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Faltam 10 dias…

julho 22, 2008

AMAMENTAÇÃO (quase) exclusiva e até quando Deus quiser!

Neste mês de julho de 2008 comemoramos 1 ano e 10 meses amamentando meu pequeno Kael. São aproximadamente 660 dias ou algo em torno de 3.960 mamadas! Uau!

“É suficiente”, diriam uns. “É demais”, diriam outros. “Ainda mama?”, se espanta a maioria.

Em casa nós dizemos: “Estamos quase chegando à recomendação da Organização Mundial de Saúde!”. E meu marido completa: “Quando ele entrar na universidade, ele larga”.

Como chegamos até aqui? A começar graças à minha disposição de mãe-mamífera, pois mais do que ninguém, nós (mães-mamíferas) temos que acreditar na nossa capacidade, ter muita determinação, perseverança, paciência e dedicação, assim conquistamos a confiança e o apoio de todos à nossa volta.

Mas como ninguém faz nada sozinho nessa vida, vencemos várias ‘batalhas amamentícias’ com o GRANDE APOIO de pessoas muito especiais:

 

Dra Leila: médica-comadre-amiga, me proporcionou o que considerei o primeiro passo para o nosso sucesso na amamentação: meu parto normal. Sim! Depois do parto me tornei muito mais segura, minha auto-estima melhorou e afinal, se eu tinha conseguido parir, era capaz de qualquer coisa!! Ao longo da amamentação me deu dicas de como diminuir o empedramento, meu companheiro constante, com a inesquecível técnica do ‘bebê rotativo’
Dra Gabriela: 1ª pediatra do Kael, o acompanhou em Recife no seu 1º ano de vida. Nesse tempo todo nunca sugeriu a introdução de leite artificial, pelo contrário, sempre me estimulava a estocar leite materno para o retorno ao trabalho e nos medicou na nossa primeira dificuldade: uma candidíase no mamilo por conta do uso de protetores de algodão. Ele estava com 10 dias de vida e eu tinha ligado na véspera pra perguntar pra ela quanto de NAN eu podia dar. No dia seguinte tínhamos consulta e ela avaliou o mamilo, passando remédio pra mim e pra ele. Insistiu pra continuar amamentando que iria ficar tudo bem. Nossa, como isso dói, arde, queima! Graças a essa candidíase nossa amamentação foi classificada como “quase-exclusiva”. Por 16 dias dei complemento de 60ml de leite artificial uma vez no fim do dia para que os pobres peitos ardidos pudessem respirar um pouco e se recuperar.
Graças ao Banco de Leite Humano do IMIP (Instituto Materno Infantil de Pernambuco) conseguimos nos libertar da lata de NAN aos 25 dias de vida. Impressionante a dependência que sofremos de uma miserável lata de leite! Lá no BLH do IMIP ele foi pesado (já havia ganhado quase 1kg), avaliaram a pega e o mamilo (já sem cândida) e me perguntaram por que eu complementava. Sem uma resposta decente, não restou outra alternativa senão abandonar o julgo daquela tal lata de leite. Cada dia sem o NAN era uma vitória… 1 dia sem NAN! 2 dias sem NAN! 3 dias sem NAN… até que… perdi a conta e recuperei minha confiança na minha capacidade de nutrir! Voltei algumas outras vezes por lá, para pasteurizar leite para estocagem, outras para doação, e ainda para avaliação médica quando tive uma ‘mini-mastite’ no retorno ao trabalho. Sempre fui MUITO bem atendida.
Amigos: alguns amigos em especial me ajudaram muito nessa jornada, como a Suzana que me repetia insistentemente para eu conhecer o IMIP (desde a minha gravidez); a Fabiana que me emprestou a bombinha tira-leite que salvou nossas vidas no retorno ao trabalho e nas incontáveis empedradas do caminho; Suely, parteira-comadre sempre orientando como lidar com a leitaria, penteando o peito, com banhos mornos ou simplesmente dedicando uma palavra de incentivo; a Analu, doula-amiga e constante companhia de mamódromos, fraldários e afins; Nélia, Aninha, Júlia, Dan e toda a turma mamífera que eu conheci depois que o Kael nasceu, minhas fontes de inspiração, minhas iguais.
Empresa, Chefe e Colegas de trabalho: voltei a trabalhar 1 semana antes de Kael completar 4 meses. Havia estocado alguns vidros de LM, mas como trabalhava longe e não podia voltar para almoçar em casa, o estoque tinha que ser muito maior. Não conseguia extrair suficiente durante a semana nos momentos em casa, então tive que ordenhar no trabalho, aproveitando as mamas cheias de saudade do meu pequeno. Usava uma sala de reunião, contando com um ‘colega-porteiro’ – que sabia o que se passava dentro da sala com papel afixado na janelinha de vidro. Retirava em torno de 150ml por dia que servia basicamente para a alimentação do dia seguinte, assim, sempre que podia em casa, nos fins de semana, estimulava a produção para conseguir garantir o estoque da semana. A geladeira da copa virou uma sucursal do IMIP, cheia de vidrinhos de leite, e o pessoal da limpeza já sabia que não poderia limpar a geladeira enquanto estivessem meus vidrinhos por lá. Até isso foi combinado pensando no Kael: o dia da limpeza da geladeira da empresa! Além disso, quantas vezes tive que sair correndo porque não tinha estoque suficiente e estava chegando a hora dele mamar, ou ainda por que tive que ir ao IMIP com ‘febre de leite’ ou para as regulares consultas à pediatra? Sem o apoio das minhas colegas, da minha chefe e a postura da empresa não teria dado certo.
Fábio: esposo, pai do Kael e companheiro de conquistas. Seu apoio vem desde a jornada rumo a um parto respeitoso, compreendendo minhas necessidades e expectativas. Com o nascimento do Kael acordava de madrugada e me socorria pegando o bebê pra mamar, colocando pra arrotar, ajudando nas cólicas. Nunca nem sequer passou pela cabeça dele que meu leite não fosse suficiente para nutrir seu filho, que crescia e engordava a olhos vistos. Ensaiou alguns ciuminhos ao me ver amamentando rua afora, mas logo percebeu que a finalidade era pra lá de nobre e uma fraldinha resolvia a parada. Não consigo imaginar como seria se ele não acreditasse na minha capacidade. Certamente não teria conseguido.
‘Mana’: minha babá, que virou babá do Kael. Após 30 anos cuidando de mim ela sempre se dedicou a cuidar do meu filho do jeito que eu determinei, e como a determinação era amamentação em livre demanda, evitar mamadeiras e aleitamento exclusivo até os 6 meses… Ela cumpriu seu papel sempre me lembrando de colocar a concha na sacola, escaldando e congelando intermináveis vidros de nescafé, lavando minuciosamente a bombinha tira-leite, posteriormente oferecendo com paciência invejável LM descongelado em copinho, depois em colherinha. Sem ela teria sido impossível o sucesso da amamentação especialmente após o retorno ao trabalho.
Mamãe: embarcou conosco na jornada. Sou filha única, Kael é o 1º neto… Muitas novidades desde meu nascimento em 1978. Achou meio esquisito quando eu recusei um ‘esterilizador de mamadeira’ que minha tia daria, mas aos poucos compreendeu que item mais desnecessário não poderia existir em uma lista de bebê. Mamãe participou como uma grande apoiadora em nossas decisões, desde o parto até a inevitável constatação que meu leite era a única coisa que o Kael precisaria até os 6 meses. Na verdade acho que ela nunca duvidou da minha capacidade, como é característico dela. Esteve presente na 1ª mamada, esteve presente quando sucumbi ao NAN, esteve presente quando me libertei do NAN, esteve presente quando comemoramos 6 meses de LM (tá, semi-exclusivo, mas vale a comemoração!) e está presente no processo de amamentação ‘quase-prolongada’… Sabe que o desmame ainda não está planejado e será lento, no nosso ritmo, por isso é capaz de viajar muitos km comigo para levar o Kael em meus compromissos profissionais e não interromper a amamentação bruscamente. Outra figura fundamental no nosso sucesso!

Então é isso! Não tem mistério! É graças a essa “tropa de elite” que temos levado esses 660 dias de nutrição, amor e saúde.

Thaíssa, mãe do Kael
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Faltam 27 dias…

julho 5, 2008

Arthur nasceu no dia 16, sexta-feira. Sua pega foi boa de imediato, porém, na segunda-feira, começou o problema da amamentação. Por sorte, M. (parteira) estava aqui numa consulta pós-parto quando o Arthur começou a chorar bastante. O leite não desceu e ela percebeu bem mais rápido que eu o motivo do choro e irritação com o peito: fome. Ela deu uma seringa de água glicosada com sonda no dedo e eu só fazia chorar. O Arthur se acalmou na hora. Comecei a tomar imediatamente motilium de 8 em 8 horas, preparo de semente de algodoeiro e chá da mamãe da Weleda aos montes.

Continuei oferecendo o peito e à tarde a A.P. (pediatra, amiga e mãe de um bebê de 6 meses) nos trouxe leitinho, acho que 80ml. Esse leite foi dado naquela tarde e depois à noite, através de sonda (translactação), assim ele também mamava meu colostro e estimulava para a descida do leite. À noite, compramos uma lata de Nan, pois não sabíamos se o leite que a A.P. deixou seria suficiente. E realmente precisamos oferecer uns 30ml.

Não estabelecemos horários. Oferecia meu peito e só entrava com o complemento quando percebia que meu bebê estava com fome, sempre com a sonda.

Na terça-feira a A.P. trouxe mais 140ml de leite e ainda precisamos complementar com Nan. Verificamos que a quantidade de colostro aumentara um pouco e parecia começar a mudar de cor. O Arthur não me deixava dormir, ficava no peito o tempo todo, ou no colostro somente ou na translactação. Eu estava muito cansada. A M. sugeriu que meu marido ficasse com ele por algumas horas para eu dormir e oferecesse complemento no copinho ou colherinha. Eu confesso que resisti à idéia, pois pelo menos o complemento estava sendo dado nas mamadas. Estava muito triste, cansada, chorando bastante e sabia que isso não ajudava a descida do leite, mas não me conformava em não conseguir alimentar meu filho.

Na quarta-feira por volta das 6h da manhã, com o Arthur chorando de fome enquanto eu oferecia o peito, depois de mais uma noite toda praticamente sem dormir, me rendi. O papai foi cuidar dele e eu fiquei dormindo. Meu marido ofereceu Nan de colherinha, mas conseguiu dar apenas uns 15ml, pois disse que ficou morrendo de dó de alimentá-lo daquele jeito. Quando voltou a querer mamar, me trouxe e eu ofereci o peito, como de costume, pois o complemento era oferecido apenas quando chorava de fome durante as mamadas. Ficou nesses 15ml de Nan e no meu peito até à tarde, quando a A.P. chegou dizendo que derrubou os potinhos com o leite que me traria. Mas então o colostro já estava mesmo era com cara de leite, sem pojadura, bem discreto, meu leite apareceu.

A partir de então não precisei dar mais complemento, meu leite aumentou e está sendo suficiente, apesar de não ser abundante. Entre quarta e sexta-feira ele engordou 60gr.

(…)

Não é fácil ver seu filho chorando de fome, precisar complementar, mas bastou uma boa orientação, apoio e perseverança que consegui. Ouvi de muita gente que isso é normal, que se não desse certo, eu devia dar mamadeira e pronto. E inúmeros exemplos de mulheres que não tiveram leite. Esses comentários me entristeciam, pois eu me sentia frágil e não precisava ouvir aquilo, mas sentia mesmo muita pena de saber quantas mulheres e bebês sequer tiveram a chance de tentar.

Por sorte faço parte dessa lista, cujos exemplos eu me lembrava para me encorajar, conheci pessoas maravilhosas como A.P., que sempre agradecerei pela dedicação e doação para eu conseguir amamentar. E não posso deixar de agradecer M. e P., sempre atenciosas e disponíveis, à minha mãe, que ficou ao meu lado e rezou muito por nós e principalmente ao Emiliano, que dividiu comigo cada mamada, cada choro, cada sorriso.

Dani Garbellini, mãe do Arthur

Comentários da Matrice

Essa é uma história de amamentação com início difícil, tão comum hoje em dia. Este relato foi escrito apenas dez dias após o nascimento do bebê. Para vocês verem como tudo é muito rápido na amamentação e ajudar a mãe a ganhar confiança na sua capacidade de amamentar é essencial para o sucesso da amamentação, mesmo quando nada dá errado!

Lembrem-se que:

– O colostro é uma mistura valiosíssima de anticorpos e nutrientes, que é produzida pela mãe em pequenas quantidades, mas suficiente para a criança em seus primeiros dias.

– a chegada do leite pode ser um processo menos definido do que as palavras levam a crer. Existe leite no colostro e o colostro continua existindo no leite por pelo menos mais alguns dias. A tão esperada “descida” do leite pode variar de mãe para mãe. Para algumas mães em dois dias o leite já desceu, para outras pode levar quase uma semana. Não existe um prazo exato para a descida deste leite, portanto relaxe e ponha seu bebê para mamar!!!

– a necessidade da mãe de ver sinais de sucesso: pojadura, bebê saciado e ganhando peso está diretamente relacionada à sua capacidade de relaxar, já que a tensão é muito prejudicial. Àqueles que se dedicam a ajudar uma mãe a amamentar, mais um lembrete: é essencial ela acreditar em seu provável sucesso!

O que vocês acham foi determinante no sucesso desta mãe?