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6º dia de SMAM

agosto 6, 2008


Quando eu estava grávida, nunca pensei em preparação para amamentação ou em dificuldades. Eu nem pensei que existia a possibilidade de ter dificuldades porque para mim amamentar sempre foi um desejo e uma coisa natural. Nunca cogitei não amamentar. Aliás, a hipótese de não amamentar nunca passou perto de mim. Nem procurar informações sobre o assunto eu procurei. Na minha cabeça era: coloca o bebê no peito e pronto! Simples assim.

Quando o Gabriel nasceu, eu sofri uma cirurgia de emergência e fiquei uns 2 dias na UTI. Por conta disso de uma complicação no meu parto, ele não pode mamar na primeira hora. Bem, também era desejo meu que ele mamasse na sala de parto, mesmo só descobrindo sua importância real muito tempo depois. Enquanto fiquei na UTI, meu filho foi alimentando com complemento. Não sei por qual razão, apesar de eu estar me recuperando e consciente na UTI, ninguém nunca cogitou que eu tirasse leite pra ele e eu era meio “mãezinha” na época, nem pensei nisso. Ninguém pode imaginar a culpa que sinto por conta disso.

Enfim, continuando…logo que fui para o quarto ele grudou de cara no meu peito e ficou horas. Deve ter ficado 1h em cada um. Tudo lindo, tudo perfeito. Quando fui pra casa, no 8º dia meu leite desceu. Aí sim que eu, na minha inexperiência, percebi que o tempo todo ele estava “só” no colostro, apesar de não ter chorado em momento nenhum. Por isso, deduzo que fome ele não passou. O leite desceu com toda a força. Meus peitos pareciam que iam explodir de tão enormes e duros. Fiquei com febre 2 dias. Eu parecia um esguicho e ele não dava conta de mamar, nunca esvaziava nenhum deles, felizmente. O “inconveniente”, se é que se pode aplicar esta palavra feia, era que eu vivia com as roupas cheias de fraldas dentro. Eu ia tomar banho e não conseguir nem me secar de tanto leite que pingava. Uma benção! De noite, as fraldas não davam conta e várias vezes eu tive que trocar de roupa e trocar toda a cama, pois levantava ensopada de leite.

Nunca coloquei relógio nas mamadas, pois já tinha aprendido, pelo menos, sobre livre demanda. No começo ele ficava geralmente meia hora (chutando) em cada peito. Depois de 1h ele começava tudo de novo. Eu não fazia praticamente nada além de amamentar. Passava as madrugadas no sofá vendo séries repetidas com ele no peito ou no carrinho ao lado. Dormi várias vezes sentada com ele no peito.

Na segunda semana meus peitos estavam todos esfolados e cortados pois ele estava com a pega errada (o lábio inferior não estava pra fora – peixinho). Gabriel mamava leite, sangue e lágrimas. Cada hora que fazia “nhé” pra mamar, eu começava a chorar. Ainda assim, em nenhum momento pensei em desistir. Foi quando a Ana Cris, minha doula, foi me ver em casa e ajudou com a pega além de recomendar o uso de conchas pra ajudar a cicatrizar. Comprei no mesmo dia! Outra benção! Com as conchas, a roupa não ficava encostando e ferindo mais os mamilos. Não passei pomada nenhuma. Só com as conchas e a correção da pega, em uma semana mais eu comecei a conhecer o paraíso do leite.

Eu achava que o pior tinha passado. Fisicamente tinha mesmo. Psicologicamente eu ainda tinha um longo chão pela frente, já que ele mamou até 2 anos completos.

Antes de voltar a trabalhar, eu não pude estocar leite, mesmo tendo muito, pois eu não tinha freezer em casa na época. Durante minha licença maternidade eu doei leite para a Maternidade Interlagos que ia retirar o leite em casa. Como eu não tinha freezer, eu guardava no congelador e eles iam buscar a cada 2 dias. Eu ligava e eles iam bucar. Super prático! Levavam o leite e traziam novos frascos esterelizados, prontinhos.

Quando voltei a trabalhar não tinha estoque de leite. Comprei uma bomba manual e ordenhava no trabalho. O Gabriel estava com 5 meses e meio na época. Eu fazia 3 ordenhas por dia e cada uma rendia entre 200-300ml. Meus peitos continuam explodindo mas eu não tinha tempo de ordenhar mais vezes. Chorei de dor trabalhando algumas vezes. Não conseguia levantar os braços. Fiquei com medo do leite ordenhado ser insuficiente pra ele e, num grito de socorro, entrei com contato com as amigas do peito no Rio de Janeiro, pedindo soluções pois tinha pavor só de pensar em complemento. A salvação veio da resposta simples e óbvia: se faltar leite, já pode coplementar com suco mas não dê fórmula. Como eu não tinha pensado nisso? Claro! Que simples! Só faltavam 2 semanas pra ele completar 6 meses. Assim foi e logo ele começou a ingerir frutas e papinhas progressivamente.

Ordenhei até ele completar 1 ano e, admito, cansei. Além do que no trabalho já não tinha mais tempo para as 3 ordenhas e a produção já tinha caído bastante também. Na verdade, tinha se regularizado de acordo com a demanda.Como ele comia bem, achei que seria desnecessário ordenhar. O Gabriel continuava mamando muito de madrugada, mas nas madrugadas que ele não acordava, ou acordava menos, eu levantava pra ordenhar e aproveitar o pico da prolactina para estimular a produção. Não era tarefa fácil mas, para mim, a única aceitável. Nunca faltou leite, nem quando eu parei de ordenhar, pois ele continuava mamando de manhã e à noite.

O Gabriel era um bebê grande e com menos de um ano as pessoas já começaram a me olhar com cara de espanto por ele “ainda” mamar. Aliás, o termo “ainda mama?” é bem conhecido por qualquer mamífera assumida. Nessa fase procurei um grupo de apoio e encontrei o ACA – Amamentando com Amor (lista de discussão). Esse foi um marco fundamental para o meu sucesso, além das palavras de apoio e incentivo da Analy, que sempre me inspirou e a quem eu carinhosamente apelidei de “fada madrinha da amamentação”. Ainda tenho muito a dizer sobre o preconceito e como consegui levar essa batalha até onde eu quis (2 anos completos) mas, para encurtar a história que já está enorme, vou atribuir o sucesso da nossa jornada de amamentação ao apoio dessas pessoas. Obrigada Analy, obrigada Mirka, obrigada ACA e obrigada Amigas do Peito. Sem vocês provavelmente eu não teria conseguido.

Eu volto para falar do preconceito na nossa fase de 1 a 2 anos.

Parabéns Matrice pelo trabalho!

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Falta um dia apenas!!!!!

julho 31, 2008

Gabriel nasceu prematuro, de 33 semanas. Nasceu muito bem de saúde, quem teve problemas fui eu. Começou tomando Nan em sonda e depois no copinho durante sua internação na semi-intensiva, pois eu estava na UTI e não podia amamentá-lo. Logo que tive alta, foi prescrita a ele a amamentação não nutritiva para aprender a sugar e quando ele mesmo teve alta, 15 dias depois, estava no aleitamento materno exclusivo! Nossa primeira vitória!

Mas foi em casa que as coisas começaram a não sair como programado!

Do primeiro para o segundo mês meus mamilos estavam doendo muito. Mas todos falavam “é assim mesmo, logo pára de doer…

Só que Gabriel não tinha uma boa pega (hoje eu sei disso) e continuei com a amamentação exclusiva que para mim, não era um prazer como tantas falavam! Do segundo para o terceiro mês passei umas das fases mais difíceis da minha vida. Sentia muita dor pra amamentar o Gabriel e toda vez que ele chorava de fome, eu chorava porque já sabia a dor que eu ia sentir!

Ele mamava de 2h em 2h e gostava de dormir no peito, e muitas vezes ficava meia-hora, 40, até 50 minutos sem largar o peito e eu achava que tinha que deixar, que ele estava mamando…

Leite Nan, mamadeira ou chupeta não tinham feito parte do enxoval dele e nunca na minha vida pensei que teria que usá-los! Mas cheguei ao meu limite…

Meu sonho era entrar em trabalho de parto… ter um parto o mais natural possível… e amamentar exclusivamente até o sexto mês…

Mas depois de, no sétimo mês de gestação, ter que fazer uma cesárea de emergência e  “perder” os momentos mais desejados da minha vida, a vontade de amamentar o Gabriel ficou infinitamente maior! Para mim, era o resgate do vínculo que tinha perdido no momento do nascimento dele, já que quando foi tirado de dentro de mim não veio parar de chorar pertinho do meu rosto… não veio para o meu colo receber meu calor… não veio mamar no meio seio… não veio comigo para casa…

Meu emocional estava muito abalado! Eu chorava da dor física e da dor de ver meu bb desejar tanto ficar no meu seio e eu não agüentar e não poder deixar! Pra acalmá-lo comprei uma chupeta. E chorando dei pra ele…

Procurei ajuda nos bancos de leite, com enfermeiras, pediatras e uma fonoaudióloga. Mas não sei porque não consegui que me ajudassem! Até que não suportando mais as dores de rachaduras profundas, fissuras, bolhas e os mamilos sem a pele, comprei uma mamadeira e uma lata de Nan…foram 3 dias só de mamadeira, sem o peito pra que começasse o processo de cicatrização. Tive que fazer isso, senão teria desmamado Gabriel.

Foram 40 dias de mamadeira junto com o peito e o Nan, quando não conseguia ordenhar o suficiente pra uma mamada.

Mesmo dando mamadeira, conseguia pôr ele no peito quando não doía tanto…e as feridas foram sarando! Nunca deixei de pensar no meu objetivo: voltar a amamentação exclusiva!

Quando Gabriel estava com 3 meses e 17 dias voltamos à amamentação exclusiva! Nem acreditei! Meu mamilos só doíam um pouco durante a mamada, mas já não ficavam mais machucados! Eu tentava arrumar a pega do Biel o mais que podia, mas o danadinho não queria saber de abrir a boca!

Um mês e meio depois ainda continuava só no peito, mamando muito, graças a deus! A pediatra ainda prescreveu a introdução da alimentação aos 4 meseso quê? Depois de tanto sacrifício terminar assim a amamentação exclusiva? De jeito nenhum! Comecei com as frutas quando ele completou exatamente 5 meses, 1 semana antes de eu voltar a trabalhar!  Não tinha condições de estocar leite pra continuar o aleitamento exclusivo até o sexto mês, mas depois de tudo que passamos, me sinto realizada do jeito que tudo aconteceu!

Hoje Gabriel com 1 ano e 5 meses ainda mama no peito e só tenho a agradecer meu marido, minha família, que muito me incentivou, me apoiou nos momentos mais difíceis de decisões, de dores, de amor…

E as meninas da lista bestbaby, que participaram ativamente de todo o processo, e que apesar de estarem longe fisicamente, foram muito mais presentes, estiveram muito mais ao meu lado, desejaram com todas as forças que eu não desistisse de amamentar muito mais do que qualquer profissional que tive contato aqui em Campinas!

Vanessa Lopes, 34 anos, enfermeira, mãe feliz do Gabriel

Faltam 5 dias…

julho 27, 2008

Depois de engravidar, meu sonho era amamentar para me sentir completa. Queria sentir o calor do meu filho perto de mim, que ele pudesse ter o contato mais natural possível com as vitaminas que o leite materno dispõe. Pra minha felicidade, em uma das consultas do pré-natal, minha médica disse que eu já tinha colostro, aos 5 meses de gestação. Mas meus seios são pequenos e eu pensava que não teria leite suficiente. Pensei também: “e se ele não quiser mamar?” Eram tantas as dúvidas e inseguranças, juntando com os hormônios super-ativados da gravidez, que o jeito mesmo era esperar pra ver. Participávamos de um grupo de casais grávidos onde aprendemos sobre o antes, o durante e o depois do nascimento. Essa vivência nos ajudou bastante, dando-nos segurança e desmistificando muitas crenças que passam de geração em geração.

De um parto domiciliar, nasceu Ernesto! Nosso primogênito chegou no dia 4 de janeiro de 2007, após 21 horas de trabalho de parto  acompanhadas das doutoras Melania e Leila e da doula Daniela.  Durante todo o TP, o apoio do pai foi incondicional, auxiliando nas massagens para relaxamento durante as contrações e sempre presente chamando: “vem, Ernesto!”. O momento do nascimento é maravilhoso! O fato de Ernesto ter ido para meu colo logo após a expulsão foi de extrema importância: o reconhecimento do seio, o calor dos braços da mãe, mesmo antes de cortar o cordão umbilical. Pra minha felicidade, ele queria mamar! E depois que o leite “desceu”, haja peito! Tanto que consegui armazenar alguns vidros de leite. Levei alguns para doar, e ainda consegui fazer um pequeno estoque congelado ou pasteurizado.

Queria que meu filho mamasse exclusivamente mesmo após minha licença maternidade terminar. Sempre adotei a técnica de deixá-lo mamar um dos seios o máximo possível para que, dessa forma, ele pudesse sugar o colostro que vem primeiro e o “leite de verdade” que vem depois. Depois, na próxima mamada ele mamava o outro seio o máximo possível. Aprendemos que deixá-lo mamar 15 min em um seio e 15 min em outro era errada, pois assim ele acaba mamando somente o colostro e não ganha peso. Nos primeiros dias, confesso que fiquei desesperada, pois ele escolheu um dos seios e não queria o outro. O mamilo daquele que ele escolheu começou a rachar e o outro, cheio, vazando, começou a “endurecer” e doer, foi sofrimento. Tinha que persistir, e não desistir de amamentar. Contei com a ajuda da “bombinha” pra esvaziá-lo e com a ajuda do pai para fazer o bico rejeitado “aumentar”. Era isso! Eu tinha um dos mamilos “curto” e Ernesto preferia aquele mamilo maior, que dava uma pega melhor. Ele mamava, 40, 50 minutos. Na próxima mamada ele não aceitava o outro, e doía e eu chorava e ele chorava também. Depois, com insistência e paciência, o problema foi resolvido em alguns dias! Outra noite de sofrimento que marcou foi por volta do 7º dia de nascido. Ernesto mamou. Mas mamava e chorava. Desesperado! Ninguém dormia. Pensei: “meu leite secou!”. Apertava os mamilos e não saía leite. O que eu faço? Pedi uma lata de complemento na farmácia. “Ah, não! Vou ter que dar complemento, com menos de 1 mês?” Calma! Liguei pra doula, conversamos um pouco. Resolvemos que iríamos esperar até o dia seguinte para ver se o fluxo de leite voltaria ao normal. Ligamos pra farmácia e cancelamos o pedido do complemento. De fome ele não ia morrer. Fomos acalmando-o com carinho e oferecendo o peito, nem que fosse pra fazer de chupeta. No outro dia, para a nossa felicidade, o leite jorrava! Ernesto agradecia e se esbanjava de tanto mamar!

Enfim, nada como o apoio de pessoas certas numa hora dessas! Hoje, com 1 ano e 6 meses, Ernesto ainda mama. É um garoto saudável, alegre e esperto.

Sylvana Carla, mãe do Ernesto

Falta uma semana…

julho 25, 2008


Eu tive minha primeira filha na década de 70, anos em que a amamentação não era ensinada nas faculdades de medicina, nem nas aulas de pediatria…Sou médica pediatra e, como era comum na época, recebi da Nestlé latas e latas de leite em pó “Nanon”, logo após o parto.

Eu sabia que o leite materno era o melhor porque nos livros de Pediatria havia uma frase sobre alimentação infantil que dizia: DAR PREFERÊNCIA AO LEITE DO PEITO . Só que neles não havia sequer uma palavra sobre a técnica de amamentar ou sobre sua importância. Tive muitas dificuldades no início da lactação, desenvolvi fissuras muito dolorosas e mamas ingurgitadas. Eu acabei insistindo por heróicos 15 dias (e minha mãe protegeu bravamente minha decisão), quando finalmente eu e minha filha nos adaptamos, superamos a dor e a amamentação se estabeleceu. Quem me deu apoio? Minha mãe, claro! Mas quem nos deu força foi a Laika, uma pequena “vira lata” lá de casa! Aconteceu que poucos dias depois do meu parto, D’alma, minha cadela de raça, pariu 6 robustos filhotes. Como ela parecia estar realmente muito abatida depois de um trabalho de parto de 8 horas, nós decidimos dar aos filhotes o leite em pó que eu acabara de ganhar de presente. Depois de introduzido o leite artificial, ela se desinteressou pela cria. Dia após dia, os filhotes foram morrendo, até que Laika, a outra cadela, apesar de não ter engravidado, passou a produzir leite, adotou e amamentou os 3 últimos cachorrinhos. Esses acontecimentos impressionaram muito a mim e à minha mãe, e fizeram com que nós resistíssemos ao apelo da  Nestlé para introduzirmos leite em pó (imaginem só, uma pilha de latas de leite gratuitas, chegando e entrando dentro da nossa própria casa !!!),

Foi assim…Ah! e o resto do leite que recebemos por meses consecutivos? bem… mamãe tentou algumas receitas, mas como elas não deram certo, ela apenas aproveitava as latas, para fazer mudas das plantas do nosso jardim, aquelas que os nossos crescidos cãezinhos tinham a mania de destruir…

Ana Júlia Colameo, mãe e pediatra, membro da IBFAN

Faltam 9 dias…

julho 23, 2008

Sempre achei que amamentar seria uma coisa natural e fácil. Natural é, mas não foi nada fácil.

Tive um parto domiciliar super tranquilo mas meu bebê não quis mamar logo que nasceu e com isso percebi que ali começaria a minha luta. Eu não tinha bico, então a Ana Cris me aconselhou a usar as conchas para formar o bico. Comprei no dia seguinte e começei a usar. O Felipe resolveu mamar e com muita vontade. Meu leite desceu logo e não tive grandes problemas, só uma febre e um mal estar, que logo passaram. Ele mamava com muita vontade e cada vez que ele pegava o peito eu sentia mais dor. O bico foi ficando machucado e a dor aumentando. Ele tinha uma pega perfeita, mas mesmo assim doía bastante.

Adotei a livre-demanda, ele mamava a toda hora e o peito cada vez mais machucado, não doía mais só quando ele começava a mamar, mas a mamada toda. Meu marido me apoiava, mas minha mãe e minha sogra falavam que não tinham conseguido amamentar, que era muito difícil, que se eu desistisse não teria nenhum problema. Mas eu não queria desistir, sabia que era o melhor para o meu filho e não podia desistir.

Quando ele estava com 15 dias não aguentei, chorava só de pensar que ele ia acordar para mamar, meu marido chegou do trabalho a noite e me pegou chorando junto com o bebê desesperada e dizendo que não estava mais aguentando. Acho que juntou tudo e desabei. Ele ligou para os meus pais e eles vieram pra casa. Meu pai comprou uma lata de Nan e minha mãe deu a mamadeira pro Felipe, porque eu não conseguia. Saí pra comer alguma coisa, precisava colocar as minhas idéias em ordem. Pensei: Amanhã vou alugar uma bomba e tirar o meu leite pra dar pra ele. Se não conseguir amamentar no peito pelo menos o meu leite ele vai tomar. Não conseguia nem pensar em colocá-lo no meu peito naquela hora. Hoje sei que foi mais piscológico do que físico, mas naqulele momento estava em desespero.

No dia seguinte, aluguei a bomba e comecei a tirar o meu leite, mas eu estava inconformada de dar Nan pro meu filho. Tinha vergonha de receber visitas por causa da mamadeira. Chamamos a Ana Paula em casa e ela foi um anjo. Conversou comigo e me fez ver que não era o fim do mundo, que isso acontecia bastante e que realmente é muito difícil a amamentação exclusiva. Fiquei um pouco mais calma e disse pra mim mesma: Vou dar um tempo e vou começar tudo de novo.

Depois de uns dias tirando meu leite e complementando com Nan, eu voltei a dar o peito. Foi uma alegria enorme, eles não doíam mais, estavam cicatrizados. Só o que me incomodava um pouco era a sonda de relactação que usei com medo dele não pegar o peito. Mais uns dias e fomos na consulta com o Cacá, foi uma terapia, chorei tudo que eu tinha pra chorar e ele me disse: Vocês não precisam da sonda. Cheguei em casa e guardei aquela sonda no fundo do armário e realmente nós conseguimos nos acertar e tudo foi ficando perfeito.

Um pouco antes da consulta de 2 meses o tempo deu uma esfriada e o Felipe não queria saber de mamar, só ficava 5 minutos no peito e depois largava. Liguei para o Cacá deseperada e ele disse que se ele estava ativo, não tinha problema nenhum. Fiquei mais calma. Na consulta de dois meses veio o susto, o Felipe não tinha engordado quase nada em 40 dias. Ainda bem que o pediatra era o Cacá. Ele me pediu pra colocar o Felipe bastante no peito e voltar lá depois de uma semana. Tentamos fazer um intensivão mas ele não queria, chegava a ficar 5 horas sem mamar, mas mesmo assim engordou mais um pouco e chegamos a conclusão que ele seria magrinho como o pai.

Agradeci a Deus por ter um pediatra que pensa assim. Ele sempre está na faixa vermelha do gráfico de peso e ele disse que não tem problema, porque está crescendo super-bem. Quando ele estava com 3 meses e meio e faltavam 15 dias pra eu voltar a trabalhar comecei a fazer o estoque de leite. Depois descobri que tinha que ter começado antes, mas a moça do aluguel da bomba me disse que só podia congelar o leite por 15 dias. Mesmo assim consegui fazer um estoque de 1 litro. Mas uns dias antes de eu voltar a trabalhar o meu leite deu uma diminuída e o Felipe teve um surto de crescimento e queria mamar cada vez mais. Tive que dar o meu estoque para o Felipe mamar nesses dias e ele se foi. Agora que estou trabalhando, estou sem estoque e produzindo em um dia o que ele vai tomar no outro e ele mamando cada vez mais e assim vamos levando, um dia de cada vez. Mas eu gostaria de dizer que vale muito a pena. É gratificante saber que aquele bebezinho está crescendo a cada dia graças a você.

Debora e Felipe (4 meses)

Faltam 13 dias…

julho 19, 2008

Quando meu segundo filho, Fernando, nasceu, eu me achava a mãe mais experiente do mundo. Tinha um filho de dois anos, o Henrique, que tinha mamado no peito até nove meses de idade e com quem a amamentação tinha corrido muito bem.

Na gravidez do Henrique, eu tinha feito o cursinho de gestantes do hospital, onde ensinavam que “pega boa” é “boquinha de peixe” e sem fazer estalinho. Não que esteja errado, mas eu achava que isso era tudo e que amamentar o Fernando ia ser “bico” – sem trocadilhos.

Não podia estar mais enganada. O Nando berrava já na maternidade. Mamava muito e berrava mais ainda. Em casa, meus mamilos começaram a ficar cheios de fissuras e as dores eram absurdas. Dor do parto é moleza, perto da dor de fissuras mamilares (pelo menos, para mim). Aí começaram os palpites.

“Para quê isso?”. “Desmama esse moleque, para que sofrer tanto?”. “Amamentei o fulaninho só um mês e ele nunca ficava doente!”. Tudo isso no meio da minha dor: podia ser um diabinho me tentando… Podia, mas não foi. Porque eu estava muito firme na minha decisão de amamentar o Fernando, nas minhas convicções de que o leite materno era o melhor alimento para meu filho. A dor era ruim, mas era algo que eu conseguia isolar, não prestar atenção nela e sim no bebê, que mamava com gosto.

Acontece que, desde que meu primeiro filho nasceu, eu fazia parte de algumas comunidades virtuais de mães recentes e gestantes. Descobri o GAMA, a Ana Cris, as doulas, a Ingrid Lotfi (doula no Rio de Janeiro) e muitas outras organizações e pessoas que incentivavam o parto natural e a amamentação. Essas “descobertas” foram muito importantes, mas a Ingrid Lotfi foi fundamental. As coisas que a Ingrid escreveu lá atrás, em 2003, fizeram a diferença em 2005, na minha insistência em manter o Fernando no peito.

Comecei a tomar algumas medidas para tentar curar meus mamilos. Tomava sol nos seios, passava pomada de lanolina, fiz compressa de casca de papaia, passei chá de casca de romã e usei uma pomada cicatrizante. Foi funcionando aos poucos. Daí, ganhei um intermediário de silicone e quase que meu filho larga o peito: aquela coisa deslocava-se para dentro da garganta dele e causava ânsia. Fora que o leite diminuiu. Tomei chá-da-mamãe, tintura de algodoeiro, descansei de montão e o leite foi voltando, o peito sarando e o Fernando sempre mamando. Não foi uma história longa, porque, aos sete meses do Fernando, ele largou o peito. Insisti por uma semana, mas ele ficou irredutível, fazia cara de nojo e tudo mais.

De qualquer modo, esse é meu relato de apoio na amamentação: o incentivo que a querida Ingrid Lotfi me deu, dois anos antes de meu segundo filho nascer, foram a força de que eu precisava para resistir a tanta pressão para desistir. O apoio é importantíssimo e pode assumir várias formas. Para mim, veio na forma de uma mulher do Rio de Janeiro, que conheci em uma lista, arrumando a maior briga na defesa do parto natural, e que acabou virando minha amiga. Uma amiga que nunca vi de verdade, só em fotos e conversando por emails. O amor escolhe as mais diversas formas de se manifestar. Apoio à mulher que amamenta é amor, sim. Obrigada, Ingrid!

Pri, mãe do Henrique e do Fernando

Faltam 17 dias… mais uma semana se passou!!

julho 15, 2008

Amamentar era o sonho da minha vida! Tanto quanto ter o meu filho de parto natural. O encanto se quebrou quando meu filho teve quer ser internado na UTI por desconforto respiratório. Foram dias de tortura e a única coisa que eu pensava era: não vou conseguir amamentá-lo. Mesmo na UTI recebendo o leite que eu ordenhava com muito amor e carinho, os dias iam se passando, meu gatinho melhorando rapidamente e minha paúra de levá-lo para casa e descobrir que ele não ia querer mamar mais, pois somente no momento que nasceu, sentiu o calor do meu seio na ânsia de alimentá-lo, e depois ele foi levado de mim. Uma frase ecoava na minha cabeça como um mantra: “Se até mãe adotiva amamenta, por que você não conseguiria? Amamentar não é só saciar a fome. É uma comunhão de amor entre você e ele”, dizia o pediatra do Enzo para mim, sempre aflita.

Cada dia que se passou em casa foi uma vitória, uma conquista! No começo da amamentação ele teve problemas de pega, eu problemas com monilíase, mas a dor sentida face ao seu sorriso de prazer acalentado nos meus braços não tinha intensidade alguma.

Minha mãe sempre foi uma graça, todos os dias ao meu lado repetindo a mesma frase, com aquele amor incondicional de mãe que todos conhecemos: tudo isso vai passar filha. Amamentar é muito gostoso e você vai ver como é. Vai melhorar… vai melhorar… e o pranto dela rolava junto com o meu.

Os dias passaram e comecei a sentir o maior prazer da minha vida: amamentar o meu filho com paz e tranquilidade. Sem medos, nem dores. Hoje o Enzo tem quase 2 anos, e meu maior presente é ainda poder oferecer para ele o leitinho que eu preparo ao longo do dia enquanto trabalho, com o maior amor do mundo: o leite materno.

Gisele, mãe do Enzo

E faltam 23 dias…

julho 9, 2008

Amamentar era algo que faltava em mim para que eu me completasse como mãe, demorou nove anos para que essa dádiva acontecesse.

Quando meu primeiro filho nasceu eu era completamente ignorante de informações, sabia que era bom amamentar e desejava fazê-lo, mas não foi assim que aconteceu. Ele nasceu prematuro, ficou na UTI e na maternidade enquanto eu aguardava sua saída com os seios fartos de leite e febris, simplesmente me deram uma bomba manual, uns potinhos e falaram “vai ali, tira o leite”… Que mãe consegue essa proeza estando em contato com seu filho através de uma janela de vidro? Tristes lembranças. Quando levei meu filho pra casa, saí com a receita de 60 ml de Nan a cada três horas, aquilo parecia a receita da salvação do meu filho… minha pobre ignorância com a ignorância “sábia” e absurda de alguns médicos. Meu filho ganhou peso logo, e de um bebê magérrimo ficou um bebê obeso em poucos meses, contudo pequeno em estatura. Hoje as coisas já estão normais com ele.

Hoje posso afirmar que renasci na maternidade também para ele: amamento minhas duas filhas, gêmeas da mesma placenta nascidas em dias diferentes, sete horas de paciência da santa equipe que me acompanhou.

A Fernanda faz hoje 10 meses e amanhã a Gabriela, tenho orgulho em dizer que elas não conhecem outro leite senão o meu, tenho orgulho em olhar para essas meninas saudáveis, fortes, grandes e saber que são frutos das minhas entranhas, foram alimentadas por mim em meu ventre e continuam sendo alimentadas por mim e assim serão enquanto houver prazer nesse ato.

Isso eu consigo porque busquei informações, encontrei pessoas que são realmente humanas nas suas maiores consequências e busquei eliminar um pouco as minhas ignorâncias, hoje sou responsável por isso. Conto também com um marido que em nenhum momento questionou minhas intenções, pelo contrário apóia e partilha os mesmos pensamentos e desejos.

Encontrei dificuldades, ouvi gente falando do tal complemento, do leite “fraco”, da pouca quantidade… isso tudo eu literalmente ignorei. O que foi mais difícil foram os primeiros dias quando os seios se encheram demais e ficaram febris, e eu chorei de dor ao amamentar e amamentar dois bebês. Eu pedi ajuda e recebi a visita da Priscila que em duas horas de paciência e doação me ensinou a ordenhar, fazer compressas frias e corrigir a pega… pronto, em dois dias tudo normal, ainda alguma dor e logo nada mais, somente o prazer.

Minhas meninas mamam juntas, separadas, quando querem. Mamaram assim que nasceram e esse é o laço que nos estreita cada dia mais. Por isso hoje sou mais mãe, sei o que é ser mãe, mãe que se faz em alimento para os filhos e quanto mais amo ser mãe, mais leite jorra de meu seio. Eu acreditei em mim e consegui. Não sei de onde vem tanto leite, mas ele é real e vital.

Patrícia, mãe das gêmeas-fofas Fernanda e Gabriela

Faltam 24 dias…

julho 8, 2008

Até a balada, quem sabe…

Posso começar dizendo que amamentar pra mim sempre foi considerado item acima de qualquer discussão, ou seja, eu queria amamentar até uns 2 anos, pelo menos. Isso sempre esteve em mim, assim como o parto normal, o que era natural até então.

O parto natural eu consegui, mas desde que estava grávida, devido a relatos que eu lia de grupos que eu participava, eu tinha medo mesmo era da amamentação. Alguma coisa me assombrava, eu tinha muito medo desse momento.

E nos primeiros dias, com muito leite, meus seios ficaram irreconhecíveis. Botava a Isa pra mamar a toda hora e ela sempre teve muita força. No começo achei normal, mas aí vieram os machucados, sapinho, na boca dela e no meu seio, e começaram os dramas.

Foi cruel, eu liguei pra minha doula, pro neonato que me atendeu em casa, escrevia pras listas que eu participava, localizei sites de amamentação que davam dicas, pq eu não aguentava mais ficar com o seio pra fora, colocando compressa de camomila, pomada lansinoh, e nada resolvia… quando a parteira que me atendeu, também especialista em amamentação, foi em casa e viu que minha bebê me mordia ao invés de sugar, fizemos um exercício simples e a partir daí as coisas começaram a melhorar.

Confesso que muitas vezes eu chorei no pé da cama, fui consolada todas as vezes pelo meu marido, que sempre me incentivou. Pensei em desistir e dar leite artificial um milhão de vezes, mas não tinha coragem, achava que estaria sendo desonesta com minha filha, pois eu tinha muito leite… era questão da gente se acertar. E eu tinha convicção que iria vencer essa batalha, iria dar pra minha filha todo leite que ela quisesse.

Depois desse dia da parteira em casa, as coisas começaram a fluir. O seio foi melhorando, meu relacionamento com a minha filha melhorou (na hora da amamentação, era tudo muito tenso, muito nervoso) e esse momento, antes doloroso, passou a ser prazeiroso.

Amamentar não é fácil no começo. É preciso ter convicção no que vc quer, se não você se rende a primeira prescrição de leite artificial do pediatra. Eu tive a maldita prescrição, pois a Isa perdeu bastante peso no começo, mas joguei ela no lixo, e troquei de pediatra. E também é preciso ter apoio. Eu tive apoio incondicional do meu marido, que jamais sugeriu dar outro leite que não o meu, apoio de uma rede virtual de amigas que eu nem conheço pessoalmente, mas que ajudam muito e também da minha parteira querida, que foi até em casa pra ver o que estava acontecendo.

Hoje estamos felizes e muito bem resolvidas. Minha bebê tem 1 ano e 1 mês, mama 2x ao dia (na hora que acorda e antes de dormir), aos finais de semana mama a hora que quer ( ela já pede, então fica bem mais fácil) e iremos continuar assim até que ela queira…

Já ouvi todo tipo de argumento contra a amamentação, mas me faço de surda. Me perguntaram uma vez até quando eu iria amamentar. Eu respondi: Até o dia que minha filha virar pra mim e responder: – mãe, dá um tempo, tô atrasada pra uma balada…   😉

Amamentar hoje pra mim é uma delícia. Mas eu não teria conseguido sozinha. Metade foi minha convicção, a outra metade foi a ajuda externa que recebi.

Drica, mamãe da Isabela

26 dias…

julho 6, 2008

Meu pequeno nasceu no dia 5/10/05. No mesmo dia que nasceu eu o amamentei. Pra mim, amamentar foi um momento de glória, uma vitória.

No primeiro dia foi tudo lindo. Mas depois meu bico foi rachando. Eu não entendia porquê. Ele mamava direitinho, encaixado certinho, por que rachar? Mas rachou… milhares de pessoas recomendavam diversas pomadas. Passei todas que me falaram. Nada adiantou.

Quando meu bebê acordava eu começava a chorar pois sabia que começaria aquela dor de novo. Mas eu amamentava. Sentia dor? Sentia… Mas sentia também um orgulho de mim por estar proporcionando ao meu filho o alimento mais puro, mais saudável que ele poderia tomar naquele momento. Eu colocava um pano na boca e ia… firme e forte.

Depois de poucos dias o peito parou de sangrar mas ainda doía muito. Meu marido quis comprar mamadeira mas eu não deixei. Eu sabia que se ele comprasse, eu, em algum momento poderia dar pra trás. Continuei no peito. A dor era só na hora que ele pegava. Depois aliviava e o momento ficava mágico pra nós dois. Comecei a usar umas conchinhas e foi aí que meu peito melhorou de vez. Mas nisso já tinham passado quase 3 meses. O contato do bico com o leite cicatrizou de vez e eu pude amamentar com o prazer de só sentir a sintonia entre meu pequeno e eu. Nada de dorzinha na hora de pegar o bico.

A dor grande dos primeiros dias, a dor depois e a dorzinha do fim não me fizeram, em momento algum, pensar em desistir de alimentar meu filho com algo que era dele por direito.

Eu amava amamentar. Me sentia realizada, sentia que meu filho se realizava também. Até os 5 meses e 20 dias fomos cúmplices exclusivos desse momento tão lindo.

(…)

Nesses 11 meses de amamentação posso dizer que fui completa, me senti a mãe mais poderosa do mundo vendo meu filho crescendo com algo que saía de dentro de mim. Estou grávida de 14 semanas e com certeza meu bebê será amamentado com o mesmo amor e carinho como o Miguel foi. Eu sempre escutei aquela frase – “amamentar é um ato de amor” – mas só tive certeza disso depois que vivenciei esse momento.

Lívia Guimarães, mãe do Miguel