Posts Tagged ‘livre-demanda’

Último dia da Semana…

agosto 10, 2008

Mesmo antes de engravidar, para mim duas coisas pareciam bastante óbvias e naturais: o parto normal era o melhor para mãe e bebê e a amamentação exclusiva era o melhor também para ambos. Só ao longo da gravidez é que eu fui entendendo que nenhuma das duas coisas eram tão óbvias assim hoje em dia.

A minha irmã tinha tido problemas no início da amamentação da minha sobrinha: seios rachados, pega incorreta. Lembro-me dela amamentar chorando de dor. Ela teve apoio, do projeto Casulo, lá em São José dos Campos, e amamentou a Juju até mais de um ano.

Como eu tinha medo das rachaduras, eu me preocupei com o que eu achava que era necessário para a preparação do seio: bucha vegetal, sol de vez em quando etc.

Por sorte, eu tive um parto normal e o Rodrigo veio mamar em seguida. Ele não pareceu se interessar muito, só ficava dando umas lambidinhas curiosas e me olhando com aqueles olhões que ele tem…

Optamos por alojamento conjunto, mas mesmo assim o Rodrigo – que nasceu às 10h da noite – só voltou pro quarto no outro dia, por volta das 6h da manhã. Todas as vezes que ele chorava, eu o pegava no colo e oferecia o peito. Mas como o meu seio é super plano, ele não encontrava o bico e ficava reclamando. Ou então, se uma enfermeira me ajudava a fazer uma “prega” para facilitar a pega, ele mamava um bocadinho e logo dormia de novo…

Na sexta-feira teve uma coisa engraçada, porque eu estava meio grogue de sono, cansaço e provavelmente da anestesia e entrou um pediatra novinho para me avisar que estava tudo bem com o Rodrigo e que ele tinha deixado uma receita de Nan caso fosse necessário. Eu não lembro direito do que respondi, mas acho que fui muito irônica porque ele ficou bem sem jeito, disse que era só por precaução e saiu rapidinho…

O Rô nasceu na quinta e o meu leite desceu com tudo mesmo no sábado à noite. Aliás, um show de horror esse sábado. A gente inventou de dar as primeiras vacinas ainda na maternidade e o Rê ficou febril da reação (que eles garantiram que não ia acontecer). Aí, os meus seios duros de leite, doendo muito, e o Rô não conseguia mamar…No meio de tudo isso, entra uma enfermeira me dizendo que o Rodrigo está febril porque eu fechei as janelas e o quarto estava abafado, e que ela vai levá-lo pro berçário para dar Nan senão ele vai desidratar! Nem é difícil imaginar o que aconteceu, né? Chorei um tempão, super preocupada e super chateada, vendo ele tomando Nan no copinho enquanto eu fazia compressas geladas para melhorar a dor no seio. Que raiva!

No outro dia, antes de eu sair do hospital, as enfermeiras me recomendaram comprar um intermediário de silicone, para facilitar a pega. Com medo de ver a amamentação ir por água abaixo, foi o que fiz. O Rodrigo parecia pegar melhor mesmo e eu via a boquinha dele cheia de leite.

Aí, primeira visita à pediatra e o menino tinha ganhado pouco peso. Mas a pediatra disse que tudo bem, que era normal, que eu não deveria me preocupar. Ela viu o Rô mamando, achou que a pega estava boa e tudo bem.

Só que o Rodrigo chorava muuuito, de dia e de noite. E quando mamava, ficava 40 minutos em cada peito.

Segunda visita à pediatra e ele continuava engordando pouco. Ainda bem que ela era tranquila, e me disse para não desistir, ficar tranquila, beber água e me livrar do intermediário. E aí entra um apoio fundamental: minha mãe, que tinha vindo passar uma semana comigo e com toda a paciência do mundo com minhas inseguranças e hormônios-descontrol me ajudou a acertar a pega. Resultado? Rodrigo passou a mamar em no máximo vinte minutos, dormia muito e começou a engordar num ritmo absurdo…

Esse foi o primeiro desafio. Depois vieram outros, como as crises com os períodos em que aumentava muito a demanda dele – porque ele estava em crise de crescimento, porque a rotina tinha mudado, porque ele me queria por perto… Algumas vezes eu quase desisti. E aí entra outro apoio fundamental, que foi a lista Materna. Na lista, encontrei principalmente “escuta” e respostas que me ajudavam a compreender melhor o que estava acontecendo, a pôr em perspectiva o momento de crise em relação a todo o processo de amamentação, enfim, a reencontrar tranquilidade para segurar a onda e decidir com mais informações.

Não tenho dúvidas de que esses apoios foram essenciais, tanto no início quanto depois, para possibilitar uma experiência tranquila de amamamentação. Hoje o Rodrigo está com 2 anos e 9 meses, e ainda mama de vez em quando.

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Faltam 4 dias…

julho 28, 2008

Meu nome é Fernanda, tenho 31 anos, sou pediatra e uma entusiasta da amamentação desde os tempos de residência. Mas, apesar de saber de todos os benefícios da amamentação na teoria, foi só ao ter meu primeiro filho que descobri a verdadeira maravilha que é  amamentar e fiquei pronta para apoiar e compreender  outras mulheres, amigas ou pacientes.

A minha sensação ao amamentar meu filho era de poder absoluto e de comunhão total com a natureza. É emocionante a troca de olhar e de carinho que acontece durante as mamadas. É incrível saber que tudo que eles precisam está lá, dependendo apenas da nossa vontade de amamentar. Agora estou super feliz em estar grávida novamente e ter uma nova chance de amamentar. Amamentar exige esforço e dedicação, mas com certeza vale a pena.

Fernanda, mãe do Felipe

Faltam 6 dias…

julho 26, 2008


Eu já passei das dificuldades iniciais da amamentação que, particularmente, foi uma experiência que ocorrera de forma tranqüila: o peito não rachou, foi exclusivo até os cinco meses, meu bebê se desenvolveu de uma forma maravilhosa.

Mas passo agora por outras dificuldades: as finais. E não é porque eu não consigo desmamar, pelo contrário, estabeleci que queria amamentá-lo até os dois anos. Mas o preconceito da sociedade e da família é muito grande.

Chamam meu filho de manhoso, de sem vergonha, como pode! Ele é um inocente de um ano de oito meses. A ginecologista chegou ao cúmulo de dizer que ele virá a ser um adulto problemático por causa disso, que eu tinha que tirar o peito urgentemente. O marido, apesar do seu amor e companheirismo, alega que não agüenta me ver acordando ainda, depois de mais de um ano,  de madrugada.

Mal sabe ele que eu ligo o piloto automático. É tão natural que eu não sinto o cansaço e o sono que ele diz que eu deveria sentir… Assim como todo o resto do mundo que jura saber como eu me sinto cansada.

Cansada nada! Ele continua mamando, acima de tudo porque eu quero, porque nós dois gostamos. Somos então dois sem-vergonhas, cúmplices nessa relação de amor e carinho mútuo. Ele mama até hoje porque, apesar de toda torcida contra, acho que faz bem , porque é seu acalanto, o seu remédio e a minha terapia.

Tatiana Ferreira e o bebêzão Luiz Tiago.

Leia mais sobre o tema:

  • As crianças que mamam no peito após um ano de idade, no mínimo duas vezes ao dia, conseguem garantir pelo menos 40% das necessidades nutricionais diárias. Além disso, as mães continuam garantindo uma ótima produção de anticorpos para defender essa criança de doenças”, explicou a coordenadora da Política Nacional de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, Sônia Salviano., no link abaixo;
  • O desmame precoce acarreta prejuízos tanto para os bebês como para as mães. A doença mais comum nas crianças é a diarréia, que leva muitas vezes a criança à desnutrição e à predisposição a outras infecções, como as respiratórias e as de ouvido, podendo levar à morte. As mães que amamentam mais seus filhos também reduzem o sangramento pós-parto e a possibilidade de desenvolver anemia. (link)
  • Aleitamento materno no 2º ano de vida: Cerca de 2 copos de leite materno fornecem mais de 90% das necessidades diárias de vitamina C, assim como % importante das necessidades de vitamina A, proteínas e calorias. (De: WHO/CDR/93.4 )

Nós da Matrice acreditamos e seguimos as orientação da Organização Mundial de Saude, que recomenda a amamentação até pelo menos os 2 anos, sendo que de forma exclusiva até os 6 meses!!!

Faltam 8 dias…

julho 23, 2008

 


 

 

Nunca pensei em ser mãe e nunca imaginei que esta experiência transformaria tão profundamente minha maneira de ver a vida. Miguel nasceu em um lindo parto domiciliar, rápido, intenso e poético. Ainda com o cordão conectado, mamou com volúpia. A amamentação, para mim, foi uma extensão da humanização do meu parto. Como nossa relação de mãe e filho foi respeitada, a amamentação transcorreu sem maiores complicações.

Os primeiros meses são intensos de dedicação para a mãe. Mas como estava em licença-maternidade, não senti o peso desta dedicação. A intensidade dos cuidados era proporcional à resposta do crescimento do Miguel.

Chegou a fase do nascimento dos dentes, das mordidas no seio, mas tudo me parecia muito normal e contornado com todo carinho, conversa e atenção. Depois dos 8 meses, continuamos com nossa lua de leite que continua intensa até hoje, aos 16 meses do Miguel. Espero que continue pelo tempo que nos for confortável.  Adoro o ver chegar, puxar a minha blusa e pedir “tetê”, me olhando com os olhos mais cheios de amor que vi em toda a minha vida. Não me incomodo de acordar de madrugada para amamentar, que cada dia tem sido mais raro.

Muita gente diz que o Miguel não gosta de comer porque mama muito. Eu acho isso ótimo. Ele quase nunca fica doente, é uma criança esperta, doce, sociável. A vida me fez uma mãe dedicada e trabalhando em casa posso continuar com a livre-demanda. Acredito que estes anos da vida da criança são fundamentais para sua formação imunológica e psicológica. Perto disso, o nosso esforço é tão pequeno e recompensador. Uma sensação que tenho é de que meu corpo está fazendo a melhor coisa que poderia fazer: servir para alimentar o corpo e a alma de alguém.

Kalu Gonçalves, jornalista, 28 anos, mãe do Miguel Narayan.

 

 

Faltam 12 dias…

julho 21, 2008

 

 Banco de imagens da Matrice

 

Durante a gestação contrai hepatite A, e o meu bebê apresentava uma imagem no seu abdome, na ultrassonagrafia, fui acompanhada pelo obstetra e por uma cirurgiã-pediátrica, já sabíamos que ele iria ser submetido a uma  cirurgia após o nascimento. Sendo assim, logo após o parto, o meu bebê foi para UTI neonatal, isso aconteceu às 23 horas e só no dia seguinte pude ter contato com ele. Ao primeiro encontro ele foi amamentado, tentativa de sucção, mas logo ele ficou de dieta zero para cirurgia, e depois da cirurgia foi alimentado por nutrição parenteral por 5 dias.

Durante esse período, minhas mamas estavam cheias e todos os dias eu passava horas no lactário do hospital, realizando ordenhas manuais, massagens e esvaziamento das mamas (que luta! e quantas lágrimas derramadas), mas pedia às lactaristas que não desistissem e continuassem todo o processo; até que um dia a cirurgiã me disse “Hoje você vai coletar o leite pois vamos alimentá-lo com o seu leite e se ele responder bem vamos liberar para ele sugar ao seio”, ele era o maior bebê da UTI naquele período (3.580 kg), as outras mães me diziam que queriam ver os filhos delas gordinhos como o meu, e tudo deu certo naquela tarde, ele aceitou o leite e logo foi colocado ao seio.

Que emoção! Já tinha uma experiência de amamentar minha primeira filha e sabia o quanto era importante para mim e para ele aquela atitude, e depois de passado todo esse sufoco ele mamou por um ano.

Sou enfermeira e trabalho em maternidade há 18 anos, sou defensora do aleitamento materno e atualmente estou aprendendo muito participando como presidente de uma comissão de incentivo ao aleitamento materno no hospital que trabalho.

Indira Araújo

 

Faltam 14 dias…

julho 18, 2008

Apoio à amamentação

 

Cada vez mais acredito que o melhor apoio que podemos ter é o apoio intrínseco, fortalecendo nossas convicções e opções por amamentar. Desta forma, apesar do incômodo, a falta de apoio alheio não modifica suas ações. Amamentei meu primeiro filho por nove meses baseado nas informações limitadas que eu tinha na época. Eu estava vulnerável ao que os outros acreditavam e me ensinaram.

Hoje, grávida de 8 meses, continuo amamentando minha segunda filha que completou dois anos em maio. E amamento, com ou sem apoio, pois ampliei minhas informações e sensibilizei minhas percepções sobre amamentação. 

Mas não nego que o apoio trás um conforto e uma sensação de ter aliados para seguir a luta.

Recentemente em uma viagem profissional a uma cidade pequena da Itália, senti isso na pele. Cada vez que amamentava minha filha em público, me sentia alvo de olhares de reprovação, nem por isso pensei em não amamentá-la mais, porém pensei em evitar aqueles olhares. Mas, antes de me esconder para amamentar, uma mulher se aproximou de mim após o término da amamentação e me disse cheia de alegria “Você está de parabéns, essa é coisa certa!!!!”

Esse apoio simples e inesperado foi o empurrãozinho que me fez seguir amamentando em público, não me sentindo mais incomodada com os olhares alheios!

Ana, na foto com Franciska

Faltam 15 dias…

julho 17, 2008

Eloise, amamentado sua filha Alice, enconstada no pai, todos no Forte de Copacabana (dez/2007)

Alice nasceu em outubro de 2007, no tempo certo, e eu me preparei bastante pra chegada dela. Queria muito amamentar, fazer tudo como deveria ser feito. Fui orientada a dar apenas o leite materno até os 6 meses de vida, e então rejeitei todos os conselhos de amigos e avós que queriam dar chazinhos, chuquinhas de água, leitinhos para complementar.

Mas na primeira semana de vida a situação foi um pouco caótica. Ela perdeu peso enquanto meu leite não chegava com força, e seguia mamando só o colostro. No quarto dia de vida uma enfermeira foi na minha casa pra furar a orelha dela e eu falei que ela chorava muito. Ela me aconselhou a comprar uma lata de NAN porque certamente a menina estava “morrendo de fome” e “desidratada” e eu era uma péssima mãe que deixava um recém-nascido sofrer por falta de leite.

Meu marido e minha mãe me disseram pra comprar o NAN. Eu corri pro banheiro, chorei, respirei fundo, e resolvi que não ia fazer isso. Eu tinha sido avisada de que na primeira semana era mesmo um pouco difícil, mas quando a gente vê aquela coisinha miúda chorando sem parar, começa a querer ouvir tudo que estão dizendo, pra buscar solução de qualquer maneira.

Lembrei da minha amiga da MATRICE, e liguei pra ela.

– Fabíola, minha filha está passando fome, ela só tem colostro pra se alimentar!!!

Ela me acalmou, me disse que uma colher de chá de colostro sustenta o bebê por horas, e que ela ia chorar mesmo, mas não era por estar desnutrida. Me orientou também a ver se ela fazia xixi, porque seria um indício de hidratação adequada.

Eu continuei um pouco atrapalhada, mas aceitei a informação, é claro. No dia seguinte resolvi ligar pra Stephanie, uma francesa que ministra cursos para gestantes aqui no Rio. Eu tinha feito cursinho sobre amamentação com ela, antes da Alice nascer. 

Ela me falou a mesma coisa, “calma, você já sabia que a primeira semana seria difícil, tente se acalmar e espere mais um pouco, se você der leite de vaca pra ela agora pode prejudicar as funções intestinais, pode ficar mais difícil depois”. Marquei um horário para visitá-la, no dia seguinte, levando a Alice para conversarmos e para que ela visse como estava a neném. 

Mas já era o sexto dia. De madrugada senti meus seios endurecendo, enchendo, e de manhã quando tirei a concha para amamentar eu vi o liquido amarelado, um amarelo bem clarinho, era o meu precioso leitinho que estava chegando!!!

Agradeço muito a Fabíola e a Stephanie, as duas me tranquilizaram muito e a partir daquele dia não faltou mais o leite.

Depois daquilo ainda tive uns problemas com vômitos. Alice vomitava muito, me dava cada banho de leite!!! Se antes o leite era pouco, passou a ser muito.. Mas isso foi resolvido também, depois de 3 pediatras me dizendo que ela tinha que ser medicada, resolvi ligar novamente pra Stephanie e marquei com outro médico, que até hoje cuida da minha filha. Ele me explicou calmamente que o refluxo dela faz parte do desenvolvimento e que ela não precisava de remédio nenhum para resolver o problema.

Com dois meses de vida o problema sumiu, e até hoje ela mama muito bem, sem vomitar, sem passar fome, e já completa 9 meses no próximo dia 08 de julho!!

No meio do caminho tive umas ocorrências normais, e ainda liguei mais algumas vezes para a Fabíola, que sempre teve muita paciência pra me acalmar e explicar o que estava acontecendo, sem que eu sentisse necessidade de procurar algum médico pra isso. 

 

Eloise Barreto, mãe da Alice

Faltam 16 dias…

julho 16, 2008

 

Ele nasceu no reveillon, com 2.900 kg. Eu não o tinha visto nascer, apesar de ter lutado com ele pelo seu nascimento. Foi extraído, aspirado, separado de mim e observado por 3 horas. Quando chegou pra eu conhecê-lo, era um pacote quentinho e miúdo, um serzinho com quem eu teria que formar vínculo, aprender a amar, e não tinha outro modo senão cuidando e amamentado muito!

Chegamos em casa depois de 2 dias e eu já sentia a pega errada dele, os mamilos sensíveis durante a mamada. Fiz tudo o que as pessoas da família me diziam para tentar aliviar a dor; a intenção era boa mas não tinha resultado.

Somado à dor estava a freqüência das mamadas, a perda de peso no primeiro mês, o cansaço e a insegurança da mãe recente, fui pedir apoio ao pediatra. Ao invés de incentivo, saí do consultório com uma receita de fórmula infantil e um pedido de exame de urina…

Comprei a fórmula por insistência do marido e fiz o exame: Breno estava mesmo com infecção urinária, pesava então 2,6 kg. Comecei a complementar as mamadas com o leite de vaca através de uma sonda ligada ao mamilo, ele tomou antibiótico, meu peito estava quase sarando.

Quando acabou a primeira lata de leite eu decidi que não iria comprar outra e que não iria pedir a opinião do pediatra; busquei informação nos sites de apoio à amamentação exclusiva e escrevi para as amigas Pati Merlin e Socorro Moreira.

Pata tinha um bebê 23 dias mais velho que meu Breno, e na mesma hora que escrevi ela me pediu meu telefone. Me ligou dizendo logo assim “você acredita no seu leite? Acredita que ele é forte e capaz de nutrir seu filho?” Era tudo o que eu precisava ouvir!

Com as dicas dela e da Socorro passei a complementar as mamadas com meu próprio leite ordenhado, passava também nos mamilos após cada mamada. Parei de me preocupar com o intervalo das mamadas e passei a amamentar em livre demanda, de dia e de noite, deixando Breno dormir comigo na cama. Em um mês ele engordou 1.2 kg, ganhou dobrinhas, estava se desenvolvendo muito bem! Hoje sei que o biotipo dele é mais “mignon”, por isso o ganho de peso dele nem sempre era o esperado, mas andou cedo, falou cedo, é muito inteligente e come de tudo!

Esse foi o início de um período de amamentação que durou mais de 3 anos, se não fosse o apoio das amigas e sites certamente não teria sido tão bem sucedido.

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Alice nasceu num parto na água que fechou muitas feridas de uma cesárea anterior. Na ocasião eu ainda amamentava o mais velho, Breno, que mamou boa parte da gestação também.

Eu acreditava que não teria problemas na amamentação por já estar amamentando há mais de 2 anos, já estar com os mamilos “calejados” e ter experiência, mas me enganei. Em poucos dias os mamilos e auréolas onde ela pegava feriram, chegaram a sangrar. Eu na época já sabia que não devia fazer o que fiz quando Breno começou a mamar, então nada de bico de silicone, casca de frutas, limpeza dos seios antes de amamentar.

Eu queria e sabia que podia amamentar exclusivamente ao seio, porém a dor era grande, eu já tinha minhas tarefas, tinha que cuidar de dois, não tive forças e recorri ao leite de vaca. Minha idéia era dar a fórmula uma ou outra mamada até os seios sararem, mas num certo dia ela chegou a ficar sem leite de mãe por 24 horas inteiras… Nesse dia pedi ao Breno e ele esvaziou os dois seios que estavam lotados, escrevi pras listas, sem vergonha de pedir ajuda, e pra Pata e Socorro de novo!

Dessa vez quem me ligou foi Socorro, que estava com seu filhote mamando exclusivamente, e recebi as dicas certas pra cicatrização e correção da pega. Mensagens de apoio vieram de vários cantos, e novamente usei uma lata de fórmula e pronto, estabelecemos a amamentação exclusiva que foi até quase 8 meses! Ela era uma bolinha, risonha e esperta, e tive muito orgulho de responder sempre que comentavam sobre as dobrinhas dela “é puro leite de mãe!”.

Ela está com 2 anos e 3 meses, ainda mama pra dormir (eu combinei isso com ela há 4 meses) e também se alimenta muito bem, nunca teve uma gripe forte, assim como o irmão.

Minhas experiências de amamentação apesar de tudo foram muito positivas, sou muito grata pelo apoio que recebi, e isso foi a inspiração para eu e Pata fazermos um blog de apoio para outras mães que desejam amamentar!

Rebeca, mãe de Breno e Alice

Faltam 18 dias…

julho 15, 2008

Curioso escrever esse relato justo hoje*, quando há pouco dei uma bronca no meu filhotinho porque ele insistia em morder meus mamilos, apesar de eu dizer “não morda, senão mamãe não lhe dá o peito”. Depois de muitos choramingos, e pedidos de desculpas na forma de 1000 beijos, retirei o castigo e sucumbi aos pedidos de “peito, peito, peito”. Ele mamou e dormiu.

Estamos no comecinho de julho de 2008, e no dia 6 completaremos, Gabriel e eu, 18 meses de amamentação. Um processo de crescimento mútuo e de transformações na vida de nossa pequena família, incluídos aí meu marido e meus pais, grandes incentivadores e primeiros de muitas pessoas que me ofereceram seu apoio na amamentação de meu filho.

Depois deles, recebi também o apoio de uma médica, aqui do Recife, que trabalha no Banco de Leite do IMIP, Dra. Bernadete Dantas. Ela tem um trabalho lindo com amamentação, tanto no Banco de Leite como em consultório, e quando estava grávida de 8 meses, marquei uma consulta. Boas notícias: segundo ela eu já tinha colostro e mamilos excelentes! Agora era dar banhos de sol nos mamilos e esperar a chegada de Gabriel.

Nossa jornada de amamentação começou, de fato, após um lindo parto hospitalar na água, em Recife, no dia de Reis de 2007. Apoiada por pessoas fantásticas, que tive a grande sorte de estarem a meu lado naquele momento, pude trazer Gabriel ao mundo da melhor maneira possível: um parto tranqüilo, natural, sem intervenções, plenamente consciente e feliz!!! Leila Katz, a médica que acompanhou a gestação e parto, foi a responsável por pegar Gabriel e colocá-lo no meu peito, imediatamente após o nascimento. Ato contínuo, ainda unidos pelo cordão umbilical, Leila, aquela que sempre apoiou minhas decisões, foi quem ajudou Gabriel a começar a mamar, dando a ele o primeiro apoio para ser amamentado.

Tive muita sorte, meus mamilos não racharam, o leite desceu rapidamente, ele mamava sem problemas. Que coisa fantástica, como a Natureza funciona!!! De meus peitos saía todo o alimento que meu filho precisava e, sintonizados com ele, sabiam quando ele ia despertar, começando a jorrar o leite segundos antes dele acordar. Nunca esquecerei essa sensação, e realmente lamento por aquelas que não sabem o que é isso.

Primeiras consultas com a pediatra, tudo ótimo. Até que, com quase 1 mês de nascido, teríamos que viajar a Espanha, a pediatra achou que Gabriel não ganhava tanto peso quanto deveria e indicou dar complemento. Atordoada, dei, e qual minha surpresa ao ver meu filhinho com febre, todo vermelho!!! Reação alérgica àquele leite estranho… Por telefone, minha amiga Thayssa lembra de Dra. Bernadete, volto a procurá-la, que novamente me dá o apoio necessário: não era caso de complementar com leite em pó. Examinou minhas mamas, leite sobrava. A pega estava ótima. Até que ela observou como ele mamava e verificou que ele gostava mesmo era de mamar o primeiro leite, mais aquoso e fácil de sair, e tinha preguiça de mamar o leite final, mais gorduroso. Recomendação: retirar o primeiro leite, reservar para dar depois da mamada e oferecer a mama com o leite posterior. Simples assim.

E a partir daí, tudo fluiu. Foram 6 meses de amamentação exclusiva, com direito a “copiarmos” a iniciativa da Matrice aqui em Recife e fazermos o primeiro “Mamando no Parque”, no dia das mães de 2007.

Retornei ao trabalho no 5o mês e recebi mais um grande apoio, dessa vez do pessoal do trabalho, que disponibilizou uma sala para que eu retirasse o leite com bomba tranqüilamente, bem como permitiram que eu alterasse o horário de trabalho para adaptá-lo melhor às necessidades do meu filho.

Aos 6 meses de vida, Gabriel começou a ter curiosidade por outros alimentos e iniciou uma nova fase, conhecendo os alimentos. Nem por isso a amamentação ficou de lado. Seguia mamando feliz da vida, e eu também. Aos 7 meses decidimos colocá-lo no berçário e qual a surpresa das pessoas ao verem que ele “ainda” mamava.

Foi a primeira de muitas reações, positivas e negativas. Há pessoas que ficam muito felizes em ver que você amamenta e que seu filho adora, mas infelizmente também temos que lidar com comentários desagradáveis. Decidimos, então, meu marido e eu, incluir os seguintes mantras em nossas falas: “a OMS recomenda o aleitamento, NO MÍNIMO, por 2 anos”... e para os que insistem, temos o “Gabriel é alérgico à lactose, e a pediatra recomendou amamentá-lo o máximo possível.”

Não só recebi muito apoio para amamentar, como também tento apoiar a quem me procura. Infelizmente não tanto quanto gostaria, mas faço o que é possível, na esperança de um dia dispor de mais tempo para me dedicar a essa tarefa, até porque observo que as mães e futuras mães pouco (ou nada) sabem sobre amamentação, que geralmente não é um processo fácil, principalmente na sociedade cesarista e imediatista em que vivemos, que insiste em retirar prematuramente os bebês do útero de suas mães e privá-los de serem amamentados.

Deixo aqui meu relato, com muitos beijos,

* Depoimento escrito no dia 3 de julho/2008, por Nelia, mãe do tagarela Gabriel, que nasceu no Recife, em janeiro de 2007, de PN hospitalar na água, com uma circular de cordão, sem intervenções nem lacerações, naquela maravilhosa banheira inflável azul que veio “d´além mar”, sob os cuidados de Leila e Melania

Faltam 19 dias…

julho 13, 2008

Relato de amamentação 100%
Gabriel nasceu de parto natural hospitalar no dia 17/5/2007 com 2985kg e 57cm… um menino lindo e saudável, na sua primeira hora de vida já foi para o peito, não mamou muito, mais esse primeiro contato foi muito importante para mim e para ele, foi o momento que olhamos nos olhos e nós descobrimos como mãe e filho.

Não tive nenhuma dificuldade em amamentar meu filho; de início ele teve uma pega certa, sempre foi um “bezerro”, não teve problemas de cólica, dor de ouvido, ou ainda de  trocar o dia pela noite, foi um bebê tranqüilo. Sempre mamou muito, e eu sempre estava/estou disponível para amamentá-lo.

Com 6 meses de vida, seguindo orientação do pediatra e outras pessoas, tentei introduzir a alimentação; as frutas, as verduras, os sucos, a aguá, etc…, mas nada do Gabriel comer. Fiz de tudo, segui todas as dicas e nada… resumindo, o Gabriel fez 1 ano e só mamava no peito, não tomava nem água.

Hoje com 1 ano e 1 mês ele começou a comer a comida do meu prato, 1,2, 3 colheres, não mais que isso… e sabe de uma coisa? ELE ESTÁ ÓTIMO!!!! São 9,700 kg e 76 cm de muita alegria, disposição e saúde, não perde em nada para bebês da mesma idade que comem de tudo… até hoje meu peito fica cheio e vaza constantemente, o Gabriel mama a cada 3 horas… acorda 2 vezes a noite para mamar… Foram muitos obstáculos para o meu bebê mamar exclusivamente no peito até 1 ano… e mostrei a muitos que é possível, se tiver peito para isso.