Posts Tagged ‘pega’

Último dia da Semana…

agosto 10, 2008

Mesmo antes de engravidar, para mim duas coisas pareciam bastante óbvias e naturais: o parto normal era o melhor para mãe e bebê e a amamentação exclusiva era o melhor também para ambos. Só ao longo da gravidez é que eu fui entendendo que nenhuma das duas coisas eram tão óbvias assim hoje em dia.

A minha irmã tinha tido problemas no início da amamentação da minha sobrinha: seios rachados, pega incorreta. Lembro-me dela amamentar chorando de dor. Ela teve apoio, do projeto Casulo, lá em São José dos Campos, e amamentou a Juju até mais de um ano.

Como eu tinha medo das rachaduras, eu me preocupei com o que eu achava que era necessário para a preparação do seio: bucha vegetal, sol de vez em quando etc.

Por sorte, eu tive um parto normal e o Rodrigo veio mamar em seguida. Ele não pareceu se interessar muito, só ficava dando umas lambidinhas curiosas e me olhando com aqueles olhões que ele tem…

Optamos por alojamento conjunto, mas mesmo assim o Rodrigo – que nasceu às 10h da noite – só voltou pro quarto no outro dia, por volta das 6h da manhã. Todas as vezes que ele chorava, eu o pegava no colo e oferecia o peito. Mas como o meu seio é super plano, ele não encontrava o bico e ficava reclamando. Ou então, se uma enfermeira me ajudava a fazer uma “prega” para facilitar a pega, ele mamava um bocadinho e logo dormia de novo…

Na sexta-feira teve uma coisa engraçada, porque eu estava meio grogue de sono, cansaço e provavelmente da anestesia e entrou um pediatra novinho para me avisar que estava tudo bem com o Rodrigo e que ele tinha deixado uma receita de Nan caso fosse necessário. Eu não lembro direito do que respondi, mas acho que fui muito irônica porque ele ficou bem sem jeito, disse que era só por precaução e saiu rapidinho…

O Rô nasceu na quinta e o meu leite desceu com tudo mesmo no sábado à noite. Aliás, um show de horror esse sábado. A gente inventou de dar as primeiras vacinas ainda na maternidade e o Rê ficou febril da reação (que eles garantiram que não ia acontecer). Aí, os meus seios duros de leite, doendo muito, e o Rô não conseguia mamar…No meio de tudo isso, entra uma enfermeira me dizendo que o Rodrigo está febril porque eu fechei as janelas e o quarto estava abafado, e que ela vai levá-lo pro berçário para dar Nan senão ele vai desidratar! Nem é difícil imaginar o que aconteceu, né? Chorei um tempão, super preocupada e super chateada, vendo ele tomando Nan no copinho enquanto eu fazia compressas geladas para melhorar a dor no seio. Que raiva!

No outro dia, antes de eu sair do hospital, as enfermeiras me recomendaram comprar um intermediário de silicone, para facilitar a pega. Com medo de ver a amamentação ir por água abaixo, foi o que fiz. O Rodrigo parecia pegar melhor mesmo e eu via a boquinha dele cheia de leite.

Aí, primeira visita à pediatra e o menino tinha ganhado pouco peso. Mas a pediatra disse que tudo bem, que era normal, que eu não deveria me preocupar. Ela viu o Rô mamando, achou que a pega estava boa e tudo bem.

Só que o Rodrigo chorava muuuito, de dia e de noite. E quando mamava, ficava 40 minutos em cada peito.

Segunda visita à pediatra e ele continuava engordando pouco. Ainda bem que ela era tranquila, e me disse para não desistir, ficar tranquila, beber água e me livrar do intermediário. E aí entra um apoio fundamental: minha mãe, que tinha vindo passar uma semana comigo e com toda a paciência do mundo com minhas inseguranças e hormônios-descontrol me ajudou a acertar a pega. Resultado? Rodrigo passou a mamar em no máximo vinte minutos, dormia muito e começou a engordar num ritmo absurdo…

Esse foi o primeiro desafio. Depois vieram outros, como as crises com os períodos em que aumentava muito a demanda dele – porque ele estava em crise de crescimento, porque a rotina tinha mudado, porque ele me queria por perto… Algumas vezes eu quase desisti. E aí entra outro apoio fundamental, que foi a lista Materna. Na lista, encontrei principalmente “escuta” e respostas que me ajudavam a compreender melhor o que estava acontecendo, a pôr em perspectiva o momento de crise em relação a todo o processo de amamentação, enfim, a reencontrar tranquilidade para segurar a onda e decidir com mais informações.

Não tenho dúvidas de que esses apoios foram essenciais, tanto no início quanto depois, para possibilitar uma experiência tranquila de amamamentação. Hoje o Rodrigo está com 2 anos e 9 meses, e ainda mama de vez em quando.

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3º dia da SMAM!!

agosto 3, 2008


O Começo é difícil, mas Compensa!!

Durante a minha gravidez eu tinha certeza que o parto seria exatamente como eu queria, e não tinha medo nenhum da hora do parto. A única coisa que eu tinha medo era da dor que eu iria sentir ao amamentar. Isso porque todas as mães com quem eu falava me diziam que doía muito, que era uma tortura e que demorava para ficar bom. Para mim não amamentar estava fora de cogitação, então eu já pensava que teria que encarar a dor mesmo.

Logo que a Beatriz nasceu colocamos ela para mamar, só que ela não quis, pegou pouquinho e soltou. Ela dormiu e quando acordou novamente veio mamar. Não me lembro de ter sentido dor dela mamando, só que eu sentia muitas pontadas no seio todo. Como eu fiz cirurgia [de redução] eu morria de medo de não conseguir amamentar. Graças a Deus estava tudo indo bem, e em três dias o meu leite já tinha descido. Os seios ficaram MUITO cheios e enormes, pesavam e doíam tanto que eu não conseguia levantar os braços. Nos primeiros dias tinha que ordenhar um pouco para poder tirar o excesso de leite. A dúvida era quanto ordenhar, porque se eu tirasse demais, produziria mais, e de menos continuaria doendo. Me falaram para tirar só o suficiente para diminuir a dor. Eu sentia alguns dutos inchados e fazia massagem para poder tirar o excesso de leite que estava neles.

No terceiro (ou quarto) dia a Ana Cris veio me ver, viu que a pega estava correta e que o leite já tinha descido e estava tudo certinho. Apesar de estar tudo correto eu ainda tive muita dor nos seios durante uns dois meses. Algumas pessoas que conversei achavam que poderia ser por conta da cirurgia. O que acontecia era uma pontada fortíssima nos primeiros minutos que a Beatriz puxava o leite, depois passava e o resto da mamada era tranqüila.

Eu não acho que tive dificuldades com a amamentação, meus mamilos não ficaram machucados (apesar de as vezes ficarem doloridos) e as pontadas eram só no início da mamada. Como eu tive contato com várias outras mães e pessoas para ajudar e verificar se estava tudo correndo bem e dar dicas de como melhorar, acho que tudo foi bastante tranqüilo.

Amamentei a Beatriz exclusivo até os 11 meses (por opção e com base em diversas coisas que li) e agora começamos a introduzir os alimentos, só que ela não come tanto e por uns dias fiquei preocupada que ela perderia peso, aí encontrei com as meninas da Matrice e elas me trouxeram de volta à realidade e me lembraram que o meu leite é suficiente para a Beatriz! Ela continua mamando super-bem e eu amo amamentá-la. A noite só consigo dormir se ela estiver mamando!

 

Luana Arnhold, mamãe da Beatriz Thayla, nascida em 21/07/07 num lindo parto domiciliar

Falta um dia apenas!!!!!

julho 31, 2008

Gabriel nasceu prematuro, de 33 semanas. Nasceu muito bem de saúde, quem teve problemas fui eu. Começou tomando Nan em sonda e depois no copinho durante sua internação na semi-intensiva, pois eu estava na UTI e não podia amamentá-lo. Logo que tive alta, foi prescrita a ele a amamentação não nutritiva para aprender a sugar e quando ele mesmo teve alta, 15 dias depois, estava no aleitamento materno exclusivo! Nossa primeira vitória!

Mas foi em casa que as coisas começaram a não sair como programado!

Do primeiro para o segundo mês meus mamilos estavam doendo muito. Mas todos falavam “é assim mesmo, logo pára de doer…

Só que Gabriel não tinha uma boa pega (hoje eu sei disso) e continuei com a amamentação exclusiva que para mim, não era um prazer como tantas falavam! Do segundo para o terceiro mês passei umas das fases mais difíceis da minha vida. Sentia muita dor pra amamentar o Gabriel e toda vez que ele chorava de fome, eu chorava porque já sabia a dor que eu ia sentir!

Ele mamava de 2h em 2h e gostava de dormir no peito, e muitas vezes ficava meia-hora, 40, até 50 minutos sem largar o peito e eu achava que tinha que deixar, que ele estava mamando…

Leite Nan, mamadeira ou chupeta não tinham feito parte do enxoval dele e nunca na minha vida pensei que teria que usá-los! Mas cheguei ao meu limite…

Meu sonho era entrar em trabalho de parto… ter um parto o mais natural possível… e amamentar exclusivamente até o sexto mês…

Mas depois de, no sétimo mês de gestação, ter que fazer uma cesárea de emergência e  “perder” os momentos mais desejados da minha vida, a vontade de amamentar o Gabriel ficou infinitamente maior! Para mim, era o resgate do vínculo que tinha perdido no momento do nascimento dele, já que quando foi tirado de dentro de mim não veio parar de chorar pertinho do meu rosto… não veio para o meu colo receber meu calor… não veio mamar no meio seio… não veio comigo para casa…

Meu emocional estava muito abalado! Eu chorava da dor física e da dor de ver meu bb desejar tanto ficar no meu seio e eu não agüentar e não poder deixar! Pra acalmá-lo comprei uma chupeta. E chorando dei pra ele…

Procurei ajuda nos bancos de leite, com enfermeiras, pediatras e uma fonoaudióloga. Mas não sei porque não consegui que me ajudassem! Até que não suportando mais as dores de rachaduras profundas, fissuras, bolhas e os mamilos sem a pele, comprei uma mamadeira e uma lata de Nan…foram 3 dias só de mamadeira, sem o peito pra que começasse o processo de cicatrização. Tive que fazer isso, senão teria desmamado Gabriel.

Foram 40 dias de mamadeira junto com o peito e o Nan, quando não conseguia ordenhar o suficiente pra uma mamada.

Mesmo dando mamadeira, conseguia pôr ele no peito quando não doía tanto…e as feridas foram sarando! Nunca deixei de pensar no meu objetivo: voltar a amamentação exclusiva!

Quando Gabriel estava com 3 meses e 17 dias voltamos à amamentação exclusiva! Nem acreditei! Meu mamilos só doíam um pouco durante a mamada, mas já não ficavam mais machucados! Eu tentava arrumar a pega do Biel o mais que podia, mas o danadinho não queria saber de abrir a boca!

Um mês e meio depois ainda continuava só no peito, mamando muito, graças a deus! A pediatra ainda prescreveu a introdução da alimentação aos 4 meseso quê? Depois de tanto sacrifício terminar assim a amamentação exclusiva? De jeito nenhum! Comecei com as frutas quando ele completou exatamente 5 meses, 1 semana antes de eu voltar a trabalhar!  Não tinha condições de estocar leite pra continuar o aleitamento exclusivo até o sexto mês, mas depois de tudo que passamos, me sinto realizada do jeito que tudo aconteceu!

Hoje Gabriel com 1 ano e 5 meses ainda mama no peito e só tenho a agradecer meu marido, minha família, que muito me incentivou, me apoiou nos momentos mais difíceis de decisões, de dores, de amor…

E as meninas da lista bestbaby, que participaram ativamente de todo o processo, e que apesar de estarem longe fisicamente, foram muito mais presentes, estiveram muito mais ao meu lado, desejaram com todas as forças que eu não desistisse de amamentar muito mais do que qualquer profissional que tive contato aqui em Campinas!

Vanessa Lopes, 34 anos, enfermeira, mãe feliz do Gabriel

Faltam apenas 2 dias…

julho 30, 2008

 

 

Em minha primeira gestação eu curti muito minha barriga e cada transformação pela qual meu corpo passou, e o que eu mais temia era não conseguir amamentar minha filha, por isso fui atrás de toda informação possível sobre amamentação.

Na época, eu tinha a assinatura da revista “Seu Filho e Você” e eles falavam da amamentação de forma bastante clara e davam várias dicas para a mãe conseguir amamentar mais prazerosamente. Sempre que chegava a revista eu procurava a parte de amamentação para ler.

Minha filha chegou em 18 de junho de 2002 às 18h15 através de uma cesárea, e teve que ficar no berçário 12 horas enquanto eu me recuperava da cirurgia.

Isso pra mim foi muito dificil, sofri muito por não estar com minha pequena no colo desde seu primeiro instante fora do meu ventre, tudo o que eu mais queria era colocá-la no meu seio para mamar.

Assim que chegou ao quarto, Sarah logo veio para meu peito e mamou muito!!!

Eu fiquei suuuuuper feliz, e aliviada, e chorei de emoção!

Logo na primeira semana em casa eu comecei a ficar com febre por causa de uma mastite horrivel que tive, e algumas pessoas próximas começaram a me dizer que a amamentação causava isso mesmo, que era difícil, que podia dar câncer no seio, que talvez fosse melhor dar mamadeira etc…

Eu mandei todo mundo “às favas” e passei a me trancar no quarto o dia inteiro deitada com minha filha a meu lado, e isso me ajudou muito.

Sim, eu chorei e sofri cada vez que minha filha pegava no peito e eu sentia aquela dor insuportável, mas nutrir minha pequena era a coisa mais importante pra mim naquele momento.

Eu NÃO usei pomadas e acho que foi melhor assim.

Deixei o peito ficar ferido e cicatrizar por si.

Na hora da mamada, eu colocava um pano quente no peito para o leite fluir melhor (tambem tirava com bombinha e usava o pano) e depois que ela esvaziava o peito, eu colocava gelo, porque sentia queimar, e o gelo aliviava bastante.

Depois da mastite veio a diminuição do leite, e eu tentava todas as receitas para aumentar o fluxo, porque minha filha chorava de hora em hora para mamar.

Comecei a ouvir a história do peito virar chupeta, dela ficar “mal-acostumada”, que tinha que dar água, tinha que dar chá e etc, mas não dei ouvidos.

Tentei coca-cola, chá de ervas, canjica, mingau, e mais um monte de coisas, mas senti que o leite só aumentou mesmo depois que eu relaxei e deixei rolar.

Mais uma vez precisei acreditar na minha escolha em primeiro lugar para que as coisas fluissem.

Passado 1 mês, a amamentação se estabeleceu e pude curtir com muito prazer cada momento com minha filha no peito, sempre na hora que ela quisesse, sem cobranças, sem horários, sem neuras…

O maior apoio de amamentação que recebi, foi a busca de informação correta, e que nesse caso foi dado pela revista “Seu Filho e Você”, e que hoje em dia é muito dificil na mídia.

E outro apoio fundamental, foi do meu esposo, que me trazia água a toda hora, que me dava colo nos momentos de desespero e dor, e que não se importava nem um pouco com a bagunça na casa e as coisas por fazer, e muitas vezes ficava com a bebê para eu descansar.

Hoje, depois de quatro filhos, superadas as dificuldades do começo, creio que na amamentação tudo se supera com quatro coisas básicas:

1- Relaxar

2- Beber muita água

3- Acreditar no poder da natureza

4- Ter um apoio verdadeiro a seu lado

 

Rosana Oshiro, casada com Cleber, mãe da Sarah, do Rafael, do Gabriel e Ana.

Faltam 5 dias…

julho 27, 2008

Depois de engravidar, meu sonho era amamentar para me sentir completa. Queria sentir o calor do meu filho perto de mim, que ele pudesse ter o contato mais natural possível com as vitaminas que o leite materno dispõe. Pra minha felicidade, em uma das consultas do pré-natal, minha médica disse que eu já tinha colostro, aos 5 meses de gestação. Mas meus seios são pequenos e eu pensava que não teria leite suficiente. Pensei também: “e se ele não quiser mamar?” Eram tantas as dúvidas e inseguranças, juntando com os hormônios super-ativados da gravidez, que o jeito mesmo era esperar pra ver. Participávamos de um grupo de casais grávidos onde aprendemos sobre o antes, o durante e o depois do nascimento. Essa vivência nos ajudou bastante, dando-nos segurança e desmistificando muitas crenças que passam de geração em geração.

De um parto domiciliar, nasceu Ernesto! Nosso primogênito chegou no dia 4 de janeiro de 2007, após 21 horas de trabalho de parto  acompanhadas das doutoras Melania e Leila e da doula Daniela.  Durante todo o TP, o apoio do pai foi incondicional, auxiliando nas massagens para relaxamento durante as contrações e sempre presente chamando: “vem, Ernesto!”. O momento do nascimento é maravilhoso! O fato de Ernesto ter ido para meu colo logo após a expulsão foi de extrema importância: o reconhecimento do seio, o calor dos braços da mãe, mesmo antes de cortar o cordão umbilical. Pra minha felicidade, ele queria mamar! E depois que o leite “desceu”, haja peito! Tanto que consegui armazenar alguns vidros de leite. Levei alguns para doar, e ainda consegui fazer um pequeno estoque congelado ou pasteurizado.

Queria que meu filho mamasse exclusivamente mesmo após minha licença maternidade terminar. Sempre adotei a técnica de deixá-lo mamar um dos seios o máximo possível para que, dessa forma, ele pudesse sugar o colostro que vem primeiro e o “leite de verdade” que vem depois. Depois, na próxima mamada ele mamava o outro seio o máximo possível. Aprendemos que deixá-lo mamar 15 min em um seio e 15 min em outro era errada, pois assim ele acaba mamando somente o colostro e não ganha peso. Nos primeiros dias, confesso que fiquei desesperada, pois ele escolheu um dos seios e não queria o outro. O mamilo daquele que ele escolheu começou a rachar e o outro, cheio, vazando, começou a “endurecer” e doer, foi sofrimento. Tinha que persistir, e não desistir de amamentar. Contei com a ajuda da “bombinha” pra esvaziá-lo e com a ajuda do pai para fazer o bico rejeitado “aumentar”. Era isso! Eu tinha um dos mamilos “curto” e Ernesto preferia aquele mamilo maior, que dava uma pega melhor. Ele mamava, 40, 50 minutos. Na próxima mamada ele não aceitava o outro, e doía e eu chorava e ele chorava também. Depois, com insistência e paciência, o problema foi resolvido em alguns dias! Outra noite de sofrimento que marcou foi por volta do 7º dia de nascido. Ernesto mamou. Mas mamava e chorava. Desesperado! Ninguém dormia. Pensei: “meu leite secou!”. Apertava os mamilos e não saía leite. O que eu faço? Pedi uma lata de complemento na farmácia. “Ah, não! Vou ter que dar complemento, com menos de 1 mês?” Calma! Liguei pra doula, conversamos um pouco. Resolvemos que iríamos esperar até o dia seguinte para ver se o fluxo de leite voltaria ao normal. Ligamos pra farmácia e cancelamos o pedido do complemento. De fome ele não ia morrer. Fomos acalmando-o com carinho e oferecendo o peito, nem que fosse pra fazer de chupeta. No outro dia, para a nossa felicidade, o leite jorrava! Ernesto agradecia e se esbanjava de tanto mamar!

Enfim, nada como o apoio de pessoas certas numa hora dessas! Hoje, com 1 ano e 6 meses, Ernesto ainda mama. É um garoto saudável, alegre e esperto.

Sylvana Carla, mãe do Ernesto

Faltam 13 dias…

julho 19, 2008

Quando meu segundo filho, Fernando, nasceu, eu me achava a mãe mais experiente do mundo. Tinha um filho de dois anos, o Henrique, que tinha mamado no peito até nove meses de idade e com quem a amamentação tinha corrido muito bem.

Na gravidez do Henrique, eu tinha feito o cursinho de gestantes do hospital, onde ensinavam que “pega boa” é “boquinha de peixe” e sem fazer estalinho. Não que esteja errado, mas eu achava que isso era tudo e que amamentar o Fernando ia ser “bico” – sem trocadilhos.

Não podia estar mais enganada. O Nando berrava já na maternidade. Mamava muito e berrava mais ainda. Em casa, meus mamilos começaram a ficar cheios de fissuras e as dores eram absurdas. Dor do parto é moleza, perto da dor de fissuras mamilares (pelo menos, para mim). Aí começaram os palpites.

“Para quê isso?”. “Desmama esse moleque, para que sofrer tanto?”. “Amamentei o fulaninho só um mês e ele nunca ficava doente!”. Tudo isso no meio da minha dor: podia ser um diabinho me tentando… Podia, mas não foi. Porque eu estava muito firme na minha decisão de amamentar o Fernando, nas minhas convicções de que o leite materno era o melhor alimento para meu filho. A dor era ruim, mas era algo que eu conseguia isolar, não prestar atenção nela e sim no bebê, que mamava com gosto.

Acontece que, desde que meu primeiro filho nasceu, eu fazia parte de algumas comunidades virtuais de mães recentes e gestantes. Descobri o GAMA, a Ana Cris, as doulas, a Ingrid Lotfi (doula no Rio de Janeiro) e muitas outras organizações e pessoas que incentivavam o parto natural e a amamentação. Essas “descobertas” foram muito importantes, mas a Ingrid Lotfi foi fundamental. As coisas que a Ingrid escreveu lá atrás, em 2003, fizeram a diferença em 2005, na minha insistência em manter o Fernando no peito.

Comecei a tomar algumas medidas para tentar curar meus mamilos. Tomava sol nos seios, passava pomada de lanolina, fiz compressa de casca de papaia, passei chá de casca de romã e usei uma pomada cicatrizante. Foi funcionando aos poucos. Daí, ganhei um intermediário de silicone e quase que meu filho larga o peito: aquela coisa deslocava-se para dentro da garganta dele e causava ânsia. Fora que o leite diminuiu. Tomei chá-da-mamãe, tintura de algodoeiro, descansei de montão e o leite foi voltando, o peito sarando e o Fernando sempre mamando. Não foi uma história longa, porque, aos sete meses do Fernando, ele largou o peito. Insisti por uma semana, mas ele ficou irredutível, fazia cara de nojo e tudo mais.

De qualquer modo, esse é meu relato de apoio na amamentação: o incentivo que a querida Ingrid Lotfi me deu, dois anos antes de meu segundo filho nascer, foram a força de que eu precisava para resistir a tanta pressão para desistir. O apoio é importantíssimo e pode assumir várias formas. Para mim, veio na forma de uma mulher do Rio de Janeiro, que conheci em uma lista, arrumando a maior briga na defesa do parto natural, e que acabou virando minha amiga. Uma amiga que nunca vi de verdade, só em fotos e conversando por emails. O amor escolhe as mais diversas formas de se manifestar. Apoio à mulher que amamenta é amor, sim. Obrigada, Ingrid!

Pri, mãe do Henrique e do Fernando

Faltam 16 dias…

julho 16, 2008

 

Ele nasceu no reveillon, com 2.900 kg. Eu não o tinha visto nascer, apesar de ter lutado com ele pelo seu nascimento. Foi extraído, aspirado, separado de mim e observado por 3 horas. Quando chegou pra eu conhecê-lo, era um pacote quentinho e miúdo, um serzinho com quem eu teria que formar vínculo, aprender a amar, e não tinha outro modo senão cuidando e amamentado muito!

Chegamos em casa depois de 2 dias e eu já sentia a pega errada dele, os mamilos sensíveis durante a mamada. Fiz tudo o que as pessoas da família me diziam para tentar aliviar a dor; a intenção era boa mas não tinha resultado.

Somado à dor estava a freqüência das mamadas, a perda de peso no primeiro mês, o cansaço e a insegurança da mãe recente, fui pedir apoio ao pediatra. Ao invés de incentivo, saí do consultório com uma receita de fórmula infantil e um pedido de exame de urina…

Comprei a fórmula por insistência do marido e fiz o exame: Breno estava mesmo com infecção urinária, pesava então 2,6 kg. Comecei a complementar as mamadas com o leite de vaca através de uma sonda ligada ao mamilo, ele tomou antibiótico, meu peito estava quase sarando.

Quando acabou a primeira lata de leite eu decidi que não iria comprar outra e que não iria pedir a opinião do pediatra; busquei informação nos sites de apoio à amamentação exclusiva e escrevi para as amigas Pati Merlin e Socorro Moreira.

Pata tinha um bebê 23 dias mais velho que meu Breno, e na mesma hora que escrevi ela me pediu meu telefone. Me ligou dizendo logo assim “você acredita no seu leite? Acredita que ele é forte e capaz de nutrir seu filho?” Era tudo o que eu precisava ouvir!

Com as dicas dela e da Socorro passei a complementar as mamadas com meu próprio leite ordenhado, passava também nos mamilos após cada mamada. Parei de me preocupar com o intervalo das mamadas e passei a amamentar em livre demanda, de dia e de noite, deixando Breno dormir comigo na cama. Em um mês ele engordou 1.2 kg, ganhou dobrinhas, estava se desenvolvendo muito bem! Hoje sei que o biotipo dele é mais “mignon”, por isso o ganho de peso dele nem sempre era o esperado, mas andou cedo, falou cedo, é muito inteligente e come de tudo!

Esse foi o início de um período de amamentação que durou mais de 3 anos, se não fosse o apoio das amigas e sites certamente não teria sido tão bem sucedido.

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Alice nasceu num parto na água que fechou muitas feridas de uma cesárea anterior. Na ocasião eu ainda amamentava o mais velho, Breno, que mamou boa parte da gestação também.

Eu acreditava que não teria problemas na amamentação por já estar amamentando há mais de 2 anos, já estar com os mamilos “calejados” e ter experiência, mas me enganei. Em poucos dias os mamilos e auréolas onde ela pegava feriram, chegaram a sangrar. Eu na época já sabia que não devia fazer o que fiz quando Breno começou a mamar, então nada de bico de silicone, casca de frutas, limpeza dos seios antes de amamentar.

Eu queria e sabia que podia amamentar exclusivamente ao seio, porém a dor era grande, eu já tinha minhas tarefas, tinha que cuidar de dois, não tive forças e recorri ao leite de vaca. Minha idéia era dar a fórmula uma ou outra mamada até os seios sararem, mas num certo dia ela chegou a ficar sem leite de mãe por 24 horas inteiras… Nesse dia pedi ao Breno e ele esvaziou os dois seios que estavam lotados, escrevi pras listas, sem vergonha de pedir ajuda, e pra Pata e Socorro de novo!

Dessa vez quem me ligou foi Socorro, que estava com seu filhote mamando exclusivamente, e recebi as dicas certas pra cicatrização e correção da pega. Mensagens de apoio vieram de vários cantos, e novamente usei uma lata de fórmula e pronto, estabelecemos a amamentação exclusiva que foi até quase 8 meses! Ela era uma bolinha, risonha e esperta, e tive muito orgulho de responder sempre que comentavam sobre as dobrinhas dela “é puro leite de mãe!”.

Ela está com 2 anos e 3 meses, ainda mama pra dormir (eu combinei isso com ela há 4 meses) e também se alimenta muito bem, nunca teve uma gripe forte, assim como o irmão.

Minhas experiências de amamentação apesar de tudo foram muito positivas, sou muito grata pelo apoio que recebi, e isso foi a inspiração para eu e Pata fazermos um blog de apoio para outras mães que desejam amamentar!

Rebeca, mãe de Breno e Alice

Faltam 17 dias… mais uma semana se passou!!

julho 15, 2008

Amamentar era o sonho da minha vida! Tanto quanto ter o meu filho de parto natural. O encanto se quebrou quando meu filho teve quer ser internado na UTI por desconforto respiratório. Foram dias de tortura e a única coisa que eu pensava era: não vou conseguir amamentá-lo. Mesmo na UTI recebendo o leite que eu ordenhava com muito amor e carinho, os dias iam se passando, meu gatinho melhorando rapidamente e minha paúra de levá-lo para casa e descobrir que ele não ia querer mamar mais, pois somente no momento que nasceu, sentiu o calor do meu seio na ânsia de alimentá-lo, e depois ele foi levado de mim. Uma frase ecoava na minha cabeça como um mantra: “Se até mãe adotiva amamenta, por que você não conseguiria? Amamentar não é só saciar a fome. É uma comunhão de amor entre você e ele”, dizia o pediatra do Enzo para mim, sempre aflita.

Cada dia que se passou em casa foi uma vitória, uma conquista! No começo da amamentação ele teve problemas de pega, eu problemas com monilíase, mas a dor sentida face ao seu sorriso de prazer acalentado nos meus braços não tinha intensidade alguma.

Minha mãe sempre foi uma graça, todos os dias ao meu lado repetindo a mesma frase, com aquele amor incondicional de mãe que todos conhecemos: tudo isso vai passar filha. Amamentar é muito gostoso e você vai ver como é. Vai melhorar… vai melhorar… e o pranto dela rolava junto com o meu.

Os dias passaram e comecei a sentir o maior prazer da minha vida: amamentar o meu filho com paz e tranquilidade. Sem medos, nem dores. Hoje o Enzo tem quase 2 anos, e meu maior presente é ainda poder oferecer para ele o leitinho que eu preparo ao longo do dia enquanto trabalho, com o maior amor do mundo: o leite materno.

Gisele, mãe do Enzo