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É HOJE!!!

agosto 1, 2008


Caetano chegou junto com a primavera de 2007, 5h15 do dia 22 de setembro. O parto fora exaustivo e o sonho da amamentação nos primeiros momentos não se concretizou. Eu e meu gigantinho estávamos exaustos, com poucas forças e precisamos nos recompor para iniciar nossa relação de amor através do leite.

Mas não tardou tanto assim. Por volta de uma hora depois nos reencontramos, Caetano instintivamente abocanhou meu seio e ficamos ali, maravilhados com aquele contato. Tanto que nem notei que em certo momento ele largou o bico e passou a mamar na auréola esquerda, deslize imediatamente corrigido pelas parteiras da Casa de Parto que acompanhavam este momento com o intuito de auxiliar e incentivar o ato de amamentar.

Durante aquele sábado, amamentar foi uma delícia. Domingo percebi que ele era mais guloso que os outros bebês que nasciam naqueles momentos na Casa. Pedia muito o peito, tinha uma necessidade imensa de sugar e dormia muito pouco.

Por conta do peso de nascimento de Caetano, 4270k, ficamos por 3 dias na Casa de Parto quando o normal seria 24h. E foi na última noite que passamos lá, de segunda para terça-feira que a amamentação começou a ficar difícil.

Após o nascimento de uma menina, por volta da 1h da manhã, Caetano se agitou. Amamentava, mas não o acalmava. Uma das enfermeiras foi um pouco grossa ao entrar nervosa e dizer – mesmo depois de eu ter passado 2hs amamentando – que não ia falar mais uma vez o que eu tinha que fazer. Assustada, deitei com Caetano e amamentei em posições horríveis por 4 horas sem parar.

Ao amanhecer percebi que um dos meus bicos, o esquerdo, estava praticamente pendurado e o direito ‘apenas’ fissurado. Amamentar perdeu um pouco o brilho e ganhou muita dor e dificuldade.

Na tarde do mesmo dia já estava em casa (ufa!) e achei melhor tentar o famoso bico de silicone. Fomos eu e minha mãe numa farmácia e compramos. Não funcionou. A dor continuava com a presença do bico e Caetano ficava muito nervoso com aquele corpo estranho entre nós. Sem contar que os restos dos ferimentos grudavam no silicone e mesmo fervendo eu encontrava vestígios de sujeira, simplesmente nojento. Tentei por 2 dias e desisti.

Na quinta-feira decidi ordenhar e oferecer meu leite na colherinha para Caetano que aceitou. Assim, o bico descansou e eu combinei este descanso com a aplicação da casca de banana por 15 minutos e luz direta. No domingo o prazer da amamentação já estava conosco novamente.

Neste meio tempo o maluco do pediatra que se dizia a favor da amamentação preparou uma receita ridícula de NAN, alegando que Caetano deveria estar ganhando 30 grs por dia e que isto não estava acontecendo pois, apesar de eu ter um boa oferta de leite ele não conseguia ingerir o necessário. Dei um ponto final na nossa história com este médico louco, marquei com um homeopata e, no tempo em que esperava a consulta com este novo médico contei com o apoio das meninas da Matrice e tudo correu bem. Caetano nunca conheceu o tal NAN.

O prazer em amamentar aumentava gradualmente. Lembro que no ínicio amamentava de frente para um relógio, contando quanto tempo durava cada mamada. Não que em determinado momento eu tirasse Caetano do peito por decidir que já estava bom, aliás nem sei dizer porque, mas achava essencial olhar o relógio enquanto amamentava.

No segundo mês tive uma mastite (a primeira). Tive tanto medo de ter que parar de amamentar. Escrevi na lista da Materna e a Flávia Gontijo disse que eu poderia ligar para ela. Era madrugada, liguei e foi fundamental. Passei o resto da noite/madrugada aliviada, oferecendo muito o peito afetado para o Caetano. Acordei bem melhor e segui as outras dicas da Flá (água quente, dança africana, ordenha) e da Analy, que também me escreveu indicando os possíveis motivos da mastite. Foi após este episódio que aposentei o relógio e comecei a olhar mais para o Caetano durante as mamadas. Tentava olhar para cada poro do meu bebê, amamentava e contemplava!

Voltei ao trabalho quando Caetano tinha praticamente 6 meses com uma hora para amamentá-lo. Detalhe: sou educadora e Caetano está frequentando o berçário da Creche em que trabalho. Daí que não sofremos nenhum grande trauma neste período. Cheguei a estocar leite, mas não foi necessário pois amamentei no meio do expediente até que ele completou nove meses.

Tive uma outra mastite – esta bem mais traumática – durante o mês de junho. Dor, calafrios, febre local. Não parei de amamentar ainda assim e foi amamentando que a inflamação drenou. Alívio. Mais uma vez a parceria Elly&Caetano mostrava sua força.
Comecei a introdução de alimentos aos seis meses, mas ele não é grande fã de alimentos sólidos, come quando dá na telha. Agora começou a comer na Creche. Chora, mas come, dizem as professoras. Tem 9 meses, quase 10. Mama bastante durante a noite e isso não me incomoda. Percebo que muita gente tem necessidade de desmamar os bebês das mamadas noturnas e é algo que nem me passa pela cabeça.

Não serei hipócrita de dizer que amamentar é só flores, mas preciso dizer que é bom demais!

Elly, mãe do Caetano

Falta uma semana…

julho 25, 2008


Eu tive minha primeira filha na década de 70, anos em que a amamentação não era ensinada nas faculdades de medicina, nem nas aulas de pediatria…Sou médica pediatra e, como era comum na época, recebi da Nestlé latas e latas de leite em pó “Nanon”, logo após o parto.

Eu sabia que o leite materno era o melhor porque nos livros de Pediatria havia uma frase sobre alimentação infantil que dizia: DAR PREFERÊNCIA AO LEITE DO PEITO . Só que neles não havia sequer uma palavra sobre a técnica de amamentar ou sobre sua importância. Tive muitas dificuldades no início da lactação, desenvolvi fissuras muito dolorosas e mamas ingurgitadas. Eu acabei insistindo por heróicos 15 dias (e minha mãe protegeu bravamente minha decisão), quando finalmente eu e minha filha nos adaptamos, superamos a dor e a amamentação se estabeleceu. Quem me deu apoio? Minha mãe, claro! Mas quem nos deu força foi a Laika, uma pequena “vira lata” lá de casa! Aconteceu que poucos dias depois do meu parto, D’alma, minha cadela de raça, pariu 6 robustos filhotes. Como ela parecia estar realmente muito abatida depois de um trabalho de parto de 8 horas, nós decidimos dar aos filhotes o leite em pó que eu acabara de ganhar de presente. Depois de introduzido o leite artificial, ela se desinteressou pela cria. Dia após dia, os filhotes foram morrendo, até que Laika, a outra cadela, apesar de não ter engravidado, passou a produzir leite, adotou e amamentou os 3 últimos cachorrinhos. Esses acontecimentos impressionaram muito a mim e à minha mãe, e fizeram com que nós resistíssemos ao apelo da  Nestlé para introduzirmos leite em pó (imaginem só, uma pilha de latas de leite gratuitas, chegando e entrando dentro da nossa própria casa !!!),

Foi assim…Ah! e o resto do leite que recebemos por meses consecutivos? bem… mamãe tentou algumas receitas, mas como elas não deram certo, ela apenas aproveitava as latas, para fazer mudas das plantas do nosso jardim, aquelas que os nossos crescidos cãezinhos tinham a mania de destruir…

Ana Júlia Colameo, mãe e pediatra, membro da IBFAN

Faltam 10 dias…

julho 22, 2008

AMAMENTAÇÃO (quase) exclusiva e até quando Deus quiser!

Neste mês de julho de 2008 comemoramos 1 ano e 10 meses amamentando meu pequeno Kael. São aproximadamente 660 dias ou algo em torno de 3.960 mamadas! Uau!

“É suficiente”, diriam uns. “É demais”, diriam outros. “Ainda mama?”, se espanta a maioria.

Em casa nós dizemos: “Estamos quase chegando à recomendação da Organização Mundial de Saúde!”. E meu marido completa: “Quando ele entrar na universidade, ele larga”.

Como chegamos até aqui? A começar graças à minha disposição de mãe-mamífera, pois mais do que ninguém, nós (mães-mamíferas) temos que acreditar na nossa capacidade, ter muita determinação, perseverança, paciência e dedicação, assim conquistamos a confiança e o apoio de todos à nossa volta.

Mas como ninguém faz nada sozinho nessa vida, vencemos várias ‘batalhas amamentícias’ com o GRANDE APOIO de pessoas muito especiais:

 

Dra Leila: médica-comadre-amiga, me proporcionou o que considerei o primeiro passo para o nosso sucesso na amamentação: meu parto normal. Sim! Depois do parto me tornei muito mais segura, minha auto-estima melhorou e afinal, se eu tinha conseguido parir, era capaz de qualquer coisa!! Ao longo da amamentação me deu dicas de como diminuir o empedramento, meu companheiro constante, com a inesquecível técnica do ‘bebê rotativo’
Dra Gabriela: 1ª pediatra do Kael, o acompanhou em Recife no seu 1º ano de vida. Nesse tempo todo nunca sugeriu a introdução de leite artificial, pelo contrário, sempre me estimulava a estocar leite materno para o retorno ao trabalho e nos medicou na nossa primeira dificuldade: uma candidíase no mamilo por conta do uso de protetores de algodão. Ele estava com 10 dias de vida e eu tinha ligado na véspera pra perguntar pra ela quanto de NAN eu podia dar. No dia seguinte tínhamos consulta e ela avaliou o mamilo, passando remédio pra mim e pra ele. Insistiu pra continuar amamentando que iria ficar tudo bem. Nossa, como isso dói, arde, queima! Graças a essa candidíase nossa amamentação foi classificada como “quase-exclusiva”. Por 16 dias dei complemento de 60ml de leite artificial uma vez no fim do dia para que os pobres peitos ardidos pudessem respirar um pouco e se recuperar.
Graças ao Banco de Leite Humano do IMIP (Instituto Materno Infantil de Pernambuco) conseguimos nos libertar da lata de NAN aos 25 dias de vida. Impressionante a dependência que sofremos de uma miserável lata de leite! Lá no BLH do IMIP ele foi pesado (já havia ganhado quase 1kg), avaliaram a pega e o mamilo (já sem cândida) e me perguntaram por que eu complementava. Sem uma resposta decente, não restou outra alternativa senão abandonar o julgo daquela tal lata de leite. Cada dia sem o NAN era uma vitória… 1 dia sem NAN! 2 dias sem NAN! 3 dias sem NAN… até que… perdi a conta e recuperei minha confiança na minha capacidade de nutrir! Voltei algumas outras vezes por lá, para pasteurizar leite para estocagem, outras para doação, e ainda para avaliação médica quando tive uma ‘mini-mastite’ no retorno ao trabalho. Sempre fui MUITO bem atendida.
Amigos: alguns amigos em especial me ajudaram muito nessa jornada, como a Suzana que me repetia insistentemente para eu conhecer o IMIP (desde a minha gravidez); a Fabiana que me emprestou a bombinha tira-leite que salvou nossas vidas no retorno ao trabalho e nas incontáveis empedradas do caminho; Suely, parteira-comadre sempre orientando como lidar com a leitaria, penteando o peito, com banhos mornos ou simplesmente dedicando uma palavra de incentivo; a Analu, doula-amiga e constante companhia de mamódromos, fraldários e afins; Nélia, Aninha, Júlia, Dan e toda a turma mamífera que eu conheci depois que o Kael nasceu, minhas fontes de inspiração, minhas iguais.
Empresa, Chefe e Colegas de trabalho: voltei a trabalhar 1 semana antes de Kael completar 4 meses. Havia estocado alguns vidros de LM, mas como trabalhava longe e não podia voltar para almoçar em casa, o estoque tinha que ser muito maior. Não conseguia extrair suficiente durante a semana nos momentos em casa, então tive que ordenhar no trabalho, aproveitando as mamas cheias de saudade do meu pequeno. Usava uma sala de reunião, contando com um ‘colega-porteiro’ – que sabia o que se passava dentro da sala com papel afixado na janelinha de vidro. Retirava em torno de 150ml por dia que servia basicamente para a alimentação do dia seguinte, assim, sempre que podia em casa, nos fins de semana, estimulava a produção para conseguir garantir o estoque da semana. A geladeira da copa virou uma sucursal do IMIP, cheia de vidrinhos de leite, e o pessoal da limpeza já sabia que não poderia limpar a geladeira enquanto estivessem meus vidrinhos por lá. Até isso foi combinado pensando no Kael: o dia da limpeza da geladeira da empresa! Além disso, quantas vezes tive que sair correndo porque não tinha estoque suficiente e estava chegando a hora dele mamar, ou ainda por que tive que ir ao IMIP com ‘febre de leite’ ou para as regulares consultas à pediatra? Sem o apoio das minhas colegas, da minha chefe e a postura da empresa não teria dado certo.
Fábio: esposo, pai do Kael e companheiro de conquistas. Seu apoio vem desde a jornada rumo a um parto respeitoso, compreendendo minhas necessidades e expectativas. Com o nascimento do Kael acordava de madrugada e me socorria pegando o bebê pra mamar, colocando pra arrotar, ajudando nas cólicas. Nunca nem sequer passou pela cabeça dele que meu leite não fosse suficiente para nutrir seu filho, que crescia e engordava a olhos vistos. Ensaiou alguns ciuminhos ao me ver amamentando rua afora, mas logo percebeu que a finalidade era pra lá de nobre e uma fraldinha resolvia a parada. Não consigo imaginar como seria se ele não acreditasse na minha capacidade. Certamente não teria conseguido.
‘Mana’: minha babá, que virou babá do Kael. Após 30 anos cuidando de mim ela sempre se dedicou a cuidar do meu filho do jeito que eu determinei, e como a determinação era amamentação em livre demanda, evitar mamadeiras e aleitamento exclusivo até os 6 meses… Ela cumpriu seu papel sempre me lembrando de colocar a concha na sacola, escaldando e congelando intermináveis vidros de nescafé, lavando minuciosamente a bombinha tira-leite, posteriormente oferecendo com paciência invejável LM descongelado em copinho, depois em colherinha. Sem ela teria sido impossível o sucesso da amamentação especialmente após o retorno ao trabalho.
Mamãe: embarcou conosco na jornada. Sou filha única, Kael é o 1º neto… Muitas novidades desde meu nascimento em 1978. Achou meio esquisito quando eu recusei um ‘esterilizador de mamadeira’ que minha tia daria, mas aos poucos compreendeu que item mais desnecessário não poderia existir em uma lista de bebê. Mamãe participou como uma grande apoiadora em nossas decisões, desde o parto até a inevitável constatação que meu leite era a única coisa que o Kael precisaria até os 6 meses. Na verdade acho que ela nunca duvidou da minha capacidade, como é característico dela. Esteve presente na 1ª mamada, esteve presente quando sucumbi ao NAN, esteve presente quando me libertei do NAN, esteve presente quando comemoramos 6 meses de LM (tá, semi-exclusivo, mas vale a comemoração!) e está presente no processo de amamentação ‘quase-prolongada’… Sabe que o desmame ainda não está planejado e será lento, no nosso ritmo, por isso é capaz de viajar muitos km comigo para levar o Kael em meus compromissos profissionais e não interromper a amamentação bruscamente. Outra figura fundamental no nosso sucesso!

Então é isso! Não tem mistério! É graças a essa “tropa de elite” que temos levado esses 660 dias de nutrição, amor e saúde.

Thaíssa, mãe do Kael

Faltam 25 dias… Uma semana de relatos!

julho 7, 2008

 

Quando a bebê chegou no quarto, foi colocada no meu colo e tchau. Começou uma avalanche de dúvidas básicas dentro da minha cabeça, lá no quarto particular, com enfermeira pra ensinar e com apoio da família: será que é para amamentar agora? devo pedir licença pras visitas que vieram de tão longe? e agora, como eu faço pra abrir esse soutien segurando a bebê? tenho que segurar o pescoço dela… com a mão ou sobre o cotovelo? (e as pessoas: cuidado, ela está dobrada! cuidado, não-sei-o-quê!). Coloquei no bico e ela pegou, mas continuava chorando; chamei a enfermeira, que disse: “você tem que colocar a aréola inteira dentro da boca do bebê” (todos os manuais e pessoas sábias dizem isso; eu nunca consegui) por que eu não consigo? meu peito é muito grande e a boca dela muito pequena? (olhaí, deve haver quem não amamente por causa da relação “buco-peitoral” desfavorável!) aí engrenou mais ou menos, mas ela não parava de chorar; continuei insistindo. Bom, no geral, a instrução que eu tinha era: 15min de cada lado a cada mamada e 3 a 4 horas entre cada mamada. Começou a neura do relógio: agora são tantas horas, tenho que deixar mamar até tantas deste lado. Tensa, torta, preocupada com a saúde mental da bebê que havia nascido com Apgar 1 e olhos grudados no relógio.

No 2º dia começou a doer. Doer muito. Horrores. Vontade de chorar. Aí, a enfermeira do meu quarto particular chegou com um abajur para fazer banho de luz no seio; ótimo, por sinal, desde que a gente saiba o que está acontecendo! Desde que alguém explique! Daí, a maravilhosa enfermeira chegou ao maravilhoso quarto com uma mamadeira. Se eu soubesse tudo que sei hoje, mandaria pro espaço.

Mas eu não sabia, e deixei que ela desse pra que eu pudesse tomar banho de luz. Claro que não cicatrizou de uma mamada pra outra, e na tentativa seguinte esfolou tudo de novo. Eu: tensa, torta, preocupada com a saúde mental da bebê que havia nascido com Apgar 1 e que agora estava com icterícia. Com o peito completamente detonado, em carne-viva, eu olhava a desenvoltura de uma mãe americana que estava amamentando seu bebê na sala da luz para icterícia. Aí a enfermeira-que-ensina me deu um bico de silicone ao qual não me adaptei. Doía pra colocar e doía a mesma coisa quando ela tentava mamar. Me deram uma concha alemã muito maluca, que consistia de 2 peças, uma era um disco furado no meio o qual eu deveria atravessar com o meu bico; eu encaixava uma concha no perímetro externo desse disco de forma que o meu bico ficava lá dentro protegido do contato com a roupa, evitando atrito. Mas meu bico estava enorme e o disco ficava atritando do mesmo jeito…

Eu perguntava e ninguém me dizia, não sei porque, que era assim mesmo. Que doía mesmo! e ainda tinha a dor na epísio… Saí do hospital com os presentes: bico de silicone, concha alemã, mamadeira e um massageador para o rosto com o qual me ensinaram a massagear o seio e fazer vibrar os folículos das glândulas (muito legal mesmo). Em casa, meu peito ficou superinchado, imenso, imenso, o soutien 50 não servia mais. Tive febre. Fiz as massagens que me ensinaram com o massageador para rosto. Deixei água quente, pelando, caindo no peito. E NADA. O peito duro, dolorido, pesado. E a Beatrizinha chorando. Será que isto é a descida do leite? O que me disseram: “Seu leite empedrou”. Aí é que a Beatrizinha não conseguia mesmo mamar, porque o peito parecia uma bola de basquete, ela não conseguia encaixar a boquinha e eu me perguntava: será que ela acostumou com a mamadeira e não vai mamar nunca mais?

Eu chorava dia e noite, atormentada pelos mitos e frases feitas: empedrou, prefere a mamadeira, etc., até que um dia o pediatra se cansou de dizer a mesma coisa e disse: “se você não quer amamentar, dê leite em pó”. Fiquei ofendidíssima, mas foi nesse momento que eu percebi que não estava cumprindo a orientação dele: mal a menina encostava no bico eu já tirava, tão ansiosa que estava, achando que se não pegou e puxou e mamou em 2 segundos já não tinha dado certo. Foi quando deixei a criaturinha tentar com TODA a paciência, procurando a posição mais confortável e me concentrando nisso. Do nascimento ao estabilizar da amamentação, foi uma eternidade que durou 10 dias.

Na segunda e na terceira filhas, eu simplesmente pus o bebê pra sugar. Quando e quanto quiseram. Esfolou, doeu, chorei de dor durante algumas mamadas. Mas eu SABIA que ia passar, eu SABIA que só ia durar umas duas semanas.

Acredite, pra amamentar só precisa de bebê, peito e paciência. Saber que dói no começo ajuda muito, porque quando acontecer com você não vai ser uma surpresa. É como se alguém que já andou por aquele caminho tivesse te dado algumas dicas, e então você diz: “aqui tem muito espinho, mas logo adiante é um gramado lindo”.

Roselene, mãe de três meninas lindas!