Posts Tagged ‘dificuldades iniciais’

Falta uma semana…

julho 25, 2008


Eu tive minha primeira filha na década de 70, anos em que a amamentação não era ensinada nas faculdades de medicina, nem nas aulas de pediatria…Sou médica pediatra e, como era comum na época, recebi da Nestlé latas e latas de leite em pó “Nanon”, logo após o parto.

Eu sabia que o leite materno era o melhor porque nos livros de Pediatria havia uma frase sobre alimentação infantil que dizia: DAR PREFERÊNCIA AO LEITE DO PEITO . Só que neles não havia sequer uma palavra sobre a técnica de amamentar ou sobre sua importância. Tive muitas dificuldades no início da lactação, desenvolvi fissuras muito dolorosas e mamas ingurgitadas. Eu acabei insistindo por heróicos 15 dias (e minha mãe protegeu bravamente minha decisão), quando finalmente eu e minha filha nos adaptamos, superamos a dor e a amamentação se estabeleceu. Quem me deu apoio? Minha mãe, claro! Mas quem nos deu força foi a Laika, uma pequena “vira lata” lá de casa! Aconteceu que poucos dias depois do meu parto, D’alma, minha cadela de raça, pariu 6 robustos filhotes. Como ela parecia estar realmente muito abatida depois de um trabalho de parto de 8 horas, nós decidimos dar aos filhotes o leite em pó que eu acabara de ganhar de presente. Depois de introduzido o leite artificial, ela se desinteressou pela cria. Dia após dia, os filhotes foram morrendo, até que Laika, a outra cadela, apesar de não ter engravidado, passou a produzir leite, adotou e amamentou os 3 últimos cachorrinhos. Esses acontecimentos impressionaram muito a mim e à minha mãe, e fizeram com que nós resistíssemos ao apelo da  Nestlé para introduzirmos leite em pó (imaginem só, uma pilha de latas de leite gratuitas, chegando e entrando dentro da nossa própria casa !!!),

Foi assim…Ah! e o resto do leite que recebemos por meses consecutivos? bem… mamãe tentou algumas receitas, mas como elas não deram certo, ela apenas aproveitava as latas, para fazer mudas das plantas do nosso jardim, aquelas que os nossos crescidos cãezinhos tinham a mania de destruir…

Ana Júlia Colameo, mãe e pediatra, membro da IBFAN

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Faltam 9 dias…

julho 23, 2008

Sempre achei que amamentar seria uma coisa natural e fácil. Natural é, mas não foi nada fácil.

Tive um parto domiciliar super tranquilo mas meu bebê não quis mamar logo que nasceu e com isso percebi que ali começaria a minha luta. Eu não tinha bico, então a Ana Cris me aconselhou a usar as conchas para formar o bico. Comprei no dia seguinte e começei a usar. O Felipe resolveu mamar e com muita vontade. Meu leite desceu logo e não tive grandes problemas, só uma febre e um mal estar, que logo passaram. Ele mamava com muita vontade e cada vez que ele pegava o peito eu sentia mais dor. O bico foi ficando machucado e a dor aumentando. Ele tinha uma pega perfeita, mas mesmo assim doía bastante.

Adotei a livre-demanda, ele mamava a toda hora e o peito cada vez mais machucado, não doía mais só quando ele começava a mamar, mas a mamada toda. Meu marido me apoiava, mas minha mãe e minha sogra falavam que não tinham conseguido amamentar, que era muito difícil, que se eu desistisse não teria nenhum problema. Mas eu não queria desistir, sabia que era o melhor para o meu filho e não podia desistir.

Quando ele estava com 15 dias não aguentei, chorava só de pensar que ele ia acordar para mamar, meu marido chegou do trabalho a noite e me pegou chorando junto com o bebê desesperada e dizendo que não estava mais aguentando. Acho que juntou tudo e desabei. Ele ligou para os meus pais e eles vieram pra casa. Meu pai comprou uma lata de Nan e minha mãe deu a mamadeira pro Felipe, porque eu não conseguia. Saí pra comer alguma coisa, precisava colocar as minhas idéias em ordem. Pensei: Amanhã vou alugar uma bomba e tirar o meu leite pra dar pra ele. Se não conseguir amamentar no peito pelo menos o meu leite ele vai tomar. Não conseguia nem pensar em colocá-lo no meu peito naquela hora. Hoje sei que foi mais piscológico do que físico, mas naqulele momento estava em desespero.

No dia seguinte, aluguei a bomba e comecei a tirar o meu leite, mas eu estava inconformada de dar Nan pro meu filho. Tinha vergonha de receber visitas por causa da mamadeira. Chamamos a Ana Paula em casa e ela foi um anjo. Conversou comigo e me fez ver que não era o fim do mundo, que isso acontecia bastante e que realmente é muito difícil a amamentação exclusiva. Fiquei um pouco mais calma e disse pra mim mesma: Vou dar um tempo e vou começar tudo de novo.

Depois de uns dias tirando meu leite e complementando com Nan, eu voltei a dar o peito. Foi uma alegria enorme, eles não doíam mais, estavam cicatrizados. Só o que me incomodava um pouco era a sonda de relactação que usei com medo dele não pegar o peito. Mais uns dias e fomos na consulta com o Cacá, foi uma terapia, chorei tudo que eu tinha pra chorar e ele me disse: Vocês não precisam da sonda. Cheguei em casa e guardei aquela sonda no fundo do armário e realmente nós conseguimos nos acertar e tudo foi ficando perfeito.

Um pouco antes da consulta de 2 meses o tempo deu uma esfriada e o Felipe não queria saber de mamar, só ficava 5 minutos no peito e depois largava. Liguei para o Cacá deseperada e ele disse que se ele estava ativo, não tinha problema nenhum. Fiquei mais calma. Na consulta de dois meses veio o susto, o Felipe não tinha engordado quase nada em 40 dias. Ainda bem que o pediatra era o Cacá. Ele me pediu pra colocar o Felipe bastante no peito e voltar lá depois de uma semana. Tentamos fazer um intensivão mas ele não queria, chegava a ficar 5 horas sem mamar, mas mesmo assim engordou mais um pouco e chegamos a conclusão que ele seria magrinho como o pai.

Agradeci a Deus por ter um pediatra que pensa assim. Ele sempre está na faixa vermelha do gráfico de peso e ele disse que não tem problema, porque está crescendo super-bem. Quando ele estava com 3 meses e meio e faltavam 15 dias pra eu voltar a trabalhar comecei a fazer o estoque de leite. Depois descobri que tinha que ter começado antes, mas a moça do aluguel da bomba me disse que só podia congelar o leite por 15 dias. Mesmo assim consegui fazer um estoque de 1 litro. Mas uns dias antes de eu voltar a trabalhar o meu leite deu uma diminuída e o Felipe teve um surto de crescimento e queria mamar cada vez mais. Tive que dar o meu estoque para o Felipe mamar nesses dias e ele se foi. Agora que estou trabalhando, estou sem estoque e produzindo em um dia o que ele vai tomar no outro e ele mamando cada vez mais e assim vamos levando, um dia de cada vez. Mas eu gostaria de dizer que vale muito a pena. É gratificante saber que aquele bebezinho está crescendo a cada dia graças a você.

Debora e Felipe (4 meses)

Faltam 10 dias…

julho 22, 2008

AMAMENTAÇÃO (quase) exclusiva e até quando Deus quiser!

Neste mês de julho de 2008 comemoramos 1 ano e 10 meses amamentando meu pequeno Kael. São aproximadamente 660 dias ou algo em torno de 3.960 mamadas! Uau!

“É suficiente”, diriam uns. “É demais”, diriam outros. “Ainda mama?”, se espanta a maioria.

Em casa nós dizemos: “Estamos quase chegando à recomendação da Organização Mundial de Saúde!”. E meu marido completa: “Quando ele entrar na universidade, ele larga”.

Como chegamos até aqui? A começar graças à minha disposição de mãe-mamífera, pois mais do que ninguém, nós (mães-mamíferas) temos que acreditar na nossa capacidade, ter muita determinação, perseverança, paciência e dedicação, assim conquistamos a confiança e o apoio de todos à nossa volta.

Mas como ninguém faz nada sozinho nessa vida, vencemos várias ‘batalhas amamentícias’ com o GRANDE APOIO de pessoas muito especiais:

 

Dra Leila: médica-comadre-amiga, me proporcionou o que considerei o primeiro passo para o nosso sucesso na amamentação: meu parto normal. Sim! Depois do parto me tornei muito mais segura, minha auto-estima melhorou e afinal, se eu tinha conseguido parir, era capaz de qualquer coisa!! Ao longo da amamentação me deu dicas de como diminuir o empedramento, meu companheiro constante, com a inesquecível técnica do ‘bebê rotativo’
Dra Gabriela: 1ª pediatra do Kael, o acompanhou em Recife no seu 1º ano de vida. Nesse tempo todo nunca sugeriu a introdução de leite artificial, pelo contrário, sempre me estimulava a estocar leite materno para o retorno ao trabalho e nos medicou na nossa primeira dificuldade: uma candidíase no mamilo por conta do uso de protetores de algodão. Ele estava com 10 dias de vida e eu tinha ligado na véspera pra perguntar pra ela quanto de NAN eu podia dar. No dia seguinte tínhamos consulta e ela avaliou o mamilo, passando remédio pra mim e pra ele. Insistiu pra continuar amamentando que iria ficar tudo bem. Nossa, como isso dói, arde, queima! Graças a essa candidíase nossa amamentação foi classificada como “quase-exclusiva”. Por 16 dias dei complemento de 60ml de leite artificial uma vez no fim do dia para que os pobres peitos ardidos pudessem respirar um pouco e se recuperar.
Graças ao Banco de Leite Humano do IMIP (Instituto Materno Infantil de Pernambuco) conseguimos nos libertar da lata de NAN aos 25 dias de vida. Impressionante a dependência que sofremos de uma miserável lata de leite! Lá no BLH do IMIP ele foi pesado (já havia ganhado quase 1kg), avaliaram a pega e o mamilo (já sem cândida) e me perguntaram por que eu complementava. Sem uma resposta decente, não restou outra alternativa senão abandonar o julgo daquela tal lata de leite. Cada dia sem o NAN era uma vitória… 1 dia sem NAN! 2 dias sem NAN! 3 dias sem NAN… até que… perdi a conta e recuperei minha confiança na minha capacidade de nutrir! Voltei algumas outras vezes por lá, para pasteurizar leite para estocagem, outras para doação, e ainda para avaliação médica quando tive uma ‘mini-mastite’ no retorno ao trabalho. Sempre fui MUITO bem atendida.
Amigos: alguns amigos em especial me ajudaram muito nessa jornada, como a Suzana que me repetia insistentemente para eu conhecer o IMIP (desde a minha gravidez); a Fabiana que me emprestou a bombinha tira-leite que salvou nossas vidas no retorno ao trabalho e nas incontáveis empedradas do caminho; Suely, parteira-comadre sempre orientando como lidar com a leitaria, penteando o peito, com banhos mornos ou simplesmente dedicando uma palavra de incentivo; a Analu, doula-amiga e constante companhia de mamódromos, fraldários e afins; Nélia, Aninha, Júlia, Dan e toda a turma mamífera que eu conheci depois que o Kael nasceu, minhas fontes de inspiração, minhas iguais.
Empresa, Chefe e Colegas de trabalho: voltei a trabalhar 1 semana antes de Kael completar 4 meses. Havia estocado alguns vidros de LM, mas como trabalhava longe e não podia voltar para almoçar em casa, o estoque tinha que ser muito maior. Não conseguia extrair suficiente durante a semana nos momentos em casa, então tive que ordenhar no trabalho, aproveitando as mamas cheias de saudade do meu pequeno. Usava uma sala de reunião, contando com um ‘colega-porteiro’ – que sabia o que se passava dentro da sala com papel afixado na janelinha de vidro. Retirava em torno de 150ml por dia que servia basicamente para a alimentação do dia seguinte, assim, sempre que podia em casa, nos fins de semana, estimulava a produção para conseguir garantir o estoque da semana. A geladeira da copa virou uma sucursal do IMIP, cheia de vidrinhos de leite, e o pessoal da limpeza já sabia que não poderia limpar a geladeira enquanto estivessem meus vidrinhos por lá. Até isso foi combinado pensando no Kael: o dia da limpeza da geladeira da empresa! Além disso, quantas vezes tive que sair correndo porque não tinha estoque suficiente e estava chegando a hora dele mamar, ou ainda por que tive que ir ao IMIP com ‘febre de leite’ ou para as regulares consultas à pediatra? Sem o apoio das minhas colegas, da minha chefe e a postura da empresa não teria dado certo.
Fábio: esposo, pai do Kael e companheiro de conquistas. Seu apoio vem desde a jornada rumo a um parto respeitoso, compreendendo minhas necessidades e expectativas. Com o nascimento do Kael acordava de madrugada e me socorria pegando o bebê pra mamar, colocando pra arrotar, ajudando nas cólicas. Nunca nem sequer passou pela cabeça dele que meu leite não fosse suficiente para nutrir seu filho, que crescia e engordava a olhos vistos. Ensaiou alguns ciuminhos ao me ver amamentando rua afora, mas logo percebeu que a finalidade era pra lá de nobre e uma fraldinha resolvia a parada. Não consigo imaginar como seria se ele não acreditasse na minha capacidade. Certamente não teria conseguido.
‘Mana’: minha babá, que virou babá do Kael. Após 30 anos cuidando de mim ela sempre se dedicou a cuidar do meu filho do jeito que eu determinei, e como a determinação era amamentação em livre demanda, evitar mamadeiras e aleitamento exclusivo até os 6 meses… Ela cumpriu seu papel sempre me lembrando de colocar a concha na sacola, escaldando e congelando intermináveis vidros de nescafé, lavando minuciosamente a bombinha tira-leite, posteriormente oferecendo com paciência invejável LM descongelado em copinho, depois em colherinha. Sem ela teria sido impossível o sucesso da amamentação especialmente após o retorno ao trabalho.
Mamãe: embarcou conosco na jornada. Sou filha única, Kael é o 1º neto… Muitas novidades desde meu nascimento em 1978. Achou meio esquisito quando eu recusei um ‘esterilizador de mamadeira’ que minha tia daria, mas aos poucos compreendeu que item mais desnecessário não poderia existir em uma lista de bebê. Mamãe participou como uma grande apoiadora em nossas decisões, desde o parto até a inevitável constatação que meu leite era a única coisa que o Kael precisaria até os 6 meses. Na verdade acho que ela nunca duvidou da minha capacidade, como é característico dela. Esteve presente na 1ª mamada, esteve presente quando sucumbi ao NAN, esteve presente quando me libertei do NAN, esteve presente quando comemoramos 6 meses de LM (tá, semi-exclusivo, mas vale a comemoração!) e está presente no processo de amamentação ‘quase-prolongada’… Sabe que o desmame ainda não está planejado e será lento, no nosso ritmo, por isso é capaz de viajar muitos km comigo para levar o Kael em meus compromissos profissionais e não interromper a amamentação bruscamente. Outra figura fundamental no nosso sucesso!

Então é isso! Não tem mistério! É graças a essa “tropa de elite” que temos levado esses 660 dias de nutrição, amor e saúde.

Thaíssa, mãe do Kael

Faltam 11 dias pra SMAM!

julho 21, 2008

Primeiro, parabéns pela iniciativa de vocês!

Em todos os tipos de trabalho de promoção da saúde, acho que o que mexe mais profundamente com as mulheres é o da troca de experiências entre iguais, ou pelo menos parecidos, se é que me entende. Eu juro que resisti bastante para mandar esse depoimento. A gente sempre tem uma porção de coisas pra fazer… Mas qdo vcs mandaram esse email só pra mim, aí eu não resisti, e embora eu já tenha apoiado muita gente, e saiba direitinho ou pelo menos imagine o valor desse apoio, só depois dessa experiência pela qual eu passei com o meu filho caçula, o Henrique (e lá se vão 16 anos) é que eu pude ver a grandeza dele, e mais, a partir daí me empoderar para apoiar verdadeiramente outras mulheres nessa caminhada. Gostaria de que tivessem como premissa que todo o meu relato foi a minha experiência e de minha família, não estando eu querendo com isso dizer o que é ou não certo fazer, mas sim contando a nossa experiência para que possa ajudar a outras mulheres a atravessar esta fase da melhor maneira.

O Luís Felipe foi nosso primeiro filho, super desejado, passei uma gravidez maravilhosa, plena, feliz. Participei de grupos de gestantes e desde o primeiro dia do pré-natal falei para a obstetra que queria ter parto normal, e ela concordou dizendo que tudo bem. Ao final da gestação, eu estava na 39ª sem e nada de entrar em trabalho de parto, todos sabem como é a ansiedade desse período, aí foram pedidos os exames: ultrasonografia e doppler. Na 40ª semana, já bastante ansiosos, eu também não entrava em trabalho de parto e aí começaram as conjecturas médicas: a placenta pode estar muito madura, não estar nutrindo tão bem o bebê; pode haver uma circular de cordão, de repente é por isso que vc não entra em trabalho de parto, enfim, nesse país de cesarianas, nós três (pai, mãe e bebê) precisávamos de mais para enfrentarmos toda essa pressão. O final dessa estória é fácil de saber: eu fui submetida a uma cesariana e a idade gestacional do Luís Felipe após o exame feito pelo pediatra foi de 38 semanas. É claro que não estava na hora…

Pra completar, ele teve icterícia neonatal (muito provavelmente por conta de algum tipo de prematuridade, já que o nosso sangue não é incompatível), tivemos de ser reinternados em outro hospital para que ele recebesse tratamento e fototerapia. Nem preciso dizer que daí para frente as coisas foram ficando cada vez mais difíceis. Eu só fazia chorar e tinha um sentimento de frustração e perda enormes. Quando tentava colocar meu filho no peito ele chorava, chorava, e com meu estado ansioso cada vez tinha menos leite. Em sua primeira consulta com quase um mês de vida ele tinha perdido quase 500 gramas.

Depois analisando, em outros momentos também, mas pude perceber que principalmente neste momento eu precisei de apoio de alguém que pudesse clarear as coisas, mas não tive. Meu marido se sentia tão fragilizado como eu, embora solidário. Nem profissionais de saúde, nem amigos, nem parentes, ninguém que pudesse nos apoiar naquele momento, não da forma como precisávamos. E olha que nós recebemos muitas visitas…

Mas como depois de uma noite vem outro dia, meu filho foi crescendo lindo e muito amado, embora eu tivesse isso mal resolvido em mim… Foi quando, 1 ano e 5 meses depois, descobri que estava grávida do Henrique, que não foi planejado, mas também muito desejado tão logo soubemos. Podem imaginar todos os filmes que passaram na minha cabeça naquele início de gravidez. Nessa época eu já estava trabalhando com mulheres e grupo de gestantes e trabalhava com profissionais de saúde muito experientes com gestantes e partos. Minha primeira dificuldade foi escolher quem acompanharia meu parto, até que por indicações cheguei a um obstetra que eu sabia acompanhar a maioria dos partos vaginais. Acabei que só comecei a fazer o acompanhamento pré-natal com 16 semanas tamanha era a minha dificuldade em escolher com medo de me frustrar mais uma vez.

Participei de um maravilhoso grupo de gestantes, com coordenadoras super legais e fiz trabalho corporal durante toda a gravidez. Com 39 semanas, durante o banho, perdi o tampão mucoso, aquela  “gosminha” que fica no colo do útero durante a gravidez. A combinação que fiz com o obstetra é de que ele só interviria (cesariana) caso fosse extremamente necessário, observando-se também que eu tinha uma cesariana anterior e que esse útero poderia ter uma ruptura durante o trabalho de parto. A única coisa que ele me pediu é que gostaria de acompanhar meu TP comigo internada por segurança. Eu topei as condições. Após perder o tampão comecei a sentir contrações fracas, mas fui à consulta. Não tinha dilatação, as contrações passaram e ele explicou que o tampão poderia inclusive se refazer, que não seria para aquele dia, mas pra eu ficar atenta, e tentar fazer as coisas que gostava, relaxar. Naquele dia fui passear com meu marido na praia, tomar água de côco. Dois dias depois as contrações começaram brandas e à tarde foram ficando mais  fortes. A noitinha quando fui examinada, o obstetra me disse que eu tinha 4/5 cm de dilatação e que eu deveria me internar. Eu, que na outra gravidez não tinha sentido absolutamente nada, nem perdido o tampão, estava muito feliz com todas aquelas sensações que estavam acontecendo com o meu corpo me dando a certeza de que o nosso filho estava chegando da melhor forma. Internei às 23h, e cada vez as contrações e conseqüentemente a dilatação aumentava.  Meu marido e as coordenadoras do grupo de gestante estiveram o tempo todo comigo, fazendo massagens, me davam banho, me acariciavam, caminhávamos madrugada afora. Ás 6h fui levada para a sala de parto, aí já estava com 9 cm de dilatação, sentindo algumas contrações incômodas, mas muito feliz. Quando comecei a me posicionar na sala de parto, o obstetra conversou comigo se não gostaria de ficar de cócoras, pois assim participaria mais ativamente do nascimento de meu filho. Realmente não era essa a minha pretensão, mas rapidamente pensei na idéia e resolvi topar o desfio (mais um).

Às 6h15 meu filho nasceu através de parto de cócoras, eu o peguei e coloquei ao seio para mamar na mesma hora. E ele mamou muito. Realmente não posso descrever a emoção que senti e o que aquilo representou para mim e para a nova família que se formava naquele momento. Durante e após o nascimento, embora num hospital, a luz era baixa e a atitude era de imenso respeito e gentileza com que estava acontecendo e com a nova vida que chegava com aquela manhã. O céu que podia ver entre as persianas era vermelho de crepúsculo, foi muito emocionante. O apoio continuava nos primeiros dias; fui com o Henrique ao grupo toda feliz e orgulhosa contar a experiência do parto para as outras grávidas. E embora tivesse uma cirurgia de redução mamária anterior (outra questão muito controversa) eu persisti amamentando exclusivamente, seguindo todas as orientações e sendo muito apoiada de todas as formas.

Na consulta dos 30 dias (e eu tinha medo dela, pois o meu mais velho nessa pesagem havia perdido quase 500 gramas) eu tive a maravilhosa, e inédita surpresa de que o meu filho, apenas com o meu leite, e nós dois, nós três, nós quatro, com muito APOIO engordou 700 gramas neste primeiro mês!!!!!!! Para mim isso foi o nirvana e a coroação de tudo o que eu almejei. É claro que, indiscutivelmente, eu acreditei em mim, mas o apoio foi fundamental neste processo. Principalmente no meu caso, por ser enfermeira, as informações, as técnicas, ficam muito no terreno racional, e precisamos que tudo isso passe  para o plano emocional para que seja vivenciado plenamente e transformado numa experiência positiva. E isso se consegue com apoio, com troca de experiências, com afeto, com carinho, com colo, com peitos! 

Espero que a minha experiência de apoio possa abrilhantar o calendário do grupo Matrice. Parabéns, meninas!!

Fernanda Sá, enfermeira, fotógrafa e mãe de Luis Felipe e Henrique

Faltam 13 dias…

julho 19, 2008

Quando meu segundo filho, Fernando, nasceu, eu me achava a mãe mais experiente do mundo. Tinha um filho de dois anos, o Henrique, que tinha mamado no peito até nove meses de idade e com quem a amamentação tinha corrido muito bem.

Na gravidez do Henrique, eu tinha feito o cursinho de gestantes do hospital, onde ensinavam que “pega boa” é “boquinha de peixe” e sem fazer estalinho. Não que esteja errado, mas eu achava que isso era tudo e que amamentar o Fernando ia ser “bico” – sem trocadilhos.

Não podia estar mais enganada. O Nando berrava já na maternidade. Mamava muito e berrava mais ainda. Em casa, meus mamilos começaram a ficar cheios de fissuras e as dores eram absurdas. Dor do parto é moleza, perto da dor de fissuras mamilares (pelo menos, para mim). Aí começaram os palpites.

“Para quê isso?”. “Desmama esse moleque, para que sofrer tanto?”. “Amamentei o fulaninho só um mês e ele nunca ficava doente!”. Tudo isso no meio da minha dor: podia ser um diabinho me tentando… Podia, mas não foi. Porque eu estava muito firme na minha decisão de amamentar o Fernando, nas minhas convicções de que o leite materno era o melhor alimento para meu filho. A dor era ruim, mas era algo que eu conseguia isolar, não prestar atenção nela e sim no bebê, que mamava com gosto.

Acontece que, desde que meu primeiro filho nasceu, eu fazia parte de algumas comunidades virtuais de mães recentes e gestantes. Descobri o GAMA, a Ana Cris, as doulas, a Ingrid Lotfi (doula no Rio de Janeiro) e muitas outras organizações e pessoas que incentivavam o parto natural e a amamentação. Essas “descobertas” foram muito importantes, mas a Ingrid Lotfi foi fundamental. As coisas que a Ingrid escreveu lá atrás, em 2003, fizeram a diferença em 2005, na minha insistência em manter o Fernando no peito.

Comecei a tomar algumas medidas para tentar curar meus mamilos. Tomava sol nos seios, passava pomada de lanolina, fiz compressa de casca de papaia, passei chá de casca de romã e usei uma pomada cicatrizante. Foi funcionando aos poucos. Daí, ganhei um intermediário de silicone e quase que meu filho larga o peito: aquela coisa deslocava-se para dentro da garganta dele e causava ânsia. Fora que o leite diminuiu. Tomei chá-da-mamãe, tintura de algodoeiro, descansei de montão e o leite foi voltando, o peito sarando e o Fernando sempre mamando. Não foi uma história longa, porque, aos sete meses do Fernando, ele largou o peito. Insisti por uma semana, mas ele ficou irredutível, fazia cara de nojo e tudo mais.

De qualquer modo, esse é meu relato de apoio na amamentação: o incentivo que a querida Ingrid Lotfi me deu, dois anos antes de meu segundo filho nascer, foram a força de que eu precisava para resistir a tanta pressão para desistir. O apoio é importantíssimo e pode assumir várias formas. Para mim, veio na forma de uma mulher do Rio de Janeiro, que conheci em uma lista, arrumando a maior briga na defesa do parto natural, e que acabou virando minha amiga. Uma amiga que nunca vi de verdade, só em fotos e conversando por emails. O amor escolhe as mais diversas formas de se manifestar. Apoio à mulher que amamenta é amor, sim. Obrigada, Ingrid!

Pri, mãe do Henrique e do Fernando

Faltam 15 dias…

julho 17, 2008

Eloise, amamentado sua filha Alice, enconstada no pai, todos no Forte de Copacabana (dez/2007)

Alice nasceu em outubro de 2007, no tempo certo, e eu me preparei bastante pra chegada dela. Queria muito amamentar, fazer tudo como deveria ser feito. Fui orientada a dar apenas o leite materno até os 6 meses de vida, e então rejeitei todos os conselhos de amigos e avós que queriam dar chazinhos, chuquinhas de água, leitinhos para complementar.

Mas na primeira semana de vida a situação foi um pouco caótica. Ela perdeu peso enquanto meu leite não chegava com força, e seguia mamando só o colostro. No quarto dia de vida uma enfermeira foi na minha casa pra furar a orelha dela e eu falei que ela chorava muito. Ela me aconselhou a comprar uma lata de NAN porque certamente a menina estava “morrendo de fome” e “desidratada” e eu era uma péssima mãe que deixava um recém-nascido sofrer por falta de leite.

Meu marido e minha mãe me disseram pra comprar o NAN. Eu corri pro banheiro, chorei, respirei fundo, e resolvi que não ia fazer isso. Eu tinha sido avisada de que na primeira semana era mesmo um pouco difícil, mas quando a gente vê aquela coisinha miúda chorando sem parar, começa a querer ouvir tudo que estão dizendo, pra buscar solução de qualquer maneira.

Lembrei da minha amiga da MATRICE, e liguei pra ela.

– Fabíola, minha filha está passando fome, ela só tem colostro pra se alimentar!!!

Ela me acalmou, me disse que uma colher de chá de colostro sustenta o bebê por horas, e que ela ia chorar mesmo, mas não era por estar desnutrida. Me orientou também a ver se ela fazia xixi, porque seria um indício de hidratação adequada.

Eu continuei um pouco atrapalhada, mas aceitei a informação, é claro. No dia seguinte resolvi ligar pra Stephanie, uma francesa que ministra cursos para gestantes aqui no Rio. Eu tinha feito cursinho sobre amamentação com ela, antes da Alice nascer. 

Ela me falou a mesma coisa, “calma, você já sabia que a primeira semana seria difícil, tente se acalmar e espere mais um pouco, se você der leite de vaca pra ela agora pode prejudicar as funções intestinais, pode ficar mais difícil depois”. Marquei um horário para visitá-la, no dia seguinte, levando a Alice para conversarmos e para que ela visse como estava a neném. 

Mas já era o sexto dia. De madrugada senti meus seios endurecendo, enchendo, e de manhã quando tirei a concha para amamentar eu vi o liquido amarelado, um amarelo bem clarinho, era o meu precioso leitinho que estava chegando!!!

Agradeço muito a Fabíola e a Stephanie, as duas me tranquilizaram muito e a partir daquele dia não faltou mais o leite.

Depois daquilo ainda tive uns problemas com vômitos. Alice vomitava muito, me dava cada banho de leite!!! Se antes o leite era pouco, passou a ser muito.. Mas isso foi resolvido também, depois de 3 pediatras me dizendo que ela tinha que ser medicada, resolvi ligar novamente pra Stephanie e marquei com outro médico, que até hoje cuida da minha filha. Ele me explicou calmamente que o refluxo dela faz parte do desenvolvimento e que ela não precisava de remédio nenhum para resolver o problema.

Com dois meses de vida o problema sumiu, e até hoje ela mama muito bem, sem vomitar, sem passar fome, e já completa 9 meses no próximo dia 08 de julho!!

No meio do caminho tive umas ocorrências normais, e ainda liguei mais algumas vezes para a Fabíola, que sempre teve muita paciência pra me acalmar e explicar o que estava acontecendo, sem que eu sentisse necessidade de procurar algum médico pra isso. 

 

Eloise Barreto, mãe da Alice

Faltam 16 dias…

julho 16, 2008

 

Ele nasceu no reveillon, com 2.900 kg. Eu não o tinha visto nascer, apesar de ter lutado com ele pelo seu nascimento. Foi extraído, aspirado, separado de mim e observado por 3 horas. Quando chegou pra eu conhecê-lo, era um pacote quentinho e miúdo, um serzinho com quem eu teria que formar vínculo, aprender a amar, e não tinha outro modo senão cuidando e amamentado muito!

Chegamos em casa depois de 2 dias e eu já sentia a pega errada dele, os mamilos sensíveis durante a mamada. Fiz tudo o que as pessoas da família me diziam para tentar aliviar a dor; a intenção era boa mas não tinha resultado.

Somado à dor estava a freqüência das mamadas, a perda de peso no primeiro mês, o cansaço e a insegurança da mãe recente, fui pedir apoio ao pediatra. Ao invés de incentivo, saí do consultório com uma receita de fórmula infantil e um pedido de exame de urina…

Comprei a fórmula por insistência do marido e fiz o exame: Breno estava mesmo com infecção urinária, pesava então 2,6 kg. Comecei a complementar as mamadas com o leite de vaca através de uma sonda ligada ao mamilo, ele tomou antibiótico, meu peito estava quase sarando.

Quando acabou a primeira lata de leite eu decidi que não iria comprar outra e que não iria pedir a opinião do pediatra; busquei informação nos sites de apoio à amamentação exclusiva e escrevi para as amigas Pati Merlin e Socorro Moreira.

Pata tinha um bebê 23 dias mais velho que meu Breno, e na mesma hora que escrevi ela me pediu meu telefone. Me ligou dizendo logo assim “você acredita no seu leite? Acredita que ele é forte e capaz de nutrir seu filho?” Era tudo o que eu precisava ouvir!

Com as dicas dela e da Socorro passei a complementar as mamadas com meu próprio leite ordenhado, passava também nos mamilos após cada mamada. Parei de me preocupar com o intervalo das mamadas e passei a amamentar em livre demanda, de dia e de noite, deixando Breno dormir comigo na cama. Em um mês ele engordou 1.2 kg, ganhou dobrinhas, estava se desenvolvendo muito bem! Hoje sei que o biotipo dele é mais “mignon”, por isso o ganho de peso dele nem sempre era o esperado, mas andou cedo, falou cedo, é muito inteligente e come de tudo!

Esse foi o início de um período de amamentação que durou mais de 3 anos, se não fosse o apoio das amigas e sites certamente não teria sido tão bem sucedido.

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Alice nasceu num parto na água que fechou muitas feridas de uma cesárea anterior. Na ocasião eu ainda amamentava o mais velho, Breno, que mamou boa parte da gestação também.

Eu acreditava que não teria problemas na amamentação por já estar amamentando há mais de 2 anos, já estar com os mamilos “calejados” e ter experiência, mas me enganei. Em poucos dias os mamilos e auréolas onde ela pegava feriram, chegaram a sangrar. Eu na época já sabia que não devia fazer o que fiz quando Breno começou a mamar, então nada de bico de silicone, casca de frutas, limpeza dos seios antes de amamentar.

Eu queria e sabia que podia amamentar exclusivamente ao seio, porém a dor era grande, eu já tinha minhas tarefas, tinha que cuidar de dois, não tive forças e recorri ao leite de vaca. Minha idéia era dar a fórmula uma ou outra mamada até os seios sararem, mas num certo dia ela chegou a ficar sem leite de mãe por 24 horas inteiras… Nesse dia pedi ao Breno e ele esvaziou os dois seios que estavam lotados, escrevi pras listas, sem vergonha de pedir ajuda, e pra Pata e Socorro de novo!

Dessa vez quem me ligou foi Socorro, que estava com seu filhote mamando exclusivamente, e recebi as dicas certas pra cicatrização e correção da pega. Mensagens de apoio vieram de vários cantos, e novamente usei uma lata de fórmula e pronto, estabelecemos a amamentação exclusiva que foi até quase 8 meses! Ela era uma bolinha, risonha e esperta, e tive muito orgulho de responder sempre que comentavam sobre as dobrinhas dela “é puro leite de mãe!”.

Ela está com 2 anos e 3 meses, ainda mama pra dormir (eu combinei isso com ela há 4 meses) e também se alimenta muito bem, nunca teve uma gripe forte, assim como o irmão.

Minhas experiências de amamentação apesar de tudo foram muito positivas, sou muito grata pelo apoio que recebi, e isso foi a inspiração para eu e Pata fazermos um blog de apoio para outras mães que desejam amamentar!

Rebeca, mãe de Breno e Alice

Faltam 17 dias… mais uma semana se passou!!

julho 15, 2008

Amamentar era o sonho da minha vida! Tanto quanto ter o meu filho de parto natural. O encanto se quebrou quando meu filho teve quer ser internado na UTI por desconforto respiratório. Foram dias de tortura e a única coisa que eu pensava era: não vou conseguir amamentá-lo. Mesmo na UTI recebendo o leite que eu ordenhava com muito amor e carinho, os dias iam se passando, meu gatinho melhorando rapidamente e minha paúra de levá-lo para casa e descobrir que ele não ia querer mamar mais, pois somente no momento que nasceu, sentiu o calor do meu seio na ânsia de alimentá-lo, e depois ele foi levado de mim. Uma frase ecoava na minha cabeça como um mantra: “Se até mãe adotiva amamenta, por que você não conseguiria? Amamentar não é só saciar a fome. É uma comunhão de amor entre você e ele”, dizia o pediatra do Enzo para mim, sempre aflita.

Cada dia que se passou em casa foi uma vitória, uma conquista! No começo da amamentação ele teve problemas de pega, eu problemas com monilíase, mas a dor sentida face ao seu sorriso de prazer acalentado nos meus braços não tinha intensidade alguma.

Minha mãe sempre foi uma graça, todos os dias ao meu lado repetindo a mesma frase, com aquele amor incondicional de mãe que todos conhecemos: tudo isso vai passar filha. Amamentar é muito gostoso e você vai ver como é. Vai melhorar… vai melhorar… e o pranto dela rolava junto com o meu.

Os dias passaram e comecei a sentir o maior prazer da minha vida: amamentar o meu filho com paz e tranquilidade. Sem medos, nem dores. Hoje o Enzo tem quase 2 anos, e meu maior presente é ainda poder oferecer para ele o leitinho que eu preparo ao longo do dia enquanto trabalho, com o maior amor do mundo: o leite materno.

Gisele, mãe do Enzo

Faltam 22 dias…

julho 10, 2008

Relato de amamentação continuada e desmame natural – Como foi o desmame natural do Lucas

Lucas mamou por 3 anos e 9 meses. UAU, algumas pessoas diriam, né? Ao contrário dessa impressão de que pareceu tanto tempo, para nós nem parece tanto tempo, foi tudo tão natural, prazeiroso e importante em nossa família enquanto durou.

Nosso início foi difícil, angustiante, mas recebemos muito apoio e orientações ótimas que possibilitaram que eu pudesse amamentar. Resumidamente, como passei por uma mamoplastia anos atrás, não sabia se poderia amamentar ou não e, desde a gravidez, essa angústia me acompanhava. No nascimento de Lucas, consultoras de amamentação da La Leche League me orientaram a usar a técnica de relactação com uso de sonda para oferecer um pouco de leite artificial para Lucas, sem perder o estímulo poderoso do bebê sugando no peito e sem usar mamadeira. Ao mesmo tempo também comecei a extrair LM com auxílio de bomba elétrica 2-3 vezes ao dia, todos os dias.

Depois de alguns dias usando esse sistema de relactação fui capaz de continuar amamentando normalmente, quase 7 meses exclusivamente de LM (tirando esses dias iniciais), e gradualmente papinhas foram oferecidas. Mas continuou mamando em livre demanda.

Com 10 meses começou a ir para escolinha, 2 dias por semana, e eu mandava LM extraído e ele tomava lá no copinho. Sempre tiveram muito cuidado, boa vontade e disposição das professoras com esse LM. E continuavamos em livre demanda em casa. Ainda me lembro que nessa época fiquei bem doente, uma infecção estomacal que me fez perder peso de repente. E meu leite praticamente secou de um dia outro! Mas Lucas continuou interessado e mamava mesmo no peito “seco”. Isso mostra que obviamente amamentação é muito mais que nutrição, é afeto, carinho. Fiquei muito triste achando que esse seria o final de nossa amamentação, mas quando me recuperei o leite voltou a jorrar!!!

Com 14 meses voltei a trabalhar período integral e então ele começou a frequentar a escolinha todos os dias. Eu ainda ia todos os dias na hora de almoço amamentá-lo lá (as portas sempre foram abertas para pais e mães em qualquer horário do dia e amamentar os bebês também sempre foi prática muito bem-vinda lá!). No início desse período de escolinha tempo integral ele me recebia bem e mamava com vontade, mas depois de algum tempo as brincadeiras, amiguinhos e novidades na escola foram parecendo mais interessantes à ele do que mamar… e assim foi perdendo o interesse e recusando essa mamada. Ainda insisti alguns dias visitando a escola nesse horário para ter certeza que ele não queria mesmo mais mamar nessa hora do almoço, e um belo dia tive certeza que ele definitivamente não estava mais interessado. E assim voltei ao trabalho, com sentimentos confusos, de alegria (porque meu menino estava crescendo e mostrando outros interesses!) ao mesmo um pouco de tristeza pelo desinteresse.

Mas essa tristeza não durou muito não, porque ainda tínhamos várias chances de amamentar, pela manhã, antes de dormir, e nos finais de semana. Mesmo amamentando em livre demanda nos finais de semana, sentia os peitos um pouco mais cheios nas segundas-feiras, mas nada que causasse incômodo grande.

E assim fomos seguindo nossa vidinha e outros interesses foram tomando conta da nossa relação, outras formas de demonstração de carinho e amor, e gradualmente, sem forçar nada, ele foi deixando de mamar: as mamadas ao acordar foram as primeiras a desaparecerem, já que ele estava muito “ocupado” e queria brincar! Ainda ficaram algumas mamadas em horas de angústia, dor, e principalmente quando estava doentinho, o que com certeza foi ótimo, sempre digo que uma das maiores vantagens da amamentação prolongada é garantir a nutrição e hidratação da criança durante doenças.

Por último sumiram as mamadas antes de dormir, creio eu que eram parte do ritual de sono e por isso demoraram mais para que esse interesse fosse perdido. Papai foi sempre participativo na vida dele e sempre nos apoiava muito nessa decisão do desmame gradual e natural! Ele e Lucas são muito apegados!

Bem, chegamos à uma fase onde ele estava pedindo para mamar uma vez a cada 2-3 dias somente. Sabia que o desmame total estava perto!

Um belo dia fiz um teste de gravidez e, que alegria, positivo!! Na hora falei para Lucas que tinha um irmãozinho/a na barriga, ele não deu muito bola não (agora dá mais haha) e seguimos a vida. Ainda pediu para mamar algumas vezes depois desse dia, até que certo dia eu, me sentindo um pouco triste, ofereci à ele. Ele veio para perto de mim, deu beijo no meu peito por cima da roupa e disse: não quero mais não, mamãe, obrigado!!

E então seguimos nossa vida, felizes, sinto-me muito realizada por ele ter guiado todo esse processo.

Sua irmãzinha, Isabella, nasceu dia 10 de outubro de 2007, num lindo parto domiciliar na água. Veio para o peito momentos após seu nascimento. Mamou exclusivamente por 6 meses e continua a adorar mamar em livre demanda e a comer também comidinhas. Hoje está com quase 9 meses e seguiremos o mesmo caminho de amamentação que foi com seu irmão.

Beijos a todos

Andréia, Ole, Lucas e Isabella

E faltam 23 dias…

julho 9, 2008

Amamentar era algo que faltava em mim para que eu me completasse como mãe, demorou nove anos para que essa dádiva acontecesse.

Quando meu primeiro filho nasceu eu era completamente ignorante de informações, sabia que era bom amamentar e desejava fazê-lo, mas não foi assim que aconteceu. Ele nasceu prematuro, ficou na UTI e na maternidade enquanto eu aguardava sua saída com os seios fartos de leite e febris, simplesmente me deram uma bomba manual, uns potinhos e falaram “vai ali, tira o leite”… Que mãe consegue essa proeza estando em contato com seu filho através de uma janela de vidro? Tristes lembranças. Quando levei meu filho pra casa, saí com a receita de 60 ml de Nan a cada três horas, aquilo parecia a receita da salvação do meu filho… minha pobre ignorância com a ignorância “sábia” e absurda de alguns médicos. Meu filho ganhou peso logo, e de um bebê magérrimo ficou um bebê obeso em poucos meses, contudo pequeno em estatura. Hoje as coisas já estão normais com ele.

Hoje posso afirmar que renasci na maternidade também para ele: amamento minhas duas filhas, gêmeas da mesma placenta nascidas em dias diferentes, sete horas de paciência da santa equipe que me acompanhou.

A Fernanda faz hoje 10 meses e amanhã a Gabriela, tenho orgulho em dizer que elas não conhecem outro leite senão o meu, tenho orgulho em olhar para essas meninas saudáveis, fortes, grandes e saber que são frutos das minhas entranhas, foram alimentadas por mim em meu ventre e continuam sendo alimentadas por mim e assim serão enquanto houver prazer nesse ato.

Isso eu consigo porque busquei informações, encontrei pessoas que são realmente humanas nas suas maiores consequências e busquei eliminar um pouco as minhas ignorâncias, hoje sou responsável por isso. Conto também com um marido que em nenhum momento questionou minhas intenções, pelo contrário apóia e partilha os mesmos pensamentos e desejos.

Encontrei dificuldades, ouvi gente falando do tal complemento, do leite “fraco”, da pouca quantidade… isso tudo eu literalmente ignorei. O que foi mais difícil foram os primeiros dias quando os seios se encheram demais e ficaram febris, e eu chorei de dor ao amamentar e amamentar dois bebês. Eu pedi ajuda e recebi a visita da Priscila que em duas horas de paciência e doação me ensinou a ordenhar, fazer compressas frias e corrigir a pega… pronto, em dois dias tudo normal, ainda alguma dor e logo nada mais, somente o prazer.

Minhas meninas mamam juntas, separadas, quando querem. Mamaram assim que nasceram e esse é o laço que nos estreita cada dia mais. Por isso hoje sou mais mãe, sei o que é ser mãe, mãe que se faz em alimento para os filhos e quanto mais amo ser mãe, mais leite jorra de meu seio. Eu acreditei em mim e consegui. Não sei de onde vem tanto leite, mas ele é real e vital.

Patrícia, mãe das gêmeas-fofas Fernanda e Gabriela