Posts Tagged ‘ganho de peso’

Último dia da Semana…

agosto 10, 2008

Mesmo antes de engravidar, para mim duas coisas pareciam bastante óbvias e naturais: o parto normal era o melhor para mãe e bebê e a amamentação exclusiva era o melhor também para ambos. Só ao longo da gravidez é que eu fui entendendo que nenhuma das duas coisas eram tão óbvias assim hoje em dia.

A minha irmã tinha tido problemas no início da amamentação da minha sobrinha: seios rachados, pega incorreta. Lembro-me dela amamentar chorando de dor. Ela teve apoio, do projeto Casulo, lá em São José dos Campos, e amamentou a Juju até mais de um ano.

Como eu tinha medo das rachaduras, eu me preocupei com o que eu achava que era necessário para a preparação do seio: bucha vegetal, sol de vez em quando etc.

Por sorte, eu tive um parto normal e o Rodrigo veio mamar em seguida. Ele não pareceu se interessar muito, só ficava dando umas lambidinhas curiosas e me olhando com aqueles olhões que ele tem…

Optamos por alojamento conjunto, mas mesmo assim o Rodrigo – que nasceu às 10h da noite – só voltou pro quarto no outro dia, por volta das 6h da manhã. Todas as vezes que ele chorava, eu o pegava no colo e oferecia o peito. Mas como o meu seio é super plano, ele não encontrava o bico e ficava reclamando. Ou então, se uma enfermeira me ajudava a fazer uma “prega” para facilitar a pega, ele mamava um bocadinho e logo dormia de novo…

Na sexta-feira teve uma coisa engraçada, porque eu estava meio grogue de sono, cansaço e provavelmente da anestesia e entrou um pediatra novinho para me avisar que estava tudo bem com o Rodrigo e que ele tinha deixado uma receita de Nan caso fosse necessário. Eu não lembro direito do que respondi, mas acho que fui muito irônica porque ele ficou bem sem jeito, disse que era só por precaução e saiu rapidinho…

O Rô nasceu na quinta e o meu leite desceu com tudo mesmo no sábado à noite. Aliás, um show de horror esse sábado. A gente inventou de dar as primeiras vacinas ainda na maternidade e o Rê ficou febril da reação (que eles garantiram que não ia acontecer). Aí, os meus seios duros de leite, doendo muito, e o Rô não conseguia mamar…No meio de tudo isso, entra uma enfermeira me dizendo que o Rodrigo está febril porque eu fechei as janelas e o quarto estava abafado, e que ela vai levá-lo pro berçário para dar Nan senão ele vai desidratar! Nem é difícil imaginar o que aconteceu, né? Chorei um tempão, super preocupada e super chateada, vendo ele tomando Nan no copinho enquanto eu fazia compressas geladas para melhorar a dor no seio. Que raiva!

No outro dia, antes de eu sair do hospital, as enfermeiras me recomendaram comprar um intermediário de silicone, para facilitar a pega. Com medo de ver a amamentação ir por água abaixo, foi o que fiz. O Rodrigo parecia pegar melhor mesmo e eu via a boquinha dele cheia de leite.

Aí, primeira visita à pediatra e o menino tinha ganhado pouco peso. Mas a pediatra disse que tudo bem, que era normal, que eu não deveria me preocupar. Ela viu o Rô mamando, achou que a pega estava boa e tudo bem.

Só que o Rodrigo chorava muuuito, de dia e de noite. E quando mamava, ficava 40 minutos em cada peito.

Segunda visita à pediatra e ele continuava engordando pouco. Ainda bem que ela era tranquila, e me disse para não desistir, ficar tranquila, beber água e me livrar do intermediário. E aí entra um apoio fundamental: minha mãe, que tinha vindo passar uma semana comigo e com toda a paciência do mundo com minhas inseguranças e hormônios-descontrol me ajudou a acertar a pega. Resultado? Rodrigo passou a mamar em no máximo vinte minutos, dormia muito e começou a engordar num ritmo absurdo…

Esse foi o primeiro desafio. Depois vieram outros, como as crises com os períodos em que aumentava muito a demanda dele – porque ele estava em crise de crescimento, porque a rotina tinha mudado, porque ele me queria por perto… Algumas vezes eu quase desisti. E aí entra outro apoio fundamental, que foi a lista Materna. Na lista, encontrei principalmente “escuta” e respostas que me ajudavam a compreender melhor o que estava acontecendo, a pôr em perspectiva o momento de crise em relação a todo o processo de amamentação, enfim, a reencontrar tranquilidade para segurar a onda e decidir com mais informações.

Não tenho dúvidas de que esses apoios foram essenciais, tanto no início quanto depois, para possibilitar uma experiência tranquila de amamamentação. Hoje o Rodrigo está com 2 anos e 9 meses, e ainda mama de vez em quando.

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5 º dia de SMAM

agosto 5, 2008


 

Sophia e eu nos encontramos ao ar livre pela primeira vez às 10 horas de uma manhã fria e chuvosa de agosto, em 2003. Os fatos que antecederam aquele momento não foram nada parecidos com os desejos acalentados durante toda a doce espera, já que passei por toda uma seqüência de intervenções impostas que resultaram numa cesárea malvinda. Minha bebê Sophia me foi mostrada por uns dois segundos, que foram suficientes para que ela calasse seu choro sentido e trocasse comigo um profundo olhar… seu cheiro ficou impregnado em minhas narinas dali para sempre. Nós só nos encontraríamos de novo doze horas depois, graças a uma intensa batalha para driblar os protocolos da instituição, que me negou qualquer contato com minha filha enquanto não me transferia para um leito vago!

Enfim, o momento esperado havia chegado. Ficaríamos dali para frente em alojamento conjunto, embora fôssemos quatro mulheres internadas naquela enfermaria e o espaço fosse muito pequeno para os berços. E, frustação sobre frustração, minha filha parecia absolutamente desinteressada em meu peito, chorava desconsolada. A auxiliar de enfermagem que a trouxe saiu da enfermaria com um olhar de reprovação, dizendo que voltaria depois para ver como estávamos nos entendendo. Algum tempo depois voltou e afirmou que eu não estava tentando o bastante! Ai, eu estava aberta ao meio, de corpo e alma, e ainda levava bronca… Estava também preocupada de atrapalhar o sono das companheiras de quarto, já era bem tarde. Acho que a auxiliar percebeu meu desconforto, e finalmente se compadeceu: “olha, descansa um pouco, vou levar o nenê para uma voltinha, daqui a pouco trago de volta”. Como ela demorava, resolvi ir atrás e… encontrei-a dando NAN para Sophia! Com muito jeito – eu tinha receio de me tratarem mal – disse a ela que isso não ia ajudar em nada o bebê, e levei-a de volta para o berço. Não é preciso dizer que a menina adormeceu profundamente, só acordando no início da manhã.

Aí, o “milagre” aconteceu. Entrou no quarto uma auxiliar com uma carinha de tia da gente, da família. Me perguntou como estava o aleitamento e eu chorei, contando tudo o que havia acontecido. Ela me confortou, e disse que isso não era nada, que minhas mamas eram lindas, estavam cheias de leite e tudo ia dar certo. Falava e olhava nos meus olhos como se me conhecesse de muito tempo. E aí disse uma coisa maravilhosa: “sua filha só precisa saber que VOCÊ é o conforto de todos os males dela, e eu vou te ajudar… põe um pezinho para fora do macacão, que eu vou bancar a bruxa feia”. Para minha surpresa, ela encostou uma gaze úmida na sola do pezinho, enquanto eu posicionava o bebê. Confesso que tive dó, mas o choro cessou imediatamente quando ela percebeu o peito próximo, abocanhou com tudo e certinho, mamando gostosa e longamente, de olhinhos virados. A moça me disse: “não se preocupe, nunca mais precisamos fazer uma maldade dessas com ela de novo, tadinha, agora ela sabe que pode contar com você, e que você é tudo de que ela precisa”.

Saímos do hospital no dia seguinte. Tive apenas uma leve escoriação num dos bicos, que rapidamente cicatrizou e descamou. Descobri muito rápido que sabia tudo de amamentar, bastava me deixar levar pelas necessidades que tínhamos de estar juntas, eu e minha filha. Amamentar com gosto e muito prazer foi o melhor dos remédios para a tristeza que tinha sentido pela cesárea indesejada, foi a melhor das curas. Ali percebi minha autonomia, minha capacidade de gerar vida, e retomei o protagonismo que havia perdido no momento do parto.

Quando levei minha filha ao pediatra, 40 dias depois (sim, demorei, não queria nenhuma interferência e estava completamente auto-confiante!), fiquei super-orgulhosa ao ver que ela havia ganho 2 quilos! Não pude manter no exclusivo por causa da volta ao trabalho, mas escolhi não introduzir nenhum outro leite, apenas outros alimentos. Levantava às 4 da manhã e ordenhava meu leite para congelar. Na creche, ensinei as cuidadoras a descongelar e oferecer, e conseguimos manter essa rotina até que ela completasse 10 meses.

Foi uma doce interpendência que se desenvolveu ao longo de 1 ano e meio, até que um dia a danadinha me disse que não queria mais meu peito. Fiquei bem órfã, mas também percebi que minha mocinha estava agora exercendo sua autonomia e suas escolhas.

Ela vai completar 5 anos durante a SMAN, e conheço poucas crianças tão expressivas em seus próprios sentimentos e tão confiante em si mesma. Outro dia, tomando banho juntas, ela acariciou minha cicatriz e disse: “tadinha da mamãe, não vou deixar nenhum médico cortar sua barriga mais, tá?”

Débora mãe da Sophia

Faltam 9 dias…

julho 23, 2008

Sempre achei que amamentar seria uma coisa natural e fácil. Natural é, mas não foi nada fácil.

Tive um parto domiciliar super tranquilo mas meu bebê não quis mamar logo que nasceu e com isso percebi que ali começaria a minha luta. Eu não tinha bico, então a Ana Cris me aconselhou a usar as conchas para formar o bico. Comprei no dia seguinte e começei a usar. O Felipe resolveu mamar e com muita vontade. Meu leite desceu logo e não tive grandes problemas, só uma febre e um mal estar, que logo passaram. Ele mamava com muita vontade e cada vez que ele pegava o peito eu sentia mais dor. O bico foi ficando machucado e a dor aumentando. Ele tinha uma pega perfeita, mas mesmo assim doía bastante.

Adotei a livre-demanda, ele mamava a toda hora e o peito cada vez mais machucado, não doía mais só quando ele começava a mamar, mas a mamada toda. Meu marido me apoiava, mas minha mãe e minha sogra falavam que não tinham conseguido amamentar, que era muito difícil, que se eu desistisse não teria nenhum problema. Mas eu não queria desistir, sabia que era o melhor para o meu filho e não podia desistir.

Quando ele estava com 15 dias não aguentei, chorava só de pensar que ele ia acordar para mamar, meu marido chegou do trabalho a noite e me pegou chorando junto com o bebê desesperada e dizendo que não estava mais aguentando. Acho que juntou tudo e desabei. Ele ligou para os meus pais e eles vieram pra casa. Meu pai comprou uma lata de Nan e minha mãe deu a mamadeira pro Felipe, porque eu não conseguia. Saí pra comer alguma coisa, precisava colocar as minhas idéias em ordem. Pensei: Amanhã vou alugar uma bomba e tirar o meu leite pra dar pra ele. Se não conseguir amamentar no peito pelo menos o meu leite ele vai tomar. Não conseguia nem pensar em colocá-lo no meu peito naquela hora. Hoje sei que foi mais piscológico do que físico, mas naqulele momento estava em desespero.

No dia seguinte, aluguei a bomba e comecei a tirar o meu leite, mas eu estava inconformada de dar Nan pro meu filho. Tinha vergonha de receber visitas por causa da mamadeira. Chamamos a Ana Paula em casa e ela foi um anjo. Conversou comigo e me fez ver que não era o fim do mundo, que isso acontecia bastante e que realmente é muito difícil a amamentação exclusiva. Fiquei um pouco mais calma e disse pra mim mesma: Vou dar um tempo e vou começar tudo de novo.

Depois de uns dias tirando meu leite e complementando com Nan, eu voltei a dar o peito. Foi uma alegria enorme, eles não doíam mais, estavam cicatrizados. Só o que me incomodava um pouco era a sonda de relactação que usei com medo dele não pegar o peito. Mais uns dias e fomos na consulta com o Cacá, foi uma terapia, chorei tudo que eu tinha pra chorar e ele me disse: Vocês não precisam da sonda. Cheguei em casa e guardei aquela sonda no fundo do armário e realmente nós conseguimos nos acertar e tudo foi ficando perfeito.

Um pouco antes da consulta de 2 meses o tempo deu uma esfriada e o Felipe não queria saber de mamar, só ficava 5 minutos no peito e depois largava. Liguei para o Cacá deseperada e ele disse que se ele estava ativo, não tinha problema nenhum. Fiquei mais calma. Na consulta de dois meses veio o susto, o Felipe não tinha engordado quase nada em 40 dias. Ainda bem que o pediatra era o Cacá. Ele me pediu pra colocar o Felipe bastante no peito e voltar lá depois de uma semana. Tentamos fazer um intensivão mas ele não queria, chegava a ficar 5 horas sem mamar, mas mesmo assim engordou mais um pouco e chegamos a conclusão que ele seria magrinho como o pai.

Agradeci a Deus por ter um pediatra que pensa assim. Ele sempre está na faixa vermelha do gráfico de peso e ele disse que não tem problema, porque está crescendo super-bem. Quando ele estava com 3 meses e meio e faltavam 15 dias pra eu voltar a trabalhar comecei a fazer o estoque de leite. Depois descobri que tinha que ter começado antes, mas a moça do aluguel da bomba me disse que só podia congelar o leite por 15 dias. Mesmo assim consegui fazer um estoque de 1 litro. Mas uns dias antes de eu voltar a trabalhar o meu leite deu uma diminuída e o Felipe teve um surto de crescimento e queria mamar cada vez mais. Tive que dar o meu estoque para o Felipe mamar nesses dias e ele se foi. Agora que estou trabalhando, estou sem estoque e produzindo em um dia o que ele vai tomar no outro e ele mamando cada vez mais e assim vamos levando, um dia de cada vez. Mas eu gostaria de dizer que vale muito a pena. É gratificante saber que aquele bebezinho está crescendo a cada dia graças a você.

Debora e Felipe (4 meses)

Faltam 11 dias pra SMAM!

julho 21, 2008

Primeiro, parabéns pela iniciativa de vocês!

Em todos os tipos de trabalho de promoção da saúde, acho que o que mexe mais profundamente com as mulheres é o da troca de experiências entre iguais, ou pelo menos parecidos, se é que me entende. Eu juro que resisti bastante para mandar esse depoimento. A gente sempre tem uma porção de coisas pra fazer… Mas qdo vcs mandaram esse email só pra mim, aí eu não resisti, e embora eu já tenha apoiado muita gente, e saiba direitinho ou pelo menos imagine o valor desse apoio, só depois dessa experiência pela qual eu passei com o meu filho caçula, o Henrique (e lá se vão 16 anos) é que eu pude ver a grandeza dele, e mais, a partir daí me empoderar para apoiar verdadeiramente outras mulheres nessa caminhada. Gostaria de que tivessem como premissa que todo o meu relato foi a minha experiência e de minha família, não estando eu querendo com isso dizer o que é ou não certo fazer, mas sim contando a nossa experiência para que possa ajudar a outras mulheres a atravessar esta fase da melhor maneira.

O Luís Felipe foi nosso primeiro filho, super desejado, passei uma gravidez maravilhosa, plena, feliz. Participei de grupos de gestantes e desde o primeiro dia do pré-natal falei para a obstetra que queria ter parto normal, e ela concordou dizendo que tudo bem. Ao final da gestação, eu estava na 39ª sem e nada de entrar em trabalho de parto, todos sabem como é a ansiedade desse período, aí foram pedidos os exames: ultrasonografia e doppler. Na 40ª semana, já bastante ansiosos, eu também não entrava em trabalho de parto e aí começaram as conjecturas médicas: a placenta pode estar muito madura, não estar nutrindo tão bem o bebê; pode haver uma circular de cordão, de repente é por isso que vc não entra em trabalho de parto, enfim, nesse país de cesarianas, nós três (pai, mãe e bebê) precisávamos de mais para enfrentarmos toda essa pressão. O final dessa estória é fácil de saber: eu fui submetida a uma cesariana e a idade gestacional do Luís Felipe após o exame feito pelo pediatra foi de 38 semanas. É claro que não estava na hora…

Pra completar, ele teve icterícia neonatal (muito provavelmente por conta de algum tipo de prematuridade, já que o nosso sangue não é incompatível), tivemos de ser reinternados em outro hospital para que ele recebesse tratamento e fototerapia. Nem preciso dizer que daí para frente as coisas foram ficando cada vez mais difíceis. Eu só fazia chorar e tinha um sentimento de frustração e perda enormes. Quando tentava colocar meu filho no peito ele chorava, chorava, e com meu estado ansioso cada vez tinha menos leite. Em sua primeira consulta com quase um mês de vida ele tinha perdido quase 500 gramas.

Depois analisando, em outros momentos também, mas pude perceber que principalmente neste momento eu precisei de apoio de alguém que pudesse clarear as coisas, mas não tive. Meu marido se sentia tão fragilizado como eu, embora solidário. Nem profissionais de saúde, nem amigos, nem parentes, ninguém que pudesse nos apoiar naquele momento, não da forma como precisávamos. E olha que nós recebemos muitas visitas…

Mas como depois de uma noite vem outro dia, meu filho foi crescendo lindo e muito amado, embora eu tivesse isso mal resolvido em mim… Foi quando, 1 ano e 5 meses depois, descobri que estava grávida do Henrique, que não foi planejado, mas também muito desejado tão logo soubemos. Podem imaginar todos os filmes que passaram na minha cabeça naquele início de gravidez. Nessa época eu já estava trabalhando com mulheres e grupo de gestantes e trabalhava com profissionais de saúde muito experientes com gestantes e partos. Minha primeira dificuldade foi escolher quem acompanharia meu parto, até que por indicações cheguei a um obstetra que eu sabia acompanhar a maioria dos partos vaginais. Acabei que só comecei a fazer o acompanhamento pré-natal com 16 semanas tamanha era a minha dificuldade em escolher com medo de me frustrar mais uma vez.

Participei de um maravilhoso grupo de gestantes, com coordenadoras super legais e fiz trabalho corporal durante toda a gravidez. Com 39 semanas, durante o banho, perdi o tampão mucoso, aquela  “gosminha” que fica no colo do útero durante a gravidez. A combinação que fiz com o obstetra é de que ele só interviria (cesariana) caso fosse extremamente necessário, observando-se também que eu tinha uma cesariana anterior e que esse útero poderia ter uma ruptura durante o trabalho de parto. A única coisa que ele me pediu é que gostaria de acompanhar meu TP comigo internada por segurança. Eu topei as condições. Após perder o tampão comecei a sentir contrações fracas, mas fui à consulta. Não tinha dilatação, as contrações passaram e ele explicou que o tampão poderia inclusive se refazer, que não seria para aquele dia, mas pra eu ficar atenta, e tentar fazer as coisas que gostava, relaxar. Naquele dia fui passear com meu marido na praia, tomar água de côco. Dois dias depois as contrações começaram brandas e à tarde foram ficando mais  fortes. A noitinha quando fui examinada, o obstetra me disse que eu tinha 4/5 cm de dilatação e que eu deveria me internar. Eu, que na outra gravidez não tinha sentido absolutamente nada, nem perdido o tampão, estava muito feliz com todas aquelas sensações que estavam acontecendo com o meu corpo me dando a certeza de que o nosso filho estava chegando da melhor forma. Internei às 23h, e cada vez as contrações e conseqüentemente a dilatação aumentava.  Meu marido e as coordenadoras do grupo de gestante estiveram o tempo todo comigo, fazendo massagens, me davam banho, me acariciavam, caminhávamos madrugada afora. Ás 6h fui levada para a sala de parto, aí já estava com 9 cm de dilatação, sentindo algumas contrações incômodas, mas muito feliz. Quando comecei a me posicionar na sala de parto, o obstetra conversou comigo se não gostaria de ficar de cócoras, pois assim participaria mais ativamente do nascimento de meu filho. Realmente não era essa a minha pretensão, mas rapidamente pensei na idéia e resolvi topar o desfio (mais um).

Às 6h15 meu filho nasceu através de parto de cócoras, eu o peguei e coloquei ao seio para mamar na mesma hora. E ele mamou muito. Realmente não posso descrever a emoção que senti e o que aquilo representou para mim e para a nova família que se formava naquele momento. Durante e após o nascimento, embora num hospital, a luz era baixa e a atitude era de imenso respeito e gentileza com que estava acontecendo e com a nova vida que chegava com aquela manhã. O céu que podia ver entre as persianas era vermelho de crepúsculo, foi muito emocionante. O apoio continuava nos primeiros dias; fui com o Henrique ao grupo toda feliz e orgulhosa contar a experiência do parto para as outras grávidas. E embora tivesse uma cirurgia de redução mamária anterior (outra questão muito controversa) eu persisti amamentando exclusivamente, seguindo todas as orientações e sendo muito apoiada de todas as formas.

Na consulta dos 30 dias (e eu tinha medo dela, pois o meu mais velho nessa pesagem havia perdido quase 500 gramas) eu tive a maravilhosa, e inédita surpresa de que o meu filho, apenas com o meu leite, e nós dois, nós três, nós quatro, com muito APOIO engordou 700 gramas neste primeiro mês!!!!!!! Para mim isso foi o nirvana e a coroação de tudo o que eu almejei. É claro que, indiscutivelmente, eu acreditei em mim, mas o apoio foi fundamental neste processo. Principalmente no meu caso, por ser enfermeira, as informações, as técnicas, ficam muito no terreno racional, e precisamos que tudo isso passe  para o plano emocional para que seja vivenciado plenamente e transformado numa experiência positiva. E isso se consegue com apoio, com troca de experiências, com afeto, com carinho, com colo, com peitos! 

Espero que a minha experiência de apoio possa abrilhantar o calendário do grupo Matrice. Parabéns, meninas!!

Fernanda Sá, enfermeira, fotógrafa e mãe de Luis Felipe e Henrique

Faltam 24 dias…

julho 8, 2008

Até a balada, quem sabe…

Posso começar dizendo que amamentar pra mim sempre foi considerado item acima de qualquer discussão, ou seja, eu queria amamentar até uns 2 anos, pelo menos. Isso sempre esteve em mim, assim como o parto normal, o que era natural até então.

O parto natural eu consegui, mas desde que estava grávida, devido a relatos que eu lia de grupos que eu participava, eu tinha medo mesmo era da amamentação. Alguma coisa me assombrava, eu tinha muito medo desse momento.

E nos primeiros dias, com muito leite, meus seios ficaram irreconhecíveis. Botava a Isa pra mamar a toda hora e ela sempre teve muita força. No começo achei normal, mas aí vieram os machucados, sapinho, na boca dela e no meu seio, e começaram os dramas.

Foi cruel, eu liguei pra minha doula, pro neonato que me atendeu em casa, escrevia pras listas que eu participava, localizei sites de amamentação que davam dicas, pq eu não aguentava mais ficar com o seio pra fora, colocando compressa de camomila, pomada lansinoh, e nada resolvia… quando a parteira que me atendeu, também especialista em amamentação, foi em casa e viu que minha bebê me mordia ao invés de sugar, fizemos um exercício simples e a partir daí as coisas começaram a melhorar.

Confesso que muitas vezes eu chorei no pé da cama, fui consolada todas as vezes pelo meu marido, que sempre me incentivou. Pensei em desistir e dar leite artificial um milhão de vezes, mas não tinha coragem, achava que estaria sendo desonesta com minha filha, pois eu tinha muito leite… era questão da gente se acertar. E eu tinha convicção que iria vencer essa batalha, iria dar pra minha filha todo leite que ela quisesse.

Depois desse dia da parteira em casa, as coisas começaram a fluir. O seio foi melhorando, meu relacionamento com a minha filha melhorou (na hora da amamentação, era tudo muito tenso, muito nervoso) e esse momento, antes doloroso, passou a ser prazeiroso.

Amamentar não é fácil no começo. É preciso ter convicção no que vc quer, se não você se rende a primeira prescrição de leite artificial do pediatra. Eu tive a maldita prescrição, pois a Isa perdeu bastante peso no começo, mas joguei ela no lixo, e troquei de pediatra. E também é preciso ter apoio. Eu tive apoio incondicional do meu marido, que jamais sugeriu dar outro leite que não o meu, apoio de uma rede virtual de amigas que eu nem conheço pessoalmente, mas que ajudam muito e também da minha parteira querida, que foi até em casa pra ver o que estava acontecendo.

Hoje estamos felizes e muito bem resolvidas. Minha bebê tem 1 ano e 1 mês, mama 2x ao dia (na hora que acorda e antes de dormir), aos finais de semana mama a hora que quer ( ela já pede, então fica bem mais fácil) e iremos continuar assim até que ela queira…

Já ouvi todo tipo de argumento contra a amamentação, mas me faço de surda. Me perguntaram uma vez até quando eu iria amamentar. Eu respondi: Até o dia que minha filha virar pra mim e responder: – mãe, dá um tempo, tô atrasada pra uma balada…   😉

Amamentar hoje pra mim é uma delícia. Mas eu não teria conseguido sozinha. Metade foi minha convicção, a outra metade foi a ajuda externa que recebi.

Drica, mamãe da Isabela