatrização. Tive que fazer isso, senão teria desmamado Gabriel.

Foram 40 dias de mamadeira junto com o peito e o Nan, quando não conseguia ordenhar o suficiente pra uma mamada.

Mesmo dando mamadeira, conseguia pôr ele no peito quando não doía tanto…e as feridas foram sarando! Nunca deixei de pensar no meu objetivo: voltar a amamentação exclusiva!

Quando Gabriel estava com 3 meses e 17 dias voltamos à amamentação exclusiva! Nem acreditei! Meu mamilos só doíam um pouco durante a mamada, mas já não ficavam mais machucados! Eu tentava arrumar a pega do Biel o mais que podia, mas o danadinho não queria saber de abrir a boca!

Um mês e meio depois ainda continuava só no peito, mamando muito, graças a deus! A pediatra ainda prescreveu a introdução da alimentação aos 4 meseso quê? Depois de tanto sacrifício terminar assim a amamentação exclusiva? De jeito nenhum! Comecei com as frutas quando ele completou exatamente 5 meses, 1 semana antes de eu voltar a trabalhar!  Não tinha condições de estocar leite pra continuar o aleitamento exclusivo até o sexto mês, mas depois de tudo que passamos, me sinto realizada do jeito que tudo aconteceu!

Hoje Gabriel com 1 ano e 5 meses ainda mama no peito e só tenho a agradecer meu marido, minha família, que muito me incentivou, me apoiou nos momentos mais difíceis de decisões, de dores, de amor…

E as meninas da lista bestbaby, que participaram ativamente de todo o processo, e que apesar de estarem longe fisicamente, foram muito mais presentes, estiveram muito mais ao meu lado, desejaram com todas as forças que eu não desistisse de amamentar muito mais do que qualquer profissional que tive contato aqui em Campinas!

Vanessa Lopes, 34 anos, enfermeira, mãe feliz do Gabriel

Faltam 5 dias…

julho 27, 2008

Depois de engravidar, meu sonho era amamentar para me sentir completa. Queria sentir o calor do meu filho perto de mim, que ele pudesse ter o contato mais natural possível com as vitaminas que o leite materno dispõe. Pra minha felicidade, em uma das consultas do pré-natal, minha médica disse que eu já tinha colostro, aos 5 meses de gestação. Mas meus seios são pequenos e eu pensava que não teria leite suficiente. Pensei também: “e se ele não quiser mamar?” Eram tantas as dúvidas e inseguranças, juntando com os hormônios super-ativados da gravidez, que o jeito mesmo era esperar pra ver. Participávamos de um grupo de casais grávidos onde aprendemos sobre o antes, o durante e o depois do nascimento. Essa vivência nos ajudou bastante, dando-nos segurança e desmistificando muitas crenças que passam de geração em geração.

De um parto domiciliar, nasceu Ernesto! Nosso primogênito chegou no dia 4 de janeiro de 2007, após 21 horas de trabalho de parto  acompanhadas das doutoras Melania e Leila e da doula Daniela.  Durante todo o TP, o apoio do pai foi incondicional, auxiliando nas massagens para relaxamento durante as contrações e sempre presente chamando: “vem, Ernesto!”. O momento do nascimento é maravilhoso! O fato de Ernesto ter ido para meu colo logo após a expulsão foi de extrema importância: o reconhecimento do seio, o calor dos braços da mãe, mesmo antes de cortar o cordão umbilical. Pra minha felicidade, ele queria mamar! E depois que o leite “desceu”, haja peito! Tanto que consegui armazenar alguns vidros de leite. Levei alguns para doar, e ainda consegui fazer um pequeno estoque congelado ou pasteurizado.

Queria que meu filho mamasse exclusivamente mesmo após minha licença maternidade terminar. Sempre adotei a técnica de deixá-lo mamar um dos seios o máximo possível para que, dessa forma, ele pudesse sugar o colostro que vem primeiro e o “leite de verdade” que vem depois. Depois, na próxima mamada ele mamava o outro seio o máximo possível. Aprendemos que deixá-lo mamar 15 min em um seio e 15 min em outro era errada, pois assim ele acaba mamando somente o colostro e não ganha peso. Nos primeiros dias, confesso que fiquei desesperada, pois ele escolheu um dos seios e não queria o outro. O mamilo daquele que ele escolheu começou a rachar e o outro, cheio, vazando, começou a “endurecer” e doer, foi sofrimento. Tinha que persistir, e não desistir de amamentar. Contei com a ajuda da “bombinha” pra esvaziá-lo e com a ajuda do pai para fazer o bico rejeitado “aumentar”. Era isso! Eu tinha um dos mamilos “curto” e Ernesto preferia aquele mamilo maior, que dava uma pega melhor. Ele mamava, 40, 50 minutos. Na próxima mamada ele não aceitava o outro, e doía e eu chorava e ele chorava também. Depois, com insistência e paciência, o problema foi resolvido em alguns dias! Outra noite de sofrimento que marcou foi por volta do 7º dia de nascido. Ernesto mamou. Mas mamava e chorava. Desesperado! Ninguém dormia. Pensei: “meu leite secou!”. Apertava os mamilos e não saía leite. O que eu faço? Pedi uma lata de complemento na farmácia. “Ah, não! Vou ter que dar complemento, com menos de 1 mês?” Calma! Liguei pra doula, conversamos um pouco. Resolvemos que iríamos esperar até o dia seguinte para ver se o fluxo de leite voltaria ao normal. Ligamos pra farmácia e cancelamos o pedido do complemento. De fome ele não ia morrer. Fomos acalmando-o com carinho e oferecendo o peito, nem que fosse pra fazer de chupeta. No outro dia, para a nossa felicidade, o leite jorrava! Ernesto agradecia e se esbanjava de tanto mamar!

Enfim, nada como o apoio de pessoas certas numa hora dessas! Hoje, com 1 ano e 6 meses, Ernesto ainda mama. É um garoto saudável, alegre e esperto.

Sylvana Carla, mãe do Ernesto

Falta uma semana…

julho 25, 2008


Eu tive minha primeira filha na década de 70, anos em que a amamentação não era ensinada nas faculdades de medicina, nem nas aulas de pediatria…Sou médica pediatra e, como era comum na época, recebi da Nestlé latas e latas de leite em pó “Nanon”, logo após o parto.

Eu sabia que o leite materno era o melhor porque nos livros de Pediatria havia uma frase sobre alimentação infantil que dizia: DAR PREFERÊNCIA AO LEITE DO PEITO . Só que neles não havia sequer uma palavra sobre a técnica de amamentar ou sobre sua importância. Tive muitas dificuldades no início da lactação, desenvolvi fissuras muito dolorosas e mamas ingurgitadas. Eu acabei insistindo por heróicos 15 dias (e minha mãe protegeu bravamente minha decisão), quando finalmente eu e minha filha nos adaptamos, superamos a dor e a amamentação se estabeleceu. Quem me deu apoio? Minha mãe, claro! Mas quem nos deu força foi a Laika, uma pequena “vira lata” lá de casa! Aconteceu que poucos dias depois do meu parto, D’alma, minha cadela de raça, pariu 6 robustos filhotes. Como ela parecia estar realmente muito abatida depois de um trabalho de parto de 8 horas, nós decidimos dar aos filhotes o leite em pó que eu acabara de ganhar de presente. Depois de introduzido o leite artificial, ela se desinteressou pela cria. Dia após dia, os filhotes foram morrendo, até que Laika, a outra cadela, apesar de não ter engravidado, passou a produzir leite, adotou e amamentou os 3 últimos cachorrinhos. Esses acontecimentos impressionaram muito a mim e à minha mãe, e fizeram com que nós resistíssemos ao apelo da  Nestlé para introduzirmos leite em pó (imaginem só, uma pilha de latas de leite gratuitas, chegando e entrando dentro da nossa própria casa !!!),

Foi assim…Ah! e o resto do leite que recebemos por meses consecutivos? bem… mamãe tentou algumas receitas, mas como elas não deram certo, ela apenas aproveitava as latas, para fazer mudas das plantas do nosso jardim, aquelas que os nossos crescidos cãezinhos tinham a mania de destruir…

Ana Júlia Colameo, mãe e pediatra, membro da IBFAN

Faltam 9 dias…

julho 23, 2008

Sempre achei que amamentar seria uma coisa natural e fácil. Natural é, mas não foi nada fácil.

Tive um parto domiciliar super tranquilo mas meu bebê não quis mamar logo que nasceu e com isso percebi que ali começaria a minha luta. Eu não tinha bico, então a Ana Cris me aconselhou a usar as conchas para formar o bico. Comprei no dia seguinte e começei a usar. O Felipe resolveu mamar e com muita vontade. Meu leite desceu logo e não tive grandes problemas, só uma febre e um mal estar, que logo passaram. Ele mamava com muita vontade e cada vez que ele pegava o peito eu sentia mais dor. O bico foi ficando machucado e a dor aumentando. Ele tinha uma pega perfeita, mas mesmo assim doía bastante.

Adotei a livre-demanda, ele mamava a toda hora e o peito cada vez mais machucado, não doía mais só quando ele começava a mamar, mas a mamada toda. Meu marido me apoiava, mas minha mãe e minha sogra falavam que não tinham conseguido amamentar, que era muito difícil, que se eu desistisse não teria nenhum problema. Mas eu não queria desistir, sabia que era o melhor para o meu filho e não podia desistir.

Quando ele estava com 15 dias não aguentei, chorava só de pensar que ele ia acordar para mamar, meu marido chegou do trabalho a noite e me pegou chorando junto com o bebê desesperada e dizendo que não estava mais aguentando. Acho que juntou tudo e desabei. Ele ligou para os meus pais e eles vieram pra casa. Meu pai comprou uma lata de Nan e minha mãe deu a mamadeira pro Felipe, porque eu não conseguia. Saí pra comer alguma coisa, precisava colocar as minhas idéias em ordem. Pensei: Amanhã vou alugar uma bomba e tirar o meu leite pra dar pra ele. Se não conseguir amamentar no peito pelo menos o meu leite ele vai tomar. Não conseguia nem pensar em colocá-lo no meu peito naquela hora. Hoje sei que foi mais piscológico do que físico, mas naqulele momento estava em desespero.

No dia seguinte, aluguei a bomba e comecei a tirar o meu leite, mas eu estava inconformada de dar Nan pro meu filho. Tinha vergonha de receber visitas por causa da mamadeira. Chamamos a Ana Paula em casa e ela foi um anjo. Conversou comigo e me fez ver que não era o fim do mundo, que isso acontecia bastante e que realmente é muito difícil a amamentação exclusiva. Fiquei um pouco mais calma e disse pra mim mesma: Vou dar um tempo e vou começar tudo de novo.

Depois de uns dias tirando meu leite e complementando com Nan, eu voltei a dar o peito. Foi uma alegria enorme, eles não doíam mais, estavam cicatrizados. Só o que me incomodava um pouco era a sonda de relactação que usei com medo dele não pegar o peito. Mais uns dias e fomos na consulta com o Cacá, foi uma terapia, chorei tudo que eu tinha pra chorar e ele me disse: Vocês não precisam da sonda. Cheguei em casa e guardei aquela sonda no fundo do armário e realmente nós conseguimos nos acertar e tudo foi ficando perfeito.

Um pouco antes da consulta de 2 meses o tempo deu uma esfriada e o Felipe não queria saber de mamar, só ficava 5 minutos no peito e depois largava. Liguei para o Cacá deseperada e ele disse que se ele estava ativo, não tinha problema nenhum. Fiquei mais calma. Na consulta de dois meses veio o susto, o Felipe não tinha engordado quase nada em 40 dias. Ainda bem que o pediatra era o Cacá. Ele me pediu pra colocar o Felipe bastante no peito e voltar lá depois de uma semana. Tentamos fazer um intensivão mas ele não queria, chegava a ficar 5 horas sem mamar, mas mesmo assim engordou mais um pouco e chegamos a conclusão que ele seria magrinho como o pai.

Agradeci a Deus por ter um pediatra que pensa assim. Ele sempre está na faixa vermelha do gráfico de peso e ele disse que não tem problema, porque está crescendo super-bem. Quando ele estava com 3 meses e meio e faltavam 15 dias pra eu voltar a trabalhar comecei a fazer o estoque de leite. Depois descobri que tinha que ter começado antes, mas a moça do aluguel da bomba me disse que só podia congelar o leite por 15 dias. Mesmo assim consegui fazer um estoque de 1 litro. Mas uns dias antes de eu voltar a trabalhar o meu leite deu uma diminuída e o Felipe teve um surto de crescimento e queria mamar cada vez mais. Tive que dar o meu estoque para o Felipe mamar nesses dias e ele se foi. Agora que estou trabalhando, estou sem estoque e produzindo em um dia o que ele vai tomar no outro e ele mamando cada vez mais e assim vamos levando, um dia de cada vez. Mas eu gostaria de dizer que vale muito a pena. É gratificante saber que aquele bebezinho está crescendo a cada dia graças a você.

Debora e Felipe (4 meses)

Faltam 10 dias…

julho 22, 2008

AMAMENTAÇÃO (quase) exclusiva e até quando Deus quiser!

Neste mês de julho de 2008 comemoramos 1 ano e 10 meses amamentando meu pequeno Kael. São aproximadamente 660 dias ou algo em torno de 3.960 mamadas! Uau!

“É suficiente”, diriam uns. “É demais”, diriam outros. “Ainda mama?”, se espanta a maioria.

Em casa nós dizemos: “Estamos quase chegando à recomendação da Organização Mundial de Saúde!”. E meu marido completa: “Quando ele entrar na universidade, ele larga”.

Como chegamos até aqui? A começar graças à minha disposição de mãe-mamífera, pois mais do que ninguém, nós (mães-mamíferas) temos que acreditar na nossa capacidade, ter muita determinação, perseverança, paciência e dedicação, assim conquistamos a confiança e o apoio de todos à nossa volta.

Mas como ninguém faz nada sozinho nessa vida, vencemos várias ‘batalhas amamentícias’ com o GRANDE APOIO de pessoas muito especiais:

 

Dra Leila: médica-comadre-amiga, me proporcionou o que considerei o primeiro passo para o nosso sucesso na amamentação: meu parto normal. Sim! Depois do parto me tornei muito mais segura, minha auto-estima melhorou e afinal, se eu tinha conseguido parir, era capaz de qualquer coisa!! Ao longo da amamentação me deu dicas de como diminuir o empedramento, meu companheiro constante, com a inesquecível técnica do ‘bebê rotativo’
Dra Gabriela: 1ª pediatra do Kael, o acompanhou em Recife no seu 1º ano de vida. Nesse tempo todo nunca sugeriu a introdução de leite artificial, pelo contrário, sempre me estimulava a estocar leite materno para o retorno ao trabalho e nos medicou na nossa primeira dificuldade: uma candidíase no mamilo por conta do uso de protetores de algodão. Ele estava com 10 dias de vida e eu tinha ligado na véspera pra perguntar pra ela quanto de NAN eu podia dar. No dia seguinte tínhamos consulta e ela avaliou o mamilo, passando remédio pra mim e pra ele. Insistiu pra continuar amamentando que iria ficar tudo bem. Nossa, como isso dói, arde, queima! Graças a essa candidíase nossa amamentação foi classificada como “quase-exclusiva”. Por 16 dias dei complemento de 60ml de leite artificial uma vez no fim do dia para que os pobres peitos ardidos pudessem respirar um pouco e se recuperar.
Graças ao Banco de Leite Humano do IMIP (Instituto Materno Infantil de Pernambuco) conseguimos nos libertar da lata de NAN aos 25 dias de vida. Impressionante a dependência que sofremos de uma miserável lata de leite! Lá no BLH do IMIP ele foi pesado (já havia ganhado quase 1kg), avaliaram a pega e o mamilo (já sem cândida) e me perguntaram por que eu complementava. Sem uma resposta decente, não restou outra alternativa senão abandonar o julgo daquela tal lata de leite. Cada dia sem o NAN era uma vitória… 1 dia sem NAN! 2 dias sem NAN! 3 dias sem NAN… até que… perdi a conta e recuperei minha confiança na minha capacidade de nutrir! Voltei algumas outras vezes por lá, para pasteurizar leite para estocagem, outras para doação, e ainda para avaliação médica quando tive uma ‘mini-mastite’ no retorno ao trabalho. Sempre fui MUITO bem atendida.
Amigos: alguns amigos em especial me ajudaram muito nessa jornada, como a Suzana que me repetia insistentemente para eu conhecer o IMIP (desde a minha gravidez); a Fabiana que me emprestou a bombinha tira-leite que salvou nossas vidas no retorno ao trabalho e nas incontáveis empedradas do caminho; Suely, parteira-comadre sempre orientando como lidar com a leitaria, penteando o peito, com banhos mornos ou simplesmente dedicando uma palavra de incentivo; a Analu, doula-amiga e constante companhia de mamódromos, fraldários e afins; Nélia, Aninha, Júlia, Dan e toda a turma mamífera que eu conheci depois que o Kael nasceu, minhas fontes de inspiração, minhas iguais.
Empresa, Chefe e Colegas de trabalho: voltei a trabalhar 1 semana antes de Kael completar 4 meses. Havia estocado alguns vidros de LM, mas como trabalhava longe e não podia voltar para almoçar em casa, o estoque tinha que ser muito maior. Não conseguia extrair suficiente durante a semana nos momentos em casa, então tive que ordenhar no trabalho, aproveitando as mamas cheias de saudade do meu pequeno. Usava uma sala de reunião, contando com um ‘colega-porteiro’ – que sabia o que se passava dentro da sala com papel afixado na janelinha de vidro. Retirava em torno de 150ml por dia que servia basicamente para a alimentação do dia seguinte, assim, sempre que podia em casa, nos fins de semana, estimulava a produção para conseguir garantir o estoque da semana. A geladeira da copa virou uma sucursal do IMIP, cheia de vidrinhos de leite, e o pessoal da limpeza já sabia que não poderia limpar a geladeira enquanto estivessem meus vidrinhos por lá. Até isso foi combinado pensando no Kael: o dia da limpeza da geladeira da empresa! Além disso, quantas vezes tive que sair correndo porque não tinha estoque suficiente e estava chegando a hora dele mamar, ou ainda por que tive que ir ao IMIP com ‘febre de leite’ ou para as regulares consultas à pediatra? Sem o apoio das minhas colegas, da minha chefe e a postura da empresa não teria dado certo.
Fábio: esposo, pai do Kael e companheiro de conquistas. Seu apoio vem desde a jornada rumo a um parto respeitoso, compreendendo minhas necessidades e expectativas. Com o nascimento do Kael acordava de madrugada e me socorria pegando o bebê pra mamar, colocando pra arrotar, ajudando nas cólicas. Nunca nem sequer passou pela cabeça dele que meu leite não fosse suficiente para nutrir seu filho, que crescia e engordava a olhos vistos. Ensaiou alguns ciuminhos ao me ver amamentando rua afora, mas logo percebeu que a finalidade era pra lá de nobre e uma fraldinha resolvia a parada. Não consigo imaginar como seria se ele não acreditasse na minha capacidade. Certamente não teria conseguido.
‘Mana’: minha babá, que virou babá do Kael. Após 30 anos cuidando de mim ela sempre se dedicou a cuidar do meu filho do jeito que eu determinei, e como a determinação era amamentação em livre demanda, evitar mamadeiras e aleitamento exclusivo até os 6 meses… Ela cumpriu seu papel sempre me lembrando de colocar a concha na sacola, escaldando e congelando intermináveis vidros de nescafé, lavando minuciosamente a bombinha tira-leite, posteriormente oferecendo com paciência invejável LM descongelado em copinho, depois em colherinha. Sem ela teria sido impossível o sucesso da amamentação especialmente após o retorno ao trabalho.
Mamãe: embarcou conosco na jornada. Sou filha única, Kael é o 1º neto… Muitas novidades desde meu nascimento em 1978. Achou meio esquisito quando eu recusei um ‘esterilizador de mamadeira’ que minha tia daria, mas aos poucos compreendeu que item mais desnecessário não poderia existir em uma lista de bebê. Mamãe participou como uma grande apoiadora em nossas decisões, desde o parto até a inevitável constatação que meu leite era a única coisa que o Kael precisaria até os 6 meses. Na verdade acho que ela nunca duvidou da minha capacidade, como é característico dela. Esteve presente na 1ª mamada, esteve presente quando sucumbi ao NAN, esteve presente quando me libertei do NAN, esteve presente quando comemoramos 6 meses de LM (tá, semi-exclusivo, mas vale a comemoração!) e está presente no processo de amamentação ‘quase-prolongada’… Sabe que o desmame ainda não está planejado e será lento, no nosso ritmo, por isso é capaz de viajar muitos km comigo para levar o Kael em meus compromissos profissionais e não interromper a amamentação bruscamente. Outra figura fundamental no nosso sucesso!

Então é isso! Não tem mistério! É graças a essa “tropa de elite” que temos levado esses 660 dias de nutrição, amor e saúde.

Thaíssa, mãe do Kael

Faltam 16 dias…

julho 16, 2008

 

Ele nasceu no reveillon, com 2.900 kg. Eu não o tinha visto nascer, apesar de ter lutado com ele pelo seu nascimento. Foi extraído, aspirado, separado de mim e observado por 3 horas. Quando chegou pra eu conhecê-lo, era um pacote quentinho e miúdo, um serzinho com quem eu teria que formar vínculo, aprender a amar, e não tinha outro modo senão cuidando e amamentado muito!

Chegamos em casa depois de 2 dias e eu já sentia a pega errada dele, os mamilos sensíveis durante a mamada. Fiz tudo o que as pessoas da família me diziam para tentar aliviar a dor; a intenção era boa mas não tinha resultado.

Somado à dor estava a freqüência das mamadas, a perda de peso no primeiro mês, o cansaço e a insegurança da mãe recente, fui pedir apoio ao pediatra. Ao invés de incentivo, saí do consultório com uma receita de fórmula infantil e um pedido de exame de urina…

Comprei a fórmula por insistência do marido e fiz o exame: Breno estava mesmo com infecção urinária, pesava então 2,6 kg. Comecei a complementar as mamadas com o leite de vaca através de uma sonda ligada ao mamilo, ele tomou antibiótico, meu peito estava quase sarando.

Quando acabou a primeira lata de leite eu decidi que não iria comprar outra e que não iria pedir a opinião do pediatra; busquei informação nos sites de apoio à amamentação exclusiva e escrevi para as amigas Pati Merlin e Socorro Moreira.

Pata tinha um bebê 23 dias mais velho que meu Breno, e na mesma hora que escrevi ela me pediu meu telefone. Me ligou dizendo logo assim “você acredita no seu leite? Acredita que ele é forte e capaz de nutrir seu filho?” Era tudo o que eu precisava ouvir!

Com as dicas dela e da Socorro passei a complementar as mamadas com meu próprio leite ordenhado, passava também nos mamilos após cada mamada. Parei de me preocupar com o intervalo das mamadas e passei a amamentar em livre demanda, de dia e de noite, deixando Breno dormir comigo na cama. Em um mês ele engordou 1.2 kg, ganhou dobrinhas, estava se desenvolvendo muito bem! Hoje sei que o biotipo dele é mais “mignon”, por isso o ganho de peso dele nem sempre era o esperado, mas andou cedo, falou cedo, é muito inteligente e come de tudo!

Esse foi o início de um período de amamentação que durou mais de 3 anos, se não fosse o apoio das amigas e sites certamente não teria sido tão bem sucedido.

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Alice nasceu num parto na água que fechou muitas feridas de uma cesárea anterior. Na ocasião eu ainda amamentava o mais velho, Breno, que mamou boa parte da gestação também.

Eu acreditava que não teria problemas na amamentação por já estar amamentando há mais de 2 anos, já estar com os mamilos “calejados” e ter experiência, mas me enganei. Em poucos dias os mamilos e auréolas onde ela pegava feriram, chegaram a sangrar. Eu na época já sabia que não devia fazer o que fiz quando Breno começou a mamar, então nada de bico de silicone, casca de frutas, limpeza dos seios antes de amamentar.

Eu queria e sabia que podia amamentar exclusivamente ao seio, porém a dor era grande, eu já tinha minhas tarefas, tinha que cuidar de dois, não tive forças e recorri ao leite de vaca. Minha idéia era dar a fórmula uma ou outra mamada até os seios sararem, mas num certo dia ela chegou a ficar sem leite de mãe por 24 horas inteiras… Nesse dia pedi ao Breno e ele esvaziou os dois seios que estavam lotados, escrevi pras listas, sem vergonha de pedir ajuda, e pra Pata e Socorro de novo!

Dessa vez quem me ligou foi Socorro, que estava com seu filhote mamando exclusivamente, e recebi as dicas certas pra cicatrização e correção da pega. Mensagens de apoio vieram de vários cantos, e novamente usei uma lata de fórmula e pronto, estabelecemos a amamentação exclusiva que foi até quase 8 meses! Ela era uma bolinha, risonha e esperta, e tive muito orgulho de responder sempre que comentavam sobre as dobrinhas dela “é puro leite de mãe!”.

Ela está com 2 anos e 3 meses, ainda mama pra dormir (eu combinei isso com ela há 4 meses) e também se alimenta muito bem, nunca teve uma gripe forte, assim como o irmão.

Minhas experiências de amamentação apesar de tudo foram muito positivas, sou muito grata pelo apoio que recebi, e isso foi a inspiração para eu e Pata fazermos um blog de apoio para outras mães que desejam amamentar!

Rebeca, mãe de Breno e Alice